Quarta-feira, 4 de Setembro de 2019

«O novo tempo de censura»

 

Um texto lúcido de António Jacinto Pascoal (professor e escritor), que encosta à parede os partidos políticos que andam por aí fazer de conta que Portugal tem uma Língua.

 

«Tivesse o sistema político algum respeito por si mesmo e o devido sentido de Estado, seria o Acordo Ortográfico alvo de preocupação e reactivado».

 

António jacinto pascoal.jpg

Texto de António Jacinto Pascoal

 

«Os vários organismos da Administração Pública multiplicam-se em opiniões díspares e contraditórias sobre como usar as regras ortográficas nos documentos produzidos, nem sempre cientes de que a arbitriografia, para usar o termo cunhado por Manuel Monteiro (Por Amor à Língua, Ed. Objectiva) passou a ser a regra do Português (leia-se, igualmente, o oportuno Acordo Ortográfico, Um beco Com Saída de Nuno Pacheco, Ed, Gradiva). No dia em que escrevi estas linhas, estive numa Conservatória de Registo Civil onde me asseguraram o facto acima apontado e onde pude observar documentos e curtos enunciados empregados em concordância com os Acordos Ortográficos de 1945 e 1990.

 

É evidente que, assistindo à degradação da língua, de dia para dia, tantas as imprecisões e erros a que está exposta, importa ainda perder algum tempo a reflectir sobre se a sua banalização e a perda de rigor que a grafia manifesta acrescem à ausência de dignidade de Estado.

 

«Na entrevista que José Carlos Barros (deputado do PSD e relator do Grupo de Trabalho para a Avaliação do Impacto da Aplicação do Acordo Ortográfico de 1990) concedeu ao jornalista Nuno Pacheco (PÚBLICO, 2 de Setembro de 2019), o deputado afirma desejar “que houvesse coragem política de assumir que o Acordo Ortográfico foi uma coisa que correu mal, e que as coisas que correm mal devem ser debatidas e corrigidas”. Mas mais: José Carlos Barros assume que o Partido Socialista entendeu que “o assunto, pura e simplesmente, não pode ser discutido”, que o Ministério da Educação depositou uma lápide de silêncio sobre a questão, e que o Ministério da Cultura foi desautorizado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, a quem parece caber o policiamento sobre a matéria. José Carlos Barros sugere mesmo um “pacto de silêncio” entre os ministérios envolvidos. Isto não deixa de lembrar o tempo em que se inspirava temor, o que, em certos casos, queria dizer algo como recorrer a métodos censórios.

 

Se um dos desígnios da Escola é o de melhorar o Português (e não somente lutar contra a iliteracia), perguntamo-nos como ele se pode alcançar, numa altura em que todos nos movemos num pântano de generalizada disortografia, de imprecisão e de desordem linguística. Quem pretender obter conhecimento de regras gráficas sólidas e rigorosas nas escolas tem de admitir que nem mesmo o sistema de ensino, vergado à letra política, reúne condições para o garantir. É nestas condições, a assobiar para o lado, que o Ministério da Educação pretende reiniciar o novo ano lectivo? Ou servindo-se de muletas como a do programa televisivo “Bom Português” (RTP), que espalha a sua nuvem de quietude sobre as consciências, para além de, como justamente aparenta, servir o edifício do poder? Sejamos sérios: tivemos a proibição dos livros; temos a proibição da língua. Vai levar tempo a perceber a urgência da situação.

 

Na mesma entrevista, José Carlos Barros sugere que o tema do Acordo Ortográfico seja abordado na campanha eleitoral e deixe de ser tratado como assunto-tabu. Tivesse o sistema político algum respeito por si mesmo e o devido sentido de Estado, seria o Acordo Ortográfico alvo de preocupação e reactivado debate nesta campanha. O Presidente da República, na quarta edição da Festa do Livro em Belém, referiu que um dos objectivos do evento é promover a leitura e a venda de livros. Era bom que, mais do que vender livros, se repensasse a sua matéria-prima, a língua na forma grafada. Não seja a língua, afinal, a ser vendida. ​Tomemos, por isso, precauções para evitarmos ser ofensivos, quanto aos sinais de censura vigentes. A defesa e a valorização da língua são aquilo que confere maior prestígio a uma Nação. A sua degradação, pelo contrário, é já uma enorme ofensa.

 

Professor e escritor

***

Um comentário ao texto de António Jacinto Pascoal, (que subescrevo na íntegra) , o qual poderia ter sido escrito pela autora deste Blogue.

 

mzeabranches

 

Pois é mesmo de 'censura' que se trata, 45 anos depois de implantada em Portugal a democracia! Direita, esquerda, centro todos preferem ignorar a destruição da nossa língua que este 'imbecil' AO90 e a sua imposição política anti-democrática está a promover! Uns porque são apenas ignorantes outros porque vivem obcecados pela costumeira megalomania nacional, agora transposta para o 'império' da língua! Saúdo o autor deste texto, com um apreço especial por se tratar de um "professor"! Porque os professores têm de reagir: é inadmissível que continuem a aceitar que lhes seja imposto ensinarem MAL a sua língua às nossas crianças e jovens! É pela língua que existimos, como povo com uma cultura própria! E os jornalistas têm de 'obrigar' os políticos a definir-se sobre o AO90 na campanha eleitoral!

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2019/09/04/sociedade/opiniao/novo-tempo-censura-1885407

 

***

Quanto a mim, na minha qualidade de ELEITORA, deixo aqui o meu repto:

 

Exijo aos partidos políticos que ponham a questão do AO90, no programa da campanha eleitoral, porque já BASTA de tanta conspiração e de tanto silêncio.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 19:07

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Quarta-feira, 28 de Agosto de 2019

Com a introdução da escrita primária em Portugal “à de” chegar o dia em que os analfabetos funcionais “ão de” ser a maioria

 

Bem, já há quem escreva primariamente, como se vê nas várias imagens que seleCcionei para esta publicação (elas são às centenas) mas esta escrita primária ainda não está assim tão generalizada. Porém, os legendadores dos noticiários televisivos, em que nível escolar se encontrarão?

PASMEM!

 

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Origem da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=732227417221240&set=gm.2366231646795909&type=3&theater&ifg=1

 

Como sou viciada em querer saber o que se passa no mundo, corro os canais televisivos, logo pela manhã, enquanto saboreio um café bem quentinho. E hoje, fui surpreendida com a “Lição de Bom Português”, no Canal3, da RTP, com esta pergunta: «Como se escreve HISTERIA, com H ou sem H? Todos (à excePção de um ou dois) foram unânimes e rápidos a responder: SEM H. Nem mais. E porquê? Porque o que não se lê, não se escreve, segundo a cartilha dos acordistas, uma classe que “à de ter omens” tão mutilados como as palavras, que eles acham que têm de ser mutiladas.

 

Mostrei a primeira imagem à minha neta (que este ano vai frequentar o 5º ano de escolaridade) e perguntei-lhe se naquela frase detectou algum erro. Sim. O “à de”. Obviamente HÁ-DE, em Bom Português.

 

Mas ainda se fosse apenas isto!

 

2TVI.png

Origem da imagem:

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Um dia destes, numa legenda, na SIC, vi qualquer coisa relacionada com o Caribe, numa legenda. Sim, o Caribe. Esse mesmo. Porque, está claro, sendo Portugal, aCtualmente, uma extensão do Brasil, dizer Caraíbas é um estrangeirismo.


Também vi numa notícia, relacionada com um hospital português, do qual já não me lembro o nome, a palavra “OBSTETRICIA” (assim à espanhola) bem escarrapachada à entrada de uma ala do mesmo hospital.

 

5 DESTRIOEM.png

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O que é que se passa em Portugal, com a língua que devia ser Portuguesa? Não é apenas a questão do mutilante e fraudulento AO90. Isto já ultrapassa o razoável. Isto faz parte de uma ignorância generalizada. Isto só diz da falta de um ENSINO qualificado da Língua Portuguesa, nas escolas portuguesas e de um hábito de leitura em BOM PORTUGUÊS. Isto faz parte de um desleixo descomunal, que o Estado Português está a validar. Vergonhosamente.

 

O triste, triste, é que em Portugal começam a rarear aqueles que escrevem correCtamente a Língua Portuguesa, que está a ser substituída por um vergonhoso e estupidificante mixordês.

 

E ainda há quem ache que Portugal é um exemplo a seguir.

 

Pobre mundo civilizado, se seguisse o ignorante exemplo de Portugal!

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:16

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Terça-feira, 30 de Julho de 2019

«Admirável Língua Nova (Parte XI)»

 

«Uma das poucas certezas que podemos ter na vida: quanto mais fontes acordizadas consultamos para saber a nova ortografia, mais confusos ficamos.» (Manuel Matos Monteiro)

 

Um admirável texto de Manuel Matos Monteiro que prova por A+B que o acordo ortográfico de 1990 não tem qualquer possibilidade de ter futuro, no Planeta Terra, a não ser num caixotinho de lixo em cima de um foguete que o atire para o espaço. Pode ser que lá, nesse espaço, encontre uns seres mais compatíveis com o não-ser que este malparido AO90 representa.

É que no Planeta Terra, apenas uns poucos alienígenas sofrem da incapacidade de pensar uma Língua como a Portuguesa, que pertence à grande Família Linguística Indo-Europeia, e não a um parente afastado, sul-americano.

 

E não, como já li, o Português Europeu não é uma variante europeia da Língua Portuguesa. É a própria Língua Portuguesa, a original. Variantes são os outros modos de falar e escrever o Português, nos restantes países ditos lusófonos. e que devem continuar variantes, porque essa variedade só enriquece o Português. O AO90 empobrece-a, esfarrapa-a até ao tutano.

 

Manel.jpg

 

Texto de Manuel Matos Monteiro

 

«Imagine que há um novo artefacto. Imagine que o Estado decreta que tal artefacto tem de ser usado nas escolas e nos organismos públicos, substituindo um artefacto anterior. Imagine que tal artefacto desata a provocar inúmeros acidentes diários. Imagine que, ao cabo de um decénio, não há melhorias. Imagine ainda que os manuais de instruções sobre o artefacto divergem quanto à interpretação do manual de instruções do próprio artefacto. Passa a haver dois grupos: os que dizem que tal engenhoca se revelou uma catástrofe por ser uma péssima ferramenta e os que defendem que os problemas com a engenhoca se devem apenas à má utilização.

 

Eis a situação em que estamos. O artefacto chama-se “Acordo Ortográfico de 1990”. António Guerreiro chamou-lhe “uma máquina de fomentar erros, de criar aberrações e instaurar o caos ortográfico”. Nuno Pacheco afirmou recentemente na Feira do Livro: “O Acordo [Ortográfico de 1990] não é uma coisa com erros — é um erro com coisas.”

 

Há pouco tempo, uma pessoa que trabalha com traduções técnicas contou-me que um cliente alemão questionou a empresa portuguesa: porque têm aqui na memória de palavras as mesmas palavras escritas de duas formas? Como explicar ao alemão que houve um instrumento criado para aumentar “o prestígio internacional” da nossa língua, tornando-a, porém, mais diferente das demais, e cuja aplicação diária continua a criar dificuldades, hipercorrecções, que os dicionários divergem quanto à aplicação desse instrumento e que os tradutores podem consultar diferentes dicionários, que há palavras agora de dupla grafia que podemos escrever em função de pronunciarmos… ou não? Como explicar-lhe que “descaracterizámos” pode ser escrito de quatro formas? — Com acento ou sem ele, com cê antes do tê ou sem ele.

 

Do Priberam:

 

conceptualmente / adv.
derivação de conceptual

 

con·cep·tu·al·men·te /èpt/ou /èt/
(conceptual + -mente)
advérbio
De modo conceptual.
• Grafia alterada pelo Acordo Ortográfico de 1990: concetualmente.

 

con·cep·tu·al /èpt/ ou /èt/
adjectivo de dois géneros
1. Onde se efectua a concepção.
2. Da concepção ou a ela relativo.
3. Relativo a conceito (ex.: mudança conceptual). = CONCEITUAL
• Dupla grafia pelo Acordo Ortográfico de 1990: concetual.

 

"conceptualmente", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013 [consultado em 29-07-2019].

 

Porque tem “conceptual” dupla grafia e “concetualmente” [sic] não?!

 

Os dicionários, os manuais e os prontuários acordizados não se entendem quanto aos cês e pês que permanecem, desaparecem ou são facultativos (dupla grafia). (Entre muitos outros: “lacticínio”, “láctico”, “conectar”, “asséptico”, “séptico”, “espectro”, “estupefacção”, “tactear”, “táctica”, “tacto”, “apocalíptico”, “perfeccionismo” “veredicto”, “característica”, “espectador”, “telespectador”.) De igual modo, não se entendem quanto às locuções que perdem ou não os hífenes. Quanto à própria acentuação e uso da maiúscula, também há divergências na bibliografia explicativa do Acordo. (Se quiserem nomes e fontes, aqui estarei.) Uma das poucas certezas que podemos ter na vida: quanto mais fontes acordizadas consultamos para saber a nova ortografia, mais confusos ficamos.

 

Independentemente da bondade dos propósitos do artefacto (palavra que vai aparecendo sem o cê, como registam os Tradutores contra o Acordo Ortográfico), há factos (outra palavra que vai aparecendo constantemente mutilada) estrepitosos: prontuários, manuais e dicionários da mesma editora conseguem divergir quanto aos cês e pês em não poucas palavras, e quanto aos hífenes nas locuções. Dicionários da mesma editora conseguem divergir de ano para ano, em sucessivas actualizações. Em se tratando de dicionários de português e dicionários de português-inglês/inglês-português da mesma editora, também há diferenças na forma como aplicam o Acordo. No âmbito dos dicionários digitais, as divergências são inúmeras e há reformas ortográficas mensais – tira o cê, põe o cê, tira o pê, põe o pê.

 

O programa Bom Português ensina-nos, a propósito da palavra “acupunctura”, que se mantém ou se elimina o cê conforme se pronuncia ou não a consoante. O (excelente) Novo Prontuário Ortográfico, de José M. de Castro Pinto, só regista, porém, com cê. Que fazer? Deveremos seguir a recomendação do livro sobre o Acordo que o Expresso divulgou? Cada escrevente deverá, pois, optar pela grafia que lhe parecer mais correta.

 

Serão todos os que colaboraram na feitura de tais fontes ignaros e preguiçosos, por não conseguirem capsular a “pronúncia culta”? Ou será tudo isto apenas o corolário de não se poder erigir ortografia (a grafia correcta) escorada no critério mais escorregadio, nada científico e nada prático: o critério da pronúncia, um elemento superlativamente flutuante e indomável no espaço e no tempo, e até de indivíduo para indivíduo? Qualquer pessoa que tenha estudado ou reflectido sobre a língua saberá que a ortoépia (a pronúncia correcta) é um código muito mais difícil de definir e domar do que a ortografia (a grafia correcta). O critério da pronúncia, note-se, não foi apenas decretado para extirpar cês e pês: “É facultativo assinalar com acento agudo as formas verbais de pretérito perfeito do indicativo, do tipo amámos, louvámos, para as distinguir das correspondentes formas do presente do indicativo (amamos, louvamos), já que o timbre da vogal tónica/tônica é aberto naquele caso em certas variantes do português.”

 

O mais irónico é que, com o instrumento anterior, o registo das consoantes mudas era algo perfeitamente estável, quer na lexicografia, quer na escrita do dia-a-dia (a propósito: “dia-a-dia” com o significado de “quotidiano” — o Houaiss e a Imprensa Nacional-Casa da Moeda continuam a grafá-la com hífenes, mas a maior parte das outras fontes tirou-lhe os hífenes). Alguém vira escrito “actor”, “directo”, “óptimo” sem cê e pê? Se era tão difícil aprender tais ortografias, como jura a Nota Explicativa do Acordo, por que raio nunca ninguém viu ou falou de tais erros? Como é que um instrumento que veio para simplificar e unificar só criou confusões e divisões?

 

Quanto aos hífenes nas locuções, como seria possível aplicar, sem arbitrariedade, uma “regra” que decreta que “não se emprega em geral o hífen, salvo nas exceções já consagradas pelo uso”? Como é que alguém enfia “fim-de-semana” no saco “em geral”, tirando-lhe os hífenes”, e “pé-de-meia” ou “arco-da-velha” “nas exce[p]ções já consagradas pelo uso”? Eis um segredo que desde 1990 ninguém se atreve a desvelar. Como é alguém pode ensinar, aprender, definir a lista das que cabem no grupo “em geral”? Tal como o critério da pronúncia para fixar ortografia redundou na salgalhada “o dicionário A diz estar certo o que o dicionário B diz estar errado”, também a ideia de “em geral” se eliminarem os hífenes redundou noutro caos.

 

Diz-nos a Infopédia:

 

pé de atleta ou pé-de-atleta?
Com o Acordo Ortográfico, a palavra pé de atleta escreve-se com ou sem hífenes?
A forma correta é pé de atleta.


O Acordo Ortográfico elimina o hífen da maioria das locuções.

 

E como distinguir a maioria da minoria? Explicá-lo é impossível. Resta assobiar para o lado, afirmar que nada é perfeito, dizer que há muitos erros além da ortografia, invocar uma frase tão útil como oca, que dá para legitimar tudo, mas que nada diz: “A língua evolui.” É este o estádio indigente de argumentação a que os acordistas chegaram.

 

Dizem-nos que grave, grave é as pessoas errarem quanto ao i/e, j/g, o/u, s/z, ch/x, mas isso é atirar poeira para os olhos, porque o Acordo não mexeu nisso. Quem errava antes erra igualmente agora. Demais, o ubíquo erro do há/à continua como dantes. Porque não tiraram o h do início das palavras, dado que não se pronuncia? Por razões etimológicas, claro, afirmam seriamente os acordistas. Mas a pronúncia aqui não se sobrepôs à etimologia? Porquê? Tão incoerente como manter o acento em “pôr” para se distinguir de “por”, mas tirá-lo de “pára” que fica tal qual “para” (um par que apresenta uma elevadíssima frequência textual).

 

Verificámos até agora como a lexicografia aplicou o Acordo, demonstrando que não há sequer unificação na forma como o Acordo é interpretado. Sucede ainda que, todos os dias, escritores, tradutores, jornalistas, políticos, escreventes que tentam seguir o Acordo só o seguem às fatias, misturando-o SEMPRE com o anterior, e tropeçando sempre em hipercorrecções: antes, não havia patos de estabilidade, patos com o Diabo (Caim, de Saramago) nem patos com Satanás (pobre Camilo, o que te fizeram), nem milhões de “contatos”, nem “fatos consumados” nem “uniões de fato” (olá, Diário da República). Um debate sobre o Acordo Ortográfico, organizado pela editora Objectiva, é anunciado pela Feira do Livro como sendo organizado pela editora “Objetiva”. Que melhor exemplo para exibir o caos em que vivemos? Caos esse que vai mutilando palavras, apresentando coisas inauditas: “abruto”, “inteletuais”, “núcias”, “mição”, “helicótero”. A lista é interminável e abarca preeminentes figuras, publicações e instituições.

 

Quando Baptista-Bastos morreu, a RTP produziu o título: “Morreu Batista Bastos aos 83 anos”. Sem pê e sem hífen. Consulte-se a página dos Tradutores contra o Acordo Ortográfico, o sítio Aventar, entre outros, e veja-se uma colecção que nos diz: a ortografia caminha para ser um objecto museológico. Algo ainda facilmente observável: por que razão quem resiste ao Acordo praticamente não erra naquilo em que o Acordo mexeu, enquanto quem o adoptou escreve uma mistela dos dois Acordos com um terceiro inexistente que o novo fomenta? O incansável professor João Esperança Barroca envia regularmente (por vezes, quatro, cinco mensagens de correio electrónico diárias) a um conjunto de pessoas (obrigado por me incluir, caso esteja a ler) exemplos quase diários de como o Acordo não é seguido por quem apregoa tê-lo adoptado: não há órgão de comunicação social que escape.

 

No artigo científico “Sobre as origens estruturais do português brasileiro: crioulização ou mudança natural?”, de Maria Pereira Scherre e Anthony J. Naro, leio a seguinte definição da conhecida Navalha de Occam: entre duas ou mais teorias com as mesmas consequências empíricas, deve preferir-se a que for menos elaborada ou mais simples. A pergunta é simples: é o artefacto que é mau ou são os jornalistas, tradutores, revisores, escreventes, lexicógrafos todos incompetentes e ignorantes? Creio que qualquer um concordará que a teoria mais mais simples seja: o Acordo é mau (e como a palavra peca por escassa..).

 

Se o acento do “pára” era desnecessário porquanto aferível pelo contexto, por que razão quem adopta o Acordo sente necessidade de o usar para desfazer ambiguidades? Títulos respigados pelo sítio Aventar: “Maquinista para comboio para salvar cão acorrentado à linha ferroviária” ou “Maquinista pára comboio para salvar cão acorrentado à linha ferroviária”?, “Vida nova para Casillas no FC Porto” ou “Vida nova pára Casillas no FC Porto”?, “Tribunal para despejos num dia em que uma morte trava uma vitória” ou “Tribunal pára despejos num dia em que uma morte trava uma vitória”?, “Uma legislatura perdida para a Educação” ou “Uma legislatura perdida pára a Educação”?, “Salvio para a história” ou “Salvio pára a história”?, “Mourinho para Portugal” ou “Mourinho pára Portugal”? 

 

Ainda recentemente, como demonstraram os Tradutores contra o Acordo Ortográfico, o ex-Presidente da República Jorge Sampaio, um homem culto, escreveu neste jornal um artigo — metade em português, metade em acordês. Porque insistem se falham sempre? Jornalistas, escritores, tradutores, universidades, reitores que acreditam ter adoptado o Acordo demonstram-nos, todos os dias (rigorosamente, todos os dias), a dificuldade que é aplicá-lo, misturando regras dos dois Acordos e fabricando uma caterva de hipercorrecções. A situação é ainda mais estrepitosa quanto aos políticos (incluindo os que o assinaram e os que não admitem sequer discuti-lo) — quando ensaiam a “nova ortografia”, exibem despudoradamente a omnipresente diferença entre proclamar que se segue o Acordo e segui-lo, além de mostrarem a sua infinita ignorância sobre o assunto cada vez que falam sobre ele. Citando Pacheco Pereira neste jornal: “Este é um dos casos em que fico populista e atiro em cima ‘deles’, os políticos.”

 

Mais ainda: porque começaram a aparecer fator issues, eletronic music sem cê?, meses escritos em inglês com minúscula? Porque só depois do Acordo apareceu isto? Porque nunca vira antes de o Acordo estar em vigor, enquanto revisor, escritores que usassem palavras das línguas mais faladas do mundo, do inglês, do espanhol, do francês, com pês e cês decepados que tais línguas preservaram? Porque só as encontrei pós-Acordo? Coitadas das crianças que aprendem a decepar consoantes que terão de aprender nas outras línguas…

 

Se temos uma ferida purulenta, pergunta Chomsky a propósito dos discursos de ódio, devemos ignorá-la, esperando que se resolva, ou olhar para ela e tentar perceber as suas causas para que as possamos extirpar? Podemos continuar todos os dias a dizer, como fazem os ditadores: o modelo é bom; se não funciona, é porque o povo é estúpido. Ou podemos ter a coragem de reverter um crime de leso-idioma.

 

(Continua.)

Autor, jornalista, formador e revisor

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2019/07/29/culturaipsilon/opiniao/admiravel-lingua-nova-parte-xi-1881642?fbclid=IwAR2nEF8SpAWhkMEmVRjHftcQ9477IvsYZh9Ub6ihkaPciCljRSE86boGbH4

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:54

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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018

«És contra o novo Acordo Ortográfico?»

 

Então lê e luta contra a destruição da Língua Portuguesa.

Tinha o texto, que abaixo transcrevo, entre muitos outros textos que me vão chegando. Desconheço o seu autor. Se, por acaso, quem o escreveu vier até ao Blogue, agradeço que reclame a autoria.

Trata-se de um texto que reduz o AO90, os acordistas e os seus apoiantes, a ZEROS.

Muito bom.

 

NEGADA.jpg

 

«A LÍNGUA MATERNA AGRADECE!

 

Para quem acha que o Acordo é bom, ficam aqui algumas razões:

 

  1. É apenas o 1º de mais acordos que se seguirão, já se diz até que este será insignificante. Se prosseguir, outros virão. O que virá nos próximos? Se falam e escrevem "tu quer" e nós “tu queres”, um dia falaremos igual. Entre outras coisas lol.

 

  1. O "C" de Directo serve para algo. Para os Brasileiros é mudo. Eles acentuam todas as sílabas como os Espanhóis.

Nós não precisamos de ter o "C" para nos dizer que "directo" é lido como "diréto", senão seria como coreto ("corêto"), cloreto ("clorêto"), luneta ("lunêta"), não dizemos "lunéta" nem "cloréto" nem "coréto" não é? Vamos ler "direto" como? "dirêto"?

Enfim, o "C" serve para algo cá, no Brasil não, mas cá serve.

Ou sem o “P” em Baptismo ficar “bâtismo” como “batida” já que é o “P” que abre a vogal? Será melhor em vez desta regra do “C” e “P” dizermos antes às crianças e estrangeiros que têm de decorar uma lista de centenas de palavras de excepção onde se deve ler “Á” sem ter o “P” ou “C”, etc, ou mais fácil ensinar a regra do “P” e “C”?

 

  1. Vai ser bonito falarmos Egipto com o P e lermos Egito sem o P. Como as crianças aprendem o que é Egipto na escola e não em casa (não andamos a falar no Egipto a crianças de 3 ou 4 anos), irão aprender a falá-lo e escrever como "Egito" sem "P", mesmo que os pais falem com "P" (eu falo o “P” em Egipto, por acaso). Prova de que a escrita alterará a fonética. Depois as criancinhas ao escrever Egipto sem o “p”, irão adivinhar que o habitante local é Egípcio e não Egício ou Egício.

 

  1. Vamos ensinar um Inglês como? Dizer-lhe «olhe, você aqui lê EGITO mas NESTE CASO específico, fale "EGIPTO" finja que existe lá um "P" imaginário, finja que é como o "EGYPT" do seu país, mas escreva só "EGITO" não tente perceber, o Português é assim! E olhe há egípcios, egiptólogos, tudo tem P, mas em Egipto é EGITO, sem "P"!» - É isto que vamos dizer ao ensinar Português? Obrigá-los a decorar palavras de “excepção à regra”?

 

  1. E que mal tem "pêlo" ter o acento? É mais bonito escrever: "agarrar o cão pelo pelo"?...

 

  1. Não há qualquer desvantagem em existir Português-PT e o dialecto-BR, como há Inglês diferente em UK e USA (doughnut e donut), como com o Espanhol onde "coche" na Espanha será "carro" na América do Sul, etc. Cá só há desvantagens e custos com o Acordo. Seremos os únicos ex-colonizadores a escrever e falar como a colónia (por algum motivo obscuro). Não nos entendemos assim? Só pouparíamos dinheiro e neurónios.

 

  1. Peçam a um Brasileiro para dizer "Peniche".

Ao falar, notem a palavra que sai, ao tentarem imitar. O Português - PT tem muito mais riqueza fonética e linguística do que o dialecto - BR.

Aprendemos facilmente o dialecto - BR e eles não aprendem facilmente o Português – PT, falta-lhes a prática no range maior de sons da língua portuguesa. Há quem diga que somos os melhores a aprender línguas e sotaques no mundo devido à riqueza da nossa língua.

Vamos aproximar-nos do dialecto - BR porquê?

 

  1. Corretora Oanda, movimenta triliões, é a maior corretora cambial do mundo, traduziu os seus manuais para Português -PT. Isso mesmo, nada de Acordo, nada de dialecto -BR.

Português-PT.

Vamos nós andar a alterar o Português e mostrar-lhes que afinal fizeram a escolha errada? Entre muitas outras empresas.

 

  1. Querem que os livros escolares de 2012/13 sejam já com o novo acordo. As crianças serão ensinadas neste primeiro passo a ler e escrever de forma diferente.

Será assim opcional a mudança como nos querem fazer querer.

A mudança é obrigatória, é imposta nas escolas, já está nos media, etc.

Não podemos escolher continuar como estamos porque daqui a uns anos será mesmo errado.

Os Brasileiros cortam "C" e "P" e podem ler da mesma forma, nós não! Esqueçam a dupla grafia.

O que fazer com a palavra recepção.

Se o “p” desaparece fica receção. O que fazer depois com a palavra recessão, que tem outro significado e que se lê exactamente da mesma forma.

 

  1. O que é que o povo mandou? Inquéritos em que 65% das pessoas rejeitaram o acordo, umas 30% não sabem o que é, e o resto diz que sim? E que salvo erro umas 28 em 30 universidades e editoras consultadas disseram que não? Além de muitos linguistas? Porque é que é aprovado o acordo contra a vontade do próprio povo? Mesmo uma petição com 120.000 assinaturas foi apresentada a 50 deputados dos quais 49 faltaram e uma apareceu e ignorou. Para ir mesmo à Assembleia, só com uma ILC!

 

  1. Os Portugueses devem estar mesmo no fundo. A falar do glorioso povo do passado e ninguém quer saber da língua. Os Espanhóis nunca aceitariam um acordo destes para os obrigar a falar como os Argentinos! Os Bascos, são apenas uns 100.000 ou 200.000 a falar Basco, nunca desistiram até ao fim e agora têm até a língua Basca como oficial no seu pequeno "país". Só o Português é que deixa andar e desleixa a língua e deixa que outros façam o que querem dela...

 

  1. Estamos nós a defender letras como "C" em Directo que realmente são úteis, têm a sua função, e lá fora há línguas que mantêm letras que dizem ser desnecessárias, como "Dupond" ou "Dupont" em Francês o T permanece só porque não é lido, vamos suprimi-lo ? Apagar porquê? É difícil perceber para que servem e por isso cortamos? Agora um espectador passou a espetador = aquele espéta o quê?

 

  1. Há mais falantes nativos de Inglês mais Espanhol juntos (Espanhol mais ainda que Inglês), que passam de um bilião de nativos, e mais de 2 biliões de falantes não nativos das mesmas, do que os 200 milhões de Brasileiros. Estarmos a afastar a língua de 2 biliões de pessoas para ficarmos mais próximos do Brasil é disparate.

Mais uma vez, para facilitar a vida aos Brasileiros, vamos dificultar a vida a quem quer aprender Português lá fora e tornar a língua portuguesa mais obsoleta.

Vejam: "Actor" aqui, "Actor" no Latim, "Acteur" no Francês, "Actor" no Espanhol, "Actor" no Inglês, "Akteur" no Alemão, tudo com o "C" ou "K", e depois vêm os Brasileiros com o seu novo: "Ator" (devem ser Influências dos milhões de Italianos que foram para o Brasil e falam "attore").

Algumas outras: Factor, Reactor, Sector, Protector, Selecção, Exacto, Baptismo, Excepção, Óptimo, Excepto, Recepção etc, "P", "C", etc. Estamos a fugir das origens, do mundo, para ir atrás dos Brasileiros.

 

  1. Alguém quis saber do resto das colónias que não falam da mesma forma que os Brasileiros? Só o Brasil é que interessou o Acordo (Portugal foi o único que cedeu).

Tenho amigos Angolanos que dizem falar como o Português - PT e nunca quiseram o dialecto-BR nem o Acordo, não foram consultados! O Brasil quer tornar-se dono da língua portuguesa porque pertence ao G20!?

 

  1. O Galego -Português da Galiza, o da variante da AGLP, é mais parecido com o Português de Portugal neste momento que o próprio dialecto -BR. Os Brasileiros têm alterado a língua sem se preocupar com o resto do mundo, porque é que temos de ser nós a pagar pelos seus erros e prepotência?

 

  1. Sempre odiei instalar um software e ver que vem tudo em Português do Acordo, e fóruns também, em que uma votação é uma "ENQUETE" (sei lá como foram inventar isto), em que um utilizador é um usuário, em que "apagar" é "DELETAR" (do "Delete" Inglês, por incrível que pareça nos seus dicionários), ou Printar, ou etc. Por vezes sou obrigado a utilizar softwares em Inglês para aguentar... Como haverá agora Português-PT e o dialecto -BR ao gosto de cada um, se só existirá um "Português"? Eu quero sites e softwares que entenda e na minha língua e isso SÓ É POSSÍVEL mantendo o português-PT e o dialecto-BR separados! Senão será tudo misturado para sempre! E depois lá vamos nós "enquetar" (votar) e coisas assim (enquetes = votações)...

 

  1. A prova do ponto 16, é que o próprio Google Translator já só tem o "Português" e tudo o que escreverem ficará no dialecto-BR, e até "facto" que ainda não mudará já aparece lá como "fato", é bom que nos habituemos pois será o que virá nos próximos acordos, bem como "oje", "abitação", aja, aver = existir etc.

 

  1. No Brasil mesmo não sofrendo as alterações que temos, há milhões contra o acordo também por coisas insignificantes como a supressão do "trema"!!! Vejam na net!! Nós com alterações brutais, muito contentes sem fazer nada!!!

 

  1. Existirão sempre pseudo-intelectuais em todas as línguas que irão dar a vida pelo acordo (sem querer ofender ninguém), achando que é o ideal, e que salvará o país e que dará emprego ao país, e até que sem isto a Língua Portuguesa morre e haverá uma língua "Brasileira".

A variante dialectos-BR nunca poderia ser uma língua independente como "Brasileiro" só pelas alterações que fazem, não há esse perigo, teria de ser radicalmente mudada (nunca acontecerá) de propósito para o efeito. Não inventemos.

A variante dialecto-BR nunca poderia ser considerada outra língua.

E não deixem que pseudo-intelectuais nos tratem como burros só porque defendemos a língua.

São chicos espertos, pessoal de manias ou megalomanias para a defesa do acordo (existirão também pessoas decentes a defendê-lo é certo).

 

  1. Nada impede que haja uma espécie de concordância mais simples em que digam apenas que incluímos palavras deles e nossas num dicionário universal mas SEM IMPOR regras a ninguém. No futuro cada um dos países só alterará a SUA PRÓPRIA variante com acordo dos outros, sem impingir aos outros essas mudanças, apenas para evitar que as mudanças no Brasil possam ir ainda mais longe e arruinar ainda mais o Português das restantes colónias. Nada impede isso.

 

  1. Com o Português unido, como ficará a bandeira oficial? Já se vê por todo o lado a bandeira do Brasil no Português, mas se tivesse Brasil para o dialecto-BR e a Portuguesa para Português-PT, ainda era aceitável, apesar de sabermos que só há uma bandeira oficial que é a Portuguesa, mas é difícil impedir o patriotismo Brasileiro, com tudo unido, haverá a tendência das empresas adoptarem a bandeira do país que tem mais população, o Brasil. Então as variantes da língua?

 

  1. Cada vez que me lembro que lá se escreve "mais" em vez de "mas" porque falam no fundo "mais" com o sotaque têm a tendência de passar para a escrita a forma como falam.

Em futuros acordos seremos obrigados a escrever também: "eu fui lá MAIS não vi ninguém".

Há a tendência de se escrever como se fala.

“Presidenta” está nos dicionários, só falta transformar o “Presidente” em “Presidento”, era só o que faltava...

 

Há muito tempo que o Brasil anda a adulterar a língua sem ninguém intervir, e agora ALTERAM A NOSSA!

 

  1. EXISTEM FORMAS DE TRAVAR ESTE ACORDO!

Petições ou clicarmos num LIKE no Facebook não fazem nada. Há uma ILC em movimento que será entregue em breve, prazo final para impedir esta desgraça.

Porque temos de imprimir um miserável papel e enviá-lo, porque é para a Assembleia, mas quem é que diz ser contra e fica sem agir?

 

Se 20 pessoas assinarem, fica a 2 cêntimos cada o envio dessas assinaturas por correio. É só colocar num marco de correio! Houve uma ILC antes, e entrou na Assembleia, e anulou uma lei de Arquitectura.

As ILC's podem ter esse poder. É uma forma do POVO LEGISLAR. Do povo criar leis, e acabar com leis. O Governo fez isto sem apoio de ninguém e nós podemos tentar fazer algo para corrigir. Quem é o Governo para legislar sobre a língua, sem apoio dos letrados e da ciência e academia de letras, ilegitimamente?

 

  1. Há mil outras razões para dizer não ao acordo, mas... para quê? Estas não chegam?

 

  1. Para terminar fica uma frase de Edmund Burke: "Tudo o que é necessário fazer para que o mal triunfe, é que os homens bons nada façam." Neste caso, tudo o que é necessário fazer para que o Acordo triunfe, é que NÓS continuemos à sombra da bananeira, a deixar o tempo passar. Porque o Acordo foi aprovado e se ninguém lutar contra ele, já cá anda. A RTP está a dar um triste espectáculo, faz disso a sua Bandeira.»

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:15

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Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018

“DIRÊTO”, “DIRÊTA” OU “INDIRÉTA”?

 

Dirêto e dirêta (transcrição fonética de direto e direta) está grafado à brasileira.

 

Indiréta (transcrição fonética de indireCta) está grafado à portuguesa, como convém e é de direito e de facto.

 

A RTP prefere adoPtar o mixordês, nova forma de grafar em Portugal, misturando as duas grafias: a brasileira e a portuguesa.

 

DIRÊTA.jpg

 

E a CMTV escreve à moda de quê? Da ignorância.

 

INDMNIZAÇÃO.jpg

 

Em que ficamos?

 

Não é urgente mandar às malvas o AO90, para que os órgãos de comunicação social e os Portugueses, em geral, e os políticos e os governantes, comecem a escrever correCtamente a nossa Língua Oficial, a Portuguesa?

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:07

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Domingo, 23 de Setembro de 2018

QUANDO “TERAM” OS GOVERNANTES PORTUGUESES A CORAGEM POLÍTICA PARA ACABAR COM A TRAGÉDIA ORTOGRÁFICA QUE SE ABATEU SOBRE PORTUGAL?

 

Isto poderá nada ter a ver com o AO90.

Mas já bastava a tragédia do AO90.

É que tudo isto está a ultrapassar a razoabilidade.

 

Não é uma vergonha, que aCtualmente, em Portugal (isto nunca foi assim antes do AO90 se instalar), a RTP, SIC, TVI e CMTV apresentem constantemente legendas escritas de um modo inacreditavelmente incorreCto?

 

Que geração de escreventes será esta?

A formada no AO90, que pugna pelo escreve como falas porque é muito mais fácil e não é preciso ter canudos ou pensar, basta ser analfabeto escolarizado?

 

Por cada erro ortográfico, acordizado ou não, estes canais de televisão portugueses deviam pagar um imposto avultado. Portugal extinguiria os 209,5 mil milhões de euros da dívida externa num piscar de olhos.

 

TERAM.png

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:36

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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

«OS MEADOS DO MÊS NÃO SÃO OS MIADOS DO GATO»

 

Mais um excelente contributo de Nuno Pacheco, redactor-principal do Jornal Público, para a causa da Língua Portuguesa.

 

E como faz bem à alma ler um texto escorreito e em Bom Português!

 

Por isso, não baixaremos os braços. Não desistiremos até que a lucidez triunfe, e o obscurantismo seja derrotado.

 

NUNO PACHECO.jpg

Nuno Pacheco

20 de Setembro de 2018, 7:30

 

Texto de Nuno Pacheco

 

«Bastam três, num assunto que diz respeito a oito? Não, não bastam. E esta Iniciativa Legislativa de Cidadãos di-lo de forma clara.

 

Começou esta semana mais um ano lectivo sem que se tenha alterado uma vírgula nesse monumento à incompetência que é o acordo ortográfico de 1990 (AO90). Promessas de rectificações ou melhoramentos ficaram no limbo, a comissão parlamentar que andou a seguir o assunto ainda não apresentou o relatório final (e seria bom que o fizesse com a necessidade rapidez) e, apesar dos muitos erros detectados, registados, reconhecidos mas ainda assim repetidos de forma indecorosa em milhares de textos, tudo continua na mesma. Sem qualquer proveito, pelo contrário: com o incalculável prejuízo de estar a ser ensinado nas escolas um Português ortograficamente trapalhão e pobre a pretexto de uma simplificação que, para ser coerente com os seus princípios (o primado da fonética, o “escreve-se como se fala”, etc), teria de deformar a grafia a tal ponto que tornaria irreconhecíveis os milhões de textos até agora escritos nos mais variados suportes. A bem de quê? De nada, apenas da preguiça e da ignorância.

 

Ainda há dias um jornal titulava assim: “Bolsonaro segue sem sinais de infecção.” Um jornal português que não segue o acordo? Não, um jornal brasileiro, O Globo, no dia 10 de Setembro. Em Portugal, para “unificar” a grafia, passou a escrever-se “infeção”, quando antes escrevíamos como no Brasil, “infecção”. Casos destes há tantos que já cansa falar deles. Outro exemplo: há dias, no programa “Bom Português” da RTP, perguntava-se como se escrevia certa frase. “A polícia usou gás lacrimogéneo” ou “A polícia usou gás lacrimogénio”? Está correcta a primeira, como ali se concluiu e bem. No entanto, a fonética não as distingue. Os meados do mês e os miados do gato, sendo coisas tão diferentes, soam, ditos, da mesmíssima maneira. No entanto, são escritos de modo diferente (um com e, outro com i) devido a essa coisa que para muitos é um empecilho chamada etimologia, a origem das palavras. Curiosamente, mesmo com o acordo, e falando apenas de Portugal e do Brasil, há casos onde as diferenças gráficas trocam de país consoante as palavras. Em Portugal escreve-se quotidiano e no Brasil cotidiano, mas é em Portugal que se escreve catorze e no Brasil quatorze. Não difere muito do que sucede entre os Estados Unidos e a Inglaterra em palavras como counselor (só com um L nos EUA) e counsellor (duplo L em Inglaterra) ou fulfill (duplo L nos EUA) e fulfil (apenas um L em Inglaterra). Americanos e ingleses vivem bem com isto. Até ao acordo, os portugueses e os brasileiros também viviam.

 

Bom, como nada mudou, nem sequer nos países que ratificaram o acordo, mantendo-se isolados os quatro do início (dos oito países da CPLP que negociaram o AO só metade o ratificou, faltando Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste) foi reactivada uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC-AO) com um objectivo muito simples: revogar a resolução 35/2008 da Assembleia da República que validou o segundo protocolo modificativo do AO90, o tal que “define a entrada em vigor do Acordo com o depósito dos instrumentos de ratificação por três países signatários”. Bastam três, num assunto que diz respeito a oito? Não, não bastam. E esta ILC di-lo de forma clara. A recolha de assinaturas continua, aproxima-se das 20 mil necessárias (pode ser subscrita em papel ou online, no site respectivo), e tem tido boa aceitação dos que teimam em não se conformar com este amolecimento generalizado num assunto da maior importância.

 

Por insólito que pareça, na Feira do Livro do Porto a polícia municipal obrigou dia 12 à desmontagem da pequena banca da ILC, dizendo que o espaço onde estava (a Avenida das Tílias, nos Jardins do Palácio de Cristal) era um “espaço privado! Isto é” descrito com pormenor no site da ILC , mas é muito estranho que um banco de jardim, num espaço público da cidade do Porto e a alguma distância da feira propriamente dita, possa ser considerado interdito à recolha de assinaturas (com banca) para quaisquer iniciativas de cidadãos. Aliás, a lei que as regula (17/2003, de 4 de Junho) é clara, no seu artigo 5.º: “O exercício do direito de iniciativa é livre e gratuito, não podendo ser dificultada ou impedida, por qualquer entidade pública ou privada, a recolha de assinaturas e os demais actos necessários para a sua efectivação”. Por isso a recolha de assinaturas ali continuou, dizem os seus promotores, sem banca mas com o maior empenho. Que haja muitas!»

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2018/09/20/culturaipsilon/opiniao/os-meados-do-mes-nao-sao-os-miados-do-gato-1844499

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:03

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Terça-feira, 12 de Junho de 2018

IMPOSIÇÃO ORTOGRÁFICA OU OFUSCAMENTO DOS PIROSOS?

 

«Ao procurar o calendário dos jogos da Selecção encontrei uma página da RTP, que me levou a crer estar a ler uma página da Globo, não fosse ter notado que a Polónia estava de acordo com os critérios da grafia portuguesa.

Ver Coréia, Irã e Egito (que se pronuncia Egipto) assim escritos, levou-me à triste conclusão de que se tudo assim continuar, a Imposição Ortográfica será total, aniquilando a ortografia portuguesa do séc. XX😥 😡 (João M. Félix Galizes‎)

 

Pois é óbvio que estamos a ser colonizados, e os parvos não se apercebem disso, ou se se apercebem, estão-se nas tintas, porque acham que o que é estrangeiro é que é giro e moderno. E a isto chama-se "ofuscamento dos pirosos", uma pestilência que atacou os políticos, alastrando-se pelos órgãos estatais, incluindo os da comunicação social, servos do Poder, e os subservientes de serviço. Uma autêntica calamidade pública. (Isabel A. Ferreira)

Fonte:

https://www.rtp.pt/noticias/desporto/mundial-2018-conheca-os-grupos-e-o-calendario-do-campeonato-do-mundo_i1043890

 

PIROSICE.jpg

 

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=864319553757991&set=gm.2127652110812626&type=3&theater&ifg=1

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:46

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Quinta-feira, 8 de Março de 2018

PÉROLAS LINGUÍSTICAS NOS CANAIS DE TELEVISÃO

 

E nem tudo tem a ver com o caos gerado pelo AO90, mas com uma descomunal falta de Saber…

 

RTP, o grupo chama-se "Peste & Sida"...

 

E como estamos em Portugal, secção é seCção, até porque se lê o ; e como ainda continuamos em Portugal, arquitecto é arquiteCto, apesar de não se ler o . Porquê. Porque em Portugal a palavra arquiteto leva-nos para umas grandes tetas, no masculino, até porque no Dicionário Infopédia, teto é um sinónimo de teta: mama; órgão mamário das fêmeas de alguns mamíferos; úbere; teto. Podem ir lá consultar.

 

No Brasil, sim, escreve-se seção e arquiteto - lê-se s’ção e arquitêto - de acordo com as regras gramaticais da Língua Portuguesa.

 

PESTICIDA.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10210320908612428&set=gm.2079639865613851&type=3&theater&ifg=1

 

RTP.png

 ***

E na TVI o “desiquilíbrio” é total.

 

É que nem em Português, nem em Inglês se acerta…

O que será merchandisin? Uma gralha? Ou isto será aplicação do papa-letras AO90, em vocábulos ingleses?

 

TVI-1.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10155498349488333&set=g.1658684367709405&type=1&theater&ifg=1

 

TVI -2.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10155498349488333&set=gm.2079621838948987&type=3&theater&ifg=1

 

***

Bem… A SIC não pode dizer que chamar primeiro-ministro ao presidente da República foi gralha... Por que não foi.

 

Isto é uma imperdoável falta de tudo: de atenção, de conhecimento, de profissionalismo, uma autêntica balda…

 

MARCELO MINISTRO.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10212870085082219&set=g.1658684367709405&type=1&theater&ifg=1

 

E esta?

O teclado falhou? Quem estava a escrever estaria com os copos?

Isto é inadmissível num órgão de informação.

 

SICNOTICIAS.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10156319636239880&set=g.1658684367709405&type=1&theater&ifg=1

 

***

E na CMTV, que também aderiu à ortografia brasileira, aquele “projêto” que prevê que oscônjugues” … em que tempo verbal? 

 

CONJUGUES.jpg

Fonte da imagem

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1582971198404733&set=g.1658684367709405&type=1&theater&ifg=1

 

***

E não só de brasileirices os nossos canais estão cheios, mas também de um desconhecimento (ou será desleixo?) da Gramática.

 

CMTV.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10155394852153472&set=g.1658684367709405&type=1&theater&ifg=1

 

***

Isto é uma pequeníssima amostra do que vai por aí...

 

Estas situações são imperdoáveis e inadmissíveis em qualquer circunstância, mas muito menos em canais de televisão, os maiores difusores da cultura ou da incultura, conforme o caso.

 

Nos tempos que correm, a difusão está mais para a incultura linguística, uma autêntica calamidade, no nosso país.

 

Todos os órgãos de comunicação, já contactados a este respeito da vergonhosa aplicação do AO90, dizem-nos isto, à laia de treta de cassete: o Vocabulário Ortográfico do Português (VOP) foi tornado oficial em 2010 e obrigatório em todos os organismos do Estado.

 

Ora, concluímos então que todos os jornais, revistas e canais de televisão que adoPtaram a ortografia brasileira são organismos do Estado. Certo?

 

Só os organismos do Estado, em princípio, deveriam seguir, apenas por obediência cega e acrítica ao Poder, esse tal VOP, mais VOB (Vocabulário Ortográfico do Brasileiro) do que VOP, porque não existe lei alguma que os obrigue (e muitos são os que desobedeceram) a escrever à moda brasileira.

 

Isto foi o que sempre desconfiámos: os órgãos de comunicação social são manipulados pelo Estado. Mas são os próprios que confirmam ser organismos do Estado…  Ou não?

 

Haja ao menos profissionalismo e brio profissional.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:04

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Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2018

A LÍNGUA DOS PAPA-LETRAS!

 

E é “ADÔTO”, “ADUÇÃO”, “CUÂÇÃO”, “DIRÊTO”, “DIRÊTA”EXCÊTO”, “REC’ÇÃO” (é assim que estas “coisas” se lêem), e agora mais este “ADÊTO” ….

 

Que raio de língua é esta?

 

Disseram-me que é a Língua dos Papa-Letras, uma nova linguagem que anda por aí à solta, sem eira nem beira, sem origem, sem raiz, sem pátria…

 

E quem são os Papa-Letras? São obviamente uns seres sem espinha dorsal, que andam por aí a vergar-se a tudo e a todos, sem o mínimo espírito crítico…

 

ADÊTOS.png

INCOERÊNCIA.png

Quanta incoerência! Afinal em que ficamos?

Estavam em “dirêto”, mas a discriminação era “dirêta” ou “indiréta”? Qual o critério?

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:08

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A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.

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isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 é uma fraude, ilegal e inconstitucional

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram oficialmente a não vigência do acordo numa reunião oficial e os representantes oficiais do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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