Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2020

«A herança de Malaca Casteleiro e a alucinação unificadora da ortografia»

 

«Na morte do “pai” do Acordo Ortográfico de 1990, era preferível que tivesse ficado o homem e morrido a “obra”.» (Nuno Pacheco)

Pois concordo plenamente com o Nuno Pacheco.

 

E o facto é: não os Homens, mas o Futuro e a História sempre se encarregaram de julgar os que, pelas suas acções destruidoras, deixaram um rasto ruinoso, pelo caminho que percorreram em vida.


E o Dr. João Malaca Casteleiro (logo ele, um linguista, quem diria!) fez uma escolha errada, altamente prejudicial aos interesses de Portugal e dos Portugueses, e é essa escolha que marcará negativamente o seu lugar na História, e não só o dele, como o de todos os que se envolveram e estão envolvidos, na destruição da Língua Portuguesa, através da imposição ilegal (não esquecer que o AO45 não foi revogado e é a ele que devemos “obediência”) de um “acordo ortográfico” que nunca foi acordo, além de ser uma grande fraude.

 

Fiquemos com mais um excelente contributo de Nuno Pacheco, para a História da Defesa da Língua Portuguesa, em Portugal.

 

Nuno Pacheco.jpg

 

Texto de Nuno Pacheco, publicado no Jornal Público

 

«Há casos em que é justo dizer: morre o homem, fica a obra. Mas na morte de João Malaca Casteleiro, lembrado na maioria dos obituários noticiosos como “pai” do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), era preferível que tivesse ficado o homem e morrido a “obra”. Apesar de ser difícil nutrir por ele simpatia, dado o que protagonizou, há que reconhecer-lhe a teimosa persistência num acordo que desde a génese era claramente um logro, mas que ele acabou por fazer impor.

 

Numa entrevista recente ao Observador, o linguista Fernando Venâncio (autor de Assim Nasceu Uma Língua, ed. Guerra & Paz, 2019 caracterizou deste modo tal logro: “O AO90 visava possibilitar um relatório, uma declaração, uniformes para todos os países de língua portuguesa. Visava, até, e aí já entramos no terreno da alucinação, conseguir a circulação de produtos linguísticos idênticos (traduções de literatura, legendagens, instruções de máquinas de lavar) por todas essas áreas do Planeta. Mas tenho de lhe tirar o chapéu, ao Dr. Malaca Casteleiro e seus próximos: foi com essa visão paradisíaca que convenceram os políticos.”

 

Pois agora que morreu, nem todos se apressaram a tirar-lhe o chapéu. No dia em que foi conhecida a sua morte, domingo, 9 de Fevereiro (a morte ocorrera no dia 7), a primeira notícia surgiu no Jornal de Notícias, assinada por Sérgio Almeida, seguindo-se, por esta ordem, as do Correio da Manhã, Sapo, PÚBLICO, Diário de Notícias, Observador e Expresso. O jornal i só no dia seguinte deu a notícia e apenas na edição em papel, numa breve de última página. Curiosamente, quer o Ciberdúvidas, quer o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (sítio oficial do AO90), quer a Academia das Ciências de Lisboa (esta lamentando o falecimento numa curta nota) só no dia 10 deram notícia da sua morte. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, evocou-o como “defensor da língua portuguesa” (sic), mas do Governo, ou de ex-governantes que o apoiaram, nada se ouviu. Só o silêncio. Quanto à CPLP, só no dia 11 expressou “profunda consternação e grande pesar” pelo falecimento. 

 

Há outro motivo, na história da língua portuguesa, para recordar João Malaca Casteleiro: o Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa (ACL), também este controverso. Fundada em 24 de Dezembro de 1779, no reinado de D. Maria I e em pleno iluminismo, a então Academia Real das Ciências começou a editar um dicionário da língua portuguesa em 1793, mas não passou do primeiro volume, só com a letra A, volume esse que viria a ser reeditado, “com a modernização indispensável”, 183 anos depois, em 1976. E não passaria daí até 1988, ano em que a Fundação Gulbenkian “lhe concedeu os meios indispensáveis à remuneração permanente da equipa do Dicionário”, segundo escreve no prefácio do dito (que viria a ser publicado em 2001, mas já lá vamos) o então presidente da ACL, Pina Martins, que fala ainda num “vultoso subsídio pontual” de duas outras entidades: a Secretaria de Estado da Cultura e a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Malaca Casteleiro foi indicado para coordenador e a equipa, cuja lista o livro integra, contou com 61 “colaboradores externos” que trabalharam no dicionário por “um período, em princípio, não inferior a seis meses”.

 

Enquanto isto, o que sucedia no mundo, nestes dois séculos, em matéria de dicionários do português? Publicava-se o pioneiro Vocabulário do padre Raphael Bluteau (de 1712 a 1728), o Dicionário de Morais (1789, com uma edição monumental em 1961 de 12 volumes, 12.278 páginas e 304.460 vocábulos), o de Eduardo de Faria (1853), o de Frei Domingos Vieira (1871), o Aulete (iniciado em 1881), o Michaelis (1887?), o Cândido de Figueiredo (1898), o Lello Prático Ilustrado (1927), o da Porto Editora (1952), o de José Pedro Machado (1958, com reedições em 1971 e 1981, esta com 12 volumes e um 13.º de actualização, em 1986, num total de 8063 páginas), o Vocabulário de Rebelo Gonçalves (1966), o Aurélio (1975) e o da Texto Editora (de 1995, que dedicava as suas últimas 48 páginas, num total de 1654, a dizer o que mudaria com o acordo ortográfico).

 

 O da ACL sai em 2001, e com uma chancela comercial: a da Verbo. O mesmo ano em que, no Brasil, se publicava pela primeira vez o Dicionário Houaiss. Mas enquanto este, na edição portuguesa, logo em 2002 e também pela mão de Malaca Casteleiro (que coordenou a sua adaptação à ortografia de 1945), lamentava não ter havido “ainda vontade política de levar por diante a implantação do Acordo Ortográfico celebrado em 1990”, o da ACL omitia-o por completo. Como se não existisse. Dez anos depois de o AO90 ter sido assinado em Lisboa, a ACL punha à venda um caro dicionário em dois grossos volumes com a norma de 1945 (que ainda hoje está legalmente em vigor, assinale-se!), não dedicando uma só palavra ao acordo que o seu próprio coordenador fizera questão de “vender”, com êxito, a políticos desejosos de brilhar numa qualquer ribalta da História. Isto quando dicionários como o da Texto (de 1995) já incluíam listas de palavras que seriam alteradas no novo acordo! Uma alucinação por fases, que habilidade! Só que em todas elas coube ao público, e à língua, pagar o preço do desvario.

 

P.S.: Por lapso (já corrigido, devido ao alerta de um leitor), não tinha sido referido o Vocabulário de Rebelo Gonçalves, editado em 1966.»

 

Fonte:

https://www.publico.pt/2020/02/13/culturaipsilon/opiniao/heranca-malaca-casteleiro-alucinacao-unificadora-ortografia-1903805

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:14

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Terça-feira, 14 de Março de 2017

BRASIL DOA 1.200 LIVROS A MOÇAMBIQUE

 

(O que exporei a seguir são factos e uma interpretação desses factos, que conduzem à subtil imposição da ortografia preconizada pelo AO90).

 

LIVROS.jpg

Origem da imagem: Internet

 

Esperemos que por detrás desta doação de livros não esteja a intenção de "vergar" Moçambique, no sentido de aceitar o dialecto brasileiro, como língua substitutiva da Língua Portuguesa (ainda) oficial naquele país.

 

Deixei no portal SAPO, este comentário à notícia a que se reporta o título deste texto. As regras para os comentários são claras. Entre outros itens, esclarece-se:

 

  • escreva em português correto e tenha atenção à pontuação. Frases bem feitas e uma gramática correta vão permitir que os outros o compreendam bem.

 

Não sei o que significa português corrêto e gramática corrêta, mas arrisquei e deixei lá o comentário.

 

A notícia da doação dos livros foi escrita em mixordês.

Começou bem:

 

Brasil doa 1.200 Livros para bibliotecas de escolas moçambicanas

13 de Março de 2017, 17:40

 

Mas logo descambou para uma ortografia que não é a Portuguesa.

 

«Maputo, 13 mar (Lusa) -- O Governo brasileiro doou hoje 1.200 livros de autores e conteúdo diversos a Moçambique, um acervo destinado a bibliotecas de escolas primárias e secundárias.

 

E mais adiante:

 

"Nós sabemos que precisamos de incentivar a leitura nas nossas crianças", frisou a governante, considerando com o envolvimento de todos atores vivos da sociedade é uma das principais condições para a eficácia deste plano.

 

Também o embaixador do Brasil em Moçambique, Rodrigo Soares, destacou a importância do gosto pela leitura nas camadas mais novas, manifestando a abertura do Brasil para continuar a apoiar as ações do Governo moçambicano no que respeita à Educação.»

 

A mim parece-me que estas (e outras) âções, que o Brasil está a levar a cabo em Moçambique, trazem água no bico, e os âtores deste plano participam num jogo onde a Língua Portuguesa está nitidamente na berlinda.

 

As outras acções que envolvem o Brasil e Moçambique podem ser analisadas nestes links.

Brasil doa 1.200 Livros para bibliotecas de escolas

Brasileiros restauram biblioteca escolar em Moçambique

Brasil reforça parceria e aliança cultural com Moçambique

 

Gostaria muito de interpretar estes factos de um outro modo.

 

Mas perante a inacção do governo português no que respeita à defesa da Língua Portuguesa, que despareceu do Google, prevalecendo o dialecto brasileiro, não resta outra alternativa, senão a de interpretar os factos tal como eles se apresentam.

 

O Brasil tem uma actividade fervilhante na Internet, no que respeita à divulgação do seu dialecto, oriundo do Português.

 

A actividade de Portugal, neste aspecto, é zero.

 

O dialecto brasileiro sobrepôs-se à Língua Portuguesa.

 

Deveremos culpar os Brasileiros, que lutam para impor ao mundo o seu dialecto?

 

Não. De modo algum.

 

O Brasil está a levar a água ao seu moinho, ainda que por caminhos meandrosos, e Portugal limita-se a mover a nora…

 

Isabel A. Ferreira

 

Fonte:

http://noticias.sapo.mz/lusa/artigo/22079702.html

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:51

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Terça-feira, 27 de Setembro de 2016

Este “inteleto” terá alguma coisa a ver com o AO90 ou com a anarquia ortográfica imposta por um governo “desinteletual”?

 

Sim, porque está a ver-se que estes são inteletos a modos que mutilados, logo, não estarão a funcionar nas melhores condições, andando por aí a manquelitar como coxos da Língua.

 

Não, não vou culpar o Externato Passos Manuel, o ICJP, o ICJP, a Faculdade de Psicologia de Lisboa, o Notícias ao Minuto, o ISEP ou a Assembleia Municipal das Caldas da Rainha, porque estes organismos, coitados, pelo demonstrado na imagem, não têm pessoas à altura de os dirigir, até porque não sabem que em Portugal escreve-se em Português, além de não possuírem cultura crítica para poderem discernir que nem tudo o que é imposto por inteletos mutilados e à revelia da Constituição da República Portuguesa é para cumprir.

 

INTELETO.png

Origem da imagem:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.212426635525679.35361.199515723483437/949632191805116/?type=3&theater&notif_t=notify_me_page&notif_id=1474889443568034

 

Culpo, sim, quem ainda não teve a dignidade de dizer BASTA a esta pouca vergonha ortográfica, assente na mais crassa ignorância da Língua Portuguesa e até mesmo do AO90, porque em Portugal, assim como em qualquer outro país lusófono pronuncia-se e escreve-se inteleCtual…

 

Que mal fez Portugal a esta gente, para merecer tamanho insulto?  

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:10

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A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.

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O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram oficialmente a não vigência do acordo numa reunião oficial e os representantes oficiais do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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