Quarta-feira, 27 de Outubro de 2021

«Mais um espectacular resultado do horrendo conúbio da ignorância comum e desvalida com a besta acórdica»

 

Um magnífico texto de Paulo Pereira, para ler e reflectir sobre as “interconeções” com que diariamente somos agredidos, nos media que se renderam, com veneração, à mais colossal ignorância (Isabel A. Ferreira)

 

INTERCONEÇÕES.jpg

 

Por Paulo Pereira

 

«Não, não é uma asneira vulgar, perpetrável em qualquer momento e destinada ao mero registo de asneiras. É (mais) uma bojuda tolice, impossível de ser meramente despejada por um vulgar ignorante, ANTES do Aborto Ortofágico.


Este aleijão foi concebido em dois momentos.


Primeiro, o ignorante de serviço - porque já constrangido pela caótica “regulação” do AO 90 - deixou de saber para que serve o “x”. Pelo que optou, pessoal e inseguramente, pela hipotética grafia “interconecção”.


O segundo momento decorre de o ignorante integrar uma vastíssima comunidade de utentes que, do AO 90, retêm apenas o que lhes parece serem os Mandamentos fundamentais, poucos, curtos e de aplicação universal: a extinção de consoantes acasaladas (quiçá, sem a indispensável bênção pastoral); o extermínio dos acentos, dos hífenes e - na radical simplificação que conseguem memorizar, qualquer que seja a idade e grau de escolaridade - tudo o que achem que “deve estar a mais”; etc..


Voluntários, coagidos, ou crentes de que o AO 90 foi criado e enviado por uma entidade mais ou menos transcendente - e não engendrado por um grupo de eruditos incultos; aprovado, às três pancadas, por um Parlamento que representa condignamente a vastíssima comunidade já referida; e ilegalmente declarado como coisa legal por um Governo pouco interessado nestas "culturices", porque nada pratique que se lhe assemelhe -, estes desorientados utilizadores do AO 90 são amplamente maioritários. Como os implicados nesta cadeia de actos tresloucados deveriam saber, se adicionassem alguma capacidade de perceber para que é que servia (e para quem) o mostrengo que congeminaram e apaparicaram.


Assim, no cumprimento de um dos mandamentos que interiorizou como coisa verdadeira e assim acata, o nosso ignorante de turno vai-se à sua fantasiosa grafia, que reputa de caduca, e extrai-lhe a consoante acusada de “persona non grata”.


Surge, então e enfim, a vistosa grafia “interconeções”, cujas possíveis interpretações me abstenho de investigar.


Mais um espectacular resultado do horrendo conúbio da ignorância comum e desvalida com a besta acórdica.


E assim o Serviço Público de rádio e TV, onde decorreu a minha vida profissional, que muito prezo e cuja existência é fundamental, para a Democracia e a Cultura portuguesa, incumpre a sua missão.


Certamente, o ignorante de turno nunca será alvo, com todos os outros que, diariamente, espalham estas patetices, de acções de formação adequadas, para que supere as suas incompetências.


Suspeito de que nenhum responsável terá, sequer, o cuidado de o aconselhar, de lhe chamar a atenção para as incorrecções que comete.


Claro que situações ainda mais graves se sucedem em todo o tipo de "media", o que é condenável. Mas, no Serviço Público, é absolutamente inaceitável.»

 

Fonte:  https://www.facebook.com/photo/?fbid=3043854345887935&set=gm.4729723647072971

  

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:25

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Sexta-feira, 26 de Março de 2021

Respondendo a Francisco Seixas da Costa que diz que «defender e seguir o Acordo Ortográfico integra-se na defesa do papel da Língua Portuguesa à escala internacional»

 

O Amor à Língua Portuguesa e a Verdade são as forças mais poderosas nesta questão do AO90, porque os que a ODEIAM, pugnando pela vigente Mixórdia Ortográfica Portuguesa, serão, inevitavelmente, destroçados.

 

É da defesa da Língua dos Portugueses que trata esta publicação.

 

200px-FranciscoSeixasdaCosta.jpg

Origem da imagem: https://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Seixas_da_Costa

 

Nota prévia, para contextualizar a minha resposta, à afirmação do Dr. Seixas da Costa:

 

Há uns dias, publiquei, no meu outro Blogue, um texto da autoria de Paulo de Morais, sob o título «A Partidocracia destrói a Democracia», onde este referiu Francisco Seixas da Costa como “governante do seCtor das obras públicas”, facto que levou Seixas da Costa a refutar:

 

De Francisco Seixas da Costa a 20 de Março de 2021 às 15:06

 

Governante do “setor de obras públicas”? Saí há 20 anos do cargo de Secretário de Estado dos Assuntos Europeus. “Setor de obras públicas?”

 

Responder a comentário | discussão

 

E eu respondi:

 

De Isabel A. Ferreira a 20 de Março de 2021 às 16:21

 

Dr. Francisco Seixas da Costa, não sei se reparou, mas o Dr. Paulo de Morais refere-se ao seCtor das obras públicas. SeCtor das obras públicas. Isto sabemos nós o que é e quem por lá passou.

“Setor de obras públicas?” Que coisa mais estranha...

 

***

Meteu-se mais um comentário, que não interessa para o caso, e como “anónimo” o Dr. Seixas da Costa disse o seguinte:

 

De Anónimo a 25 de Março de 2021 às 12:15

 

Uso sempre o Acordo Ortográfico. Quanto ao assunto em si, ele fica esclarecido pelos factos. Muito obrigado.

 

Responder a comentário | início da discussão | discussão

 

E eu respondi:

 

De Isabel A. Ferreira a 25 de Março de 2021 às 15:25

 

Que usa sempre o acordo ortográfico, já todos nós sabemos, ou não fosse o senhor um cidadão seguidista. O que é de lamentar, até porque está a contribuir para o empobrecimento, e pior do que isso, para o desaparecimento da Língua Portuguesa no mundo. E todos nós, desacordistas, sabemos o que está por trás do seguidismo dos seguidistas. E, obviamente, serão julgados pela História. Contudo, antes disso, o AO90 cairá de podre.

Quanto ao resto, se está esclarecido, está esclarecido.

 

***

 

Foi então que o Dr. Francisco Seixas da Costa enviou este outro comentário, que me mereceu um comentário mais alargado:

 

Francisco Seixas da Costa respondeu a um comentário no post «A Partidocracia destrói a Democracia» às 00:27, 26/03/2021 :

 

Não fica claro o que designa sobre “o que está por trás do seguidismo dos seguidistas”. Quanto à língua portuguesa, fiz muito por ela em mais de quatro décadas de serviço público. E defender e seguir o Acordo Ortográfico, que as novas gerações já usam e que vão consagrar no futuro, integra-se precisamente na defesa do papel da língua portuguesa à escala internacional.

 

***

 

Dr. Francisco Seixas da Costa, o senhor sendo quem é, sabe muito bem, tal como todos [eu incluída] os que já investigaram a fraude que dá pelo nome de Acordo Ortográfico de 1990 e as suas obscuras motivações, o que está por trás do seguidismo dos seguidistas. Portanto, nem vale a pena estarmos a perder tempo com explicações extras, porque tal facto, que envergonha Portugal perante o mundo, está mais do que esmiuçado, neste meu Blogue. E como todos nós sabemos também, os piores cegos são aqueles que não querem ver o óbvio.

 

Vai desculpar-me que lhe diga isto assim, francamente, como é de meu apanágio, o senhor, neste seu comentário, demonstra uma notória INSIPIÊNCIA da Língua Portuguesa, e da sua função como Língua Identitária de um Povo. Nenhum outro país do mundo jamais se rebaixou como Portugal, ao tentar fazer um acordo ortográfico (que é o maior desacordo da nossa História) com uma ex-colónia, tendo prevalecido a VARIANTE ( = dialecto = crioulo) da ex-colónia, em detrimento da Língua-Mãe, apenas porque um punhado de políticos reptilianos, imbuídos de um colossal complexo de inferioridade e de muita ignorância e subserviência à mistura, ditatorialmente, assim o quis, apesar de TODOS os pareceres negativos; de todas as vozes RACIONAIS que se levantaram contra este idiotismo (o AO90 não passa de um acto IDIOTA, não sou a única a dizê-lo); e de todos os pareceres jurídicos que apontam para a inconstitucionalidade e ilegalidade deste (des)acordo. Não esquecer que apenas os seguidistas e servilistas, os acomodados e comodistas, os ignorantes optativos e os medricas portugueses, irracionalmente, usam a mixórdia ortográfica gerada pelo AO90.



Posto isto, o senhor não tem como dizer que fez MUITO pela Língua Portuguesa, em mais de quatro décadas de serviço público, a não ser que esse MUITO venha seguido de POUCO, ou seja, fez muito pouco. Aliás, para ser mais precisa, não fez NADA pela Língua Portuguesa.  E sabendo, como sabemos que o “serviço público” é um dos serviços mais descredibilizados da Nação, não tem absolutamente NADA de que se vangloriar, até porque esse MUITO de que fala, fê-lo, sim, pela Variante Brasileira da Língua Portuguesa, como todos nós também sabemos.

 

E a finalizar, o senhor diz esta coisa que, vindo de quem vem, permita-me que lhe diga francamente, é a maior prova do seu servilismo e seguidismo, porque totalmente desprovido de sentido crítico: «E defender e seguir o Acordo Ortográfico, que as novas gerações já usam e que vão consagrar no futuro, integra-se precisamente na defesa do papel da língua portuguesa à escala internacional».

 

Pois sobre isto tenho a dizer-lhe o seguinte: quem defende e segue o “acordo ortográfico de 1990”, mais conhecido por “aborto ortográfico”, tão “aborto” que apenas os subservientes portuguesinhos o aplicam (mais nenhum país dito lusófono o aplica) NÃO ESTÁ a defender o papel da Língua Portuguesa (com letra maiúscula, porque a Língua Portuguesa é PATRIMÓNIO da NAÇÃO) à escala internacional, porque, à escala internacional, o que circulará (já circula), por aí, será (já é) a novel Língua Brasileira, com etiqueta portuguesa, mas bandeira brasileira, ou então a vergonhosa MIXÓRDIA ORTOGRÁFICA PORTUGUESA, que não identifica Portugal, porque nada tem a ver com a Língua Portuguesa dos Portugueses.  E, como já referi, os piores cegos são aqueles que não querem ver o óbvio.



Quanto às gerações que já usam a MIXÓRDIA ORTOGRÁFICA PORTUGUESA (é esta a nova designação do vergonhoso linguajar que andam a impingir, nas escolas) poderão facilmente desaprendê-la, tal como as gerações que aprenderam a Língua Materna ORIGINAL, tiveram de deixar de escrever correCtamente, para escrever “incorretamente” (incurrêtâmente”) a própria Língua. Usar isto como argumento para manter a IDIOTICE ortográfica é uma falácia própria dos autocratas, e que só tem eco entre os inscientes.

 

O senhor deveria envergonhar-se por se expor deste modo, dizendo o que diz, como se TODOS os Portugueses fossem parvos.

 

O Acordo Ortográfico de 1990 tem um calcanhar de Aquiles, e assim como as glórias de Aquiles, que era um herói, terminaram, quando uma flecha certeira lhe atingiu o calcanhar, assim este AO90, que não é herói, e não passa de uma ignóbil fraude, sem ponta por onde se lhe pegue, mais dia, menos dia, arrastado para a beira do abismo, levará uma flechada no calcanhar, e cairá nesse abismo, levando com ele todos os que irracionalmente o defenderam e o seguem.

 

Portanto, Dr. Francisco Seixas da Costa, se eu fosse o senhor, não estaria tão certo de estar a fazer a coisa certa, porque, como disse Miguel de Cervantes, quando viu os seus carrascos condenados: «Deus suporta os maus, mas não eternamente», e «os tiranos podem governar por uns tempos, mas acabam sempre por cair», como diz Mahatma Gandhi, e a História comprova.

 

Os tiranos da Língua Portuguesa até podem parecer invencíveis, mas no final, serão derrubados como sempre foram todos os tiranos…

 

Mahatma Gandhi.png

 

O Amor à Língua Portuguesa e a Verdade são as forças mais poderosas nesta questão do AO90, porque os que a ODEIAM, pugnando pela vigente Mixórdia Ortográfica Portuguesa, serão, inevitavelmente, destroçados. E disto, que não haja qualquer dúvida.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:42

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