Terça-feira, 16 de Outubro de 2018

CARTA ABERTA AOS PROFESSORES DE LÍNGUA PORTUGUESA E AOS SEUS SINDICATOS

 

Exórdio:

Não sendo fácil exercer a profissão de Professor em Portugal, não é impossível exercê-la em sã consciência, e com uma responsabilidade incólume que legitime a confiança e respeito que lhe são devidos.

 

PROFESSOR.jpg

 

Em Portugal, não há imperadores, mas há professores que se vergam a governantes que não sabem nem o que fazem, nem o que dizem, e muito menos não imaginam a ignorância que impõem por decreto…

 

Caros ex-colegas:

 

Já farta de ver triunfar as nulidades;

 

Já farta de ver a Língua Portuguesa estropiada nos meios de comunicação social;

 

Já farta de ver a passividade dos que podem, mas não estão para se incomodarem;

 

Já farta do mesquinho servilismo a uma “ordem oficial” inconstitucional;

 

Já farta de ver violar o direito das crianças a um ensino de qualidade e a aprenderem a sua Língua Materna;

 

Atrevo-me a dirigir-vos umas quantas palavras de repúdio, de protesto, de indignação pelo modo como os que deviam ser os guardiães da Educação e Cultura têm conduzido a imposição ilegal do Acordo Ortográfico de 1990, nas Escolas Portuguesas, contribuindo para a desalfabetização, desinstrução, deseducação e incultura das crianças portuguesas, que mereciam melhor sorte, superior ensino e maior respeito.

 

O que mais me custa suportar neste criminoso processo de desintegração da Língua Portuguesa, é a cobardia de todos os que se vergaram a uma ordem parva, e estão a incitar as crianças, ainda inocentes no seu desconhecimento das coisas, e que começam agora o seu aprendizado escolar, a escrever incorrectamente a sua própria Língua Materna, produzindo erros ortográficos de palmatória.

 

Digam-me o que é um "arquitÊto" (pois é desta maneira que isto se lê). Se forem capaz de chegar à raiz deste amontoado de letras gerado pelo AO90, e de me dizerem o que isto é, que significado tem, dou a minha mão à palmatória.

 

Isto é uma nítida violação da alínea c) do Princípio VII da Declaração Universal dos Direitos das Crianças, que refere: a criança tem o direito a receber uma educação escolar (…) que favoreça a sua cultura geral e lhe permita – em condições de igualdade de oportunidades (algo que também é violado em Portugal) – desenvolver as suas aptidões e a sua individualidade, o seu senso de responsabilidade social e moral, para ser um membro útil à sociedade.

 

O que pretendem fazer com as crianças?

 

Os ignorantes do futuro?

 

Desculpem, mas não têm esse direito.

 

Ensinar a Língua segundo o AO90 é um crime de lesa-língua e de lesa-infância, e não sou eu que o digo.

 

Se os governantes portugueses não têm capacidade moral e intelectual para o impedir, por uma manifesta e obscena subserviência ao lobby de alguns editores mercenários (porque os há conscientes dos resultados funestos que a aplicação do AO90 terá para o futuro da Língua Portuguesa, que deixará de pertencer ao rol das Línguas Cultas Europeias, para ser uma qualquer outra coisa, indefinida e amarfanhada na ignorância, e os quais recusaram este ultraje linguístico), é dever de todos os Portugueses com responsabilidades na área do Ensino, da Cultura e da Comunicação Social exigir que o governo português reponha imediatamente o estudo da Língua Portuguesa Europeia nas escolas portuguesas, e que deixe de ser “oficial” algo que nunca deveria ter sido, por violar o direito à aprendizagem da legítima Língua Materna.

 

Deixem de enganar as crianças, impingindo-lhes gato por lebre.

 

Além disso, todos sabemos que a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 viola o disposto na alínea a) do artigo 9º da Constituição da República Portuguesa, que diz: são tarefas fundamentais do Estado garantir a independência nacional e criar as condições políticas, económicas, sociais e culturais que a promovam.

 

Ora esta inominável tentativa de “abrasileirar” a Língua Materna dos Portugueses, a qual sendo um dos elementos da nossa nacionalidade, também é um baluarte da nossa autonomia, como nação, da nossa portugalidade, e se a vendermos ao desbarato, para que editores e governantes traidores da Pátria possam encher os bolsos, e apenas isso, viola a tarefa fundamental que o Estado Português tem de garantir a nossa independência.

 

Portugal é e sempre será, quer aceitem ou não, a origem dos actuais países livres que já foram colónias portuguesas. E não há nada, nem ninguém que possa alterar o passado.

 

Se os países que integram a CPLP adoptassem o que construíram a partir do que receberam do ex-colonizador, e se cortassem o cordão umbilical que ainda os mantém ligados a Portugal,  quem os condenaria?

 

Depois que obtiveram a independência, cada país colonizado foi livre de optar pelo próprio destino. O que fizeram com a herança portuguesa, não é mais problema de Portugal.

 

E Portugal, como país independente, e com a sua milenar cultura europeia, um dos primeiros estados-nação do mundo, que deu novos mundos ao mundo, não tem de se vergar perante uma imposição político-económica, de quem quer que seja, muito menos quando essa imposição está assente numa descomunal ignorância.

 

Uma língua não evolui por decreto. Não evolui por vontades assentes em interesses políticos e económicos.

 

Por que há-de Portugal ser o rebotalho da Europa, quando os outros países europeus, também colonizadores, como os Ingleses, os Franceses, os Espanhóis, os Holandeses, os Alemães, não mexeram uma letra sequer, nas suas Línguas Maternas, para “unificarem” a língua herdada pelos países colonizados por eles?

 

É que é do bom senso e da racionalidade que se preserve a identidade linguística de cada país.

 

Contudo, ao que tenho verificado, até não é da vontade da maioria dos restantes países da CPLP que este acordo parvo vá adiante.

 

Então por que há-de Portugal rebaixar-se à vontade de um grémio desqualificado, constituído por ignorantes traidores da pátria?

 

Finalmente, farei minhas as palavras de uma Professora lúcida, da qual, neste momento, não me recordo o nome, mas se ela, por acaso, vier a ler este texto, por favor, acuse a sua autoria:

 

«Tenho a maior consideração por todos os colegas que ensinam Português, e que se vêem confrontados com este flagelo. Não lhes invejo a sorte (ou o azar).

 

Sei que tenho uma posição privilegiada que me permite assumir a minha oposição ao AO 90, porque beneficio da falta de uma posição oficial da minha Faculdade, e da posição contra o AO tomada pela Associação de Estudantes.

 

Sei também que posso sempre evocar, se isso vier a ser necessário, a minha autonomia científica nas minhas aulas e nos meus trabalhos.

 

O que já não me parece aceitável é que, os professores, que estão representados por sindicatos de diversas orientações políticas, nunca tenham exigido destes que dessem voz ao seu protesto.

 

Porque ver os sindicatos dos professores apelarem a manifestações e greves por razões políticas/sociais/laborais mas nunca por razões de carácter científico/educativo, como é o caso do AO90, descredibiliza a classe perante a opinião pública.

 

Se os professores se mobilizarem em torno de uma causa que não tem a ver com as suas condições remuneratórias, mas com o futuro dos alunos, estou certa de que teriam o apoio dos pais e dos encarregados de educação, talvez como nunca tiveram antes».

 

Este é o caminho.

 

Lembrem-se: sem desobediência nunca houve mudanças, nem evolução…

 

O que aqui está em causa não é o presente da Língua, porque esse está assegurado por todos os que estão a recusar-se a cumprir a “ordem oficial” que não tem a mínima legitimidade.

 

O que aqui está em causa é o futuro, é o modo como estão a transformar as nossas crianças nos analfabetos escolarizados e ignorantes do futuro…

 

O que fazer?

 

Primeiro: recusar ENSINAR esta língua estropiada às crianças.

Segundo: boicotar todas as publicações em AO90: livros, jornais, revistas… e tudo o que mais for…

Terceiro: não escrever em acordês, porque temos esse direito.

Quarto: EXIGIR que o governo reponha imediatamente o ensino da Língua Portuguesa Materna, nas escolas portuguesas.

 

As minhas saudações desacordistas.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 10:32

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Terça-feira, 19 de Dezembro de 2017

O AO90 É UMA VIOLAÇÃO DO DIREITO À APRENDIZAGEM ÍNTEGRA DA LÍNGUA PORTUGUESA

 

Um texto de Josefina Maller

 

 AO.png

 Origem da imagem: Tradutores Contra o Acordo Ortográfico

  

Tudo o que nós (menos novos) fizermos para preservar a Língua Portuguesa, morrerá connosco. E ficará a nova geração à deriva, com a má língua…

 

Penso que estaria nas mãos dos professores de Português travar esta tragédia. Só eles poderiam ter-se recusado a ensinar a língua desenraizada, que não é a Língua Portuguesa.

 

Só eles podem fazê-lo.

 

Os Sindicatos têm o DEVER de os apoiar numa acção de desobediência, até porque não existe nenhuma Lei que obrigue a ensinar a escrever incorrectamente a Língua Portuguesa. E se não o fazem, é porque não cumprem bem a sua função.

 

E bastava que um grupo, ainda que pequeno, de professores RESISTISSE, e a onda agigantar-se-ia…

 

E o que vamos ensinando e a quem? As crianças, que estão a aprender a ler e a escrever, o que sabem do saber da Língua?

 

Estão a ser obrigadas a aprender algo que está errado.

 

É como se quisessem impor novas normas à Matemática, e dissessem às crianças que dois mais dois agora passa a ser cinco… porque sim. E elas, que não sabem, acreditam. E repetirão o erro ‘ad aeternum'.

 

E isto é uma violação do direito à aprendizagem íntegra da Língua Portuguesa que todas as crianças têm.

 

Josefina Maller

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 12:15

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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2015

A LÍNGUA PORTUGUESA NÃO É UM OVO PARA SER MEXIDA À VONTADE DO FREGUÊS

 

LÍNGUA.jpg

(Origem da imagem: Internet)

 

Perguntei a um ex-líder partidário se era verdade que o seu partido tinha aderido ao Acordo Ortográfico de 1990 ou se tinha votado a favor da sua aplicação, porque tinha a informação do contrário.

 

Sim, o seu partido aprovou com reservas, o que um ainda jovem deputado tem vindo a exprimir com cada vez mais insistência, baseado na ideia de que a Língua evolui (o avô do ex-líder escrevia pharmacia, ele já não, ele escreve no Português que aprendeu na escola) mas que é preciso evitar a colonização dos interesses editoriais brasileiros, ai isso é preciso.

 

Respondi-lhe o seguinte:

 

Acredito que os deputados mais novos, como não tiveram um aprendizado da Língua aprofundado, não saibam que este acordo do desacordo, não tem nada a ver com EVOLUÇÃO. Pelo contrário. Tem a ver com uma profunda IGNORÂNCIA da Língua, e um recuo ao tempo das cavernas.

 

O que os brasileiros fizeram com a Língua Portuguesa é problema deles. Eles que a escrevam e falem mal.

 

O ensino no Brasil (sei do que falo porque já estudei lá) é péssimo. A esmagadora maioria dos brasileiros vem de uma classe mal alimentada, logo, pouco dotada intelectualmente, e com grandes dificuldades de aprendizagem.

 

Como a Língua Portuguesa não é PÊRA DOCE, optaram por facilitá-la, para que a taxa de analfabetismo não fosse tão alta.

 

É que passar de PHarmácia, para Farmácia, em nada alterou a palavra, a não ser a sua grafia.

 

Mas se escrevermos "setor", em vez de sector, ou outras palavras assim que tais, teremos forçosamente de ler "stor", e isto já mexe com a pronúncia, com a etimologia e com a grafia da palavra.

 

"Setor" não tem significado algum.

 

É uma palavra inventada, mas sem sentido.

 

Mia Couto, um escritor moçambicano que muito aprecio, é mestre em “inventar” palavras. Mas inventa-as com um sentido absolutamente brilhante.

 

É um escritor que sabe valorizar a Língua.

 

Lamento que na Assembleia da República não haja alguém com conhecimento aprofundado da Língua Portuguesa para poder DEFENDÊ-LA dos abutres portugueses e brasileiros, que querem enriquecer à conta do empobrecimento da NOSSA Língua, um símbolo da Portugalidade.

 

A mim, não me preocupa os que, por IGNORÂNCIA OPTATIVA, se vergam à ordem governamental e escrevem e pronunciam MAL a Língua. Só passam por ignorantes.

 

A mim, o que me preocupa é pretenderem fazer das nossas crianças, IDIOTAS.

 

A mim preocupa-me o futuro.

 

***

 

O Rodrigo, comentando uma das minhas publicações, disse o seguinte:

«Acho que não entendo tanta resistência. A língua é dinâmica. Não sou a favor desse preciosismo! Ainda que goste de ler Gil Vicente em português arcaico. Mas acredito sinceramente que a língua também deve ser prática. Pelo que entendo a ideia foi simplificar não empobrecer

 

Como diz?

 

A ideia foi simplificar, não empobrecer?

 

Simplificar o quê? Pensa que hoje as crianças são mais estúpidas do que as gerações anteriores, desde D. Diniz, em cujo reinado foi decretada a obrigatoriedade do Português nos documentos oficiais?

 

O AO/90 não simplificou coisa nenhuma. Pelo contrário, além de complicar, estropiou a Língua, criando palavras que não têm qualquer significado.

 

Digam-me o que é um "arquitÊto". Se forem capazes de chegar à raiz deste amontoado de letras gerado pelo AO/90, e dizerem-me o que isto é, que significado tem isto, dou a minha mão à palmatória.

 

A Língua é dinâmica, sim. E deve ser dinâmica.

 

Mas jamais dever ser decapitada.

 

***

E o Teófilo, respondeu e muito bem: «Os que estão com o novo AO são precisamente aqueles que tem dificuldades em aprender e falar uma língua científica como a nossa. Para esses um dialecto seria o ideal. E é precisamente nisso que querem transformar a nossa língua.»

 

Correcto.

 

***

 

Já o P. Baptista veio com esta: «Um chorrilho de disparates e de falsidades. Parem de lançar a confusão sobre as crianças e a sua aprendizagem. E, já agora, parem de dar erros. A lei é para todos. É já tem 15 anos! Houve o tempo da discussão que se fez, há o tempo da execução que se faz».

 

Como disse, P. BaPtista? Ou devo escrever Batista?

 

Chorrilho de disparates e falsidades é tudo o que diz respeito ao DESRESPEITO pela Língua Portuguesa, e que um acordo tão desacordado veio agigantar.

 

E quem dá erros crassos é quem escreve e fala segundo o evangelho (mal fundamentado) do AO de 1990.

 

***

 

E a propósito da carta que dirigi aos professores e aos sindicatos:

 

«Concordo totalmente com o teor da carta. E o que devem fazer os pais para defender os filhos desta acção castradora? Que meios legais existem ao alcance do vulgar cidadão?»

 

Respondo:

 

Os pais deviam ser os primeiros a PROTESTAR.

 

Não protestam, porque o povo português só protesta quando lhe vão aos bolsos.

 

***

 

Então veio o David, e disse:

 

«EU É QUE SOU ANALFABETO. HAHAHAHA. MAS EU JÁ NÃO ADEMIRA SÓ TENHO A QUARTA CLASE. NÉ. NO MEU TEMPO NÃO DEU PARA MAIS, TIVE QUE ÍR TRABALHAR NÉ. MAS NÃO É POR ISSO QUE SE DEIXA DE SER BOM PROFICIONAL».

 

Lá isso é verdade, David. Mas os verdadeiros ANALFABETOS não são aqueles que não tiveram oportunidade de estudar.

 

Os VERDADEIROS analfabetos são aqueles que tiveram oportunidade de estudar, e não aprenderam NADA.

 

***

 

E a Maria também disse de sua justiça:

 

«Escrevia-se mal, pessoas que quando eram crianças tiveram de ir trabalhar em vez de ir à escola, agora vejo senhores e senhoras doutoras que passaram o tempo a estudar escrevem tão mal».

 

É verdade, Maria.

 

A escola não nos dá tudo. O que nos dá tudo é a nossa vontade de aprender, seja fora ou dentro da própria escola, se tivermos a sorte de a frequentar.

 

É que não basta ir à escola. É preciso que tenhamos capacidade de aprender. E há alguns senhores e senhoras doutoras que por muitos estudos que tenham, só sabem o que sabem, e não vão além desse pequeno saber.

 

***

 

E é esse pequeno saber que está de mala e cuia* na Assembleia da República Portuguesa.

 

(*Uma expressão brasileira, que não fica nada mal neste contexto. É que a união da Língua passa por enriquecê-la com expressões das novas culturas oriundas das ex-colónias. Não passará nunca por estropiá-la).

 

Isabel A. Ferreira

 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:14

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Terça-feira, 20 de Outubro de 2015

CARTA ABERTA AOS PROFESSORES DE LÍNGUA PORTUGUESA E AOS SEUS SINDICATOS

 

Exórdio:

Não sendo fácil exercer a profissão de Professor em Portugal, não é impossível exercê-la em sã consciência, e com uma responsabilidade incólume que legitime a confiança e respeito que lhe são devidos.

 

PROFESSOR.jpg

 

Em Portugal, não há imperadores, mas há professores que se vergam a governantes que não sabem nem o que fazem, nem o que dizem e muito menos a ignorância que impõem por decreto…

 

Caros ex-colegas:

 

Já farta de ver triunfar as nulidades;

 

Já farta de ver a Língua Portuguesa estropiada nos meios de comunicação social;

 

Já farta de ver a passividade dos que podem, mas não estão para se incomodarem;

 

Já farta do mesquinho servilismo a uma “ordem oficial” inconstitucional;

 

Já farta de ver violar o direito das crianças a um ensino de qualidade;

 

Atrevo-me a dirigir-vos umas quantas palavras de repúdio, de protesto, de indignação pelo modo como os que deviam ser os guardiães da Educação e Cultura têm conduzido a imposição ilegal do Acordo Ortográfico de 1990, nas Escolas Portuguesas, contribuindo para a desalfabetização, desinstrução, deseducação e incultura das crianças portuguesas, que mereciam melhor sorte, superior ensino e maior respeito.

 

O que mais me custa suportar neste criminoso processo de desintegração da Língua Portuguesa, é a cobardia de todos os que se vergaram a uma ordem parva, e estão a incitar as crianças, ainda inocentes no seu desconhecimento das coisas, e que começam agora o seu aprendizado escolar, a escrever com erros crassos a sua própria Língua Materna.

 

Digam-me o que é um "arquitÊto" (pois é desta maneira que se lê). Se forem capaz de chegar à raiz deste amontoado de letras gerado pelo AO/90, de me dizerem o que isto é, que significado tem, dou a minha mão à palmatória.

 

Isto é uma nítida violação da alínea c) do Princípio VII da Declaração Universal dos Direitos das Crianças, que refere: a criança tem o direito a receber uma educação escolar (…) que favoreça a sua cultura geral e lhe permita – em condições de igualdade de oportunidades (algo que também é violado em Portugal) – desenvolver as suas aptidões e a sua individualidade, o seu senso de responsabilidade social e moral, para ser um membro útil à sociedade.

 

O que pretendem fazer com as crianças?

 

Os ignorantes do futuro?

 

Desculpem, mas não têm esse direito.

 

Ensinar a Língua segundo o AO/90 é um crime de lesa-língua e de lesa-infância, e não sou eu que o digo.

 

Se os governantes portugueses não têm capacidade moral e intelectual para o impedir, por uma manifesta e obscena subserviência ao lobby de alguns editores mercenários (porque os há conscientes dos resultados funestos que a aplicação do AO/90 terá para o futuro da Língua Portuguesa, que deixará de pertencer ao rol das Línguas Cultas Europeias, para ser uma qualquer outra coisa, indefinida e amarfanhada na ignorância, e os quais recusaram este ultraje linguístico), é dever de todos os Portugueses com responsabilidades na área do Ensino, da Cultura e da Comunicação Social exigir que o governo português reponha imediatamente o estudo da Língua Portuguesa Europeia nas escolas portuguesas, e que deixe de ser “oficial” algo que nunca deveria ter sido, por violar o direito à aprendizagem da legítima Língua Materna.

 

Deixem de enganar as crianças, impingindo-lhes gato por lebre.

 

Além disso, todos sabemos que a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 viola o disposto na alínea a) do artigo 9º da Constituição da República Portuguesa, que diz: são tarefas fundamentais do Estado garantir a independência nacional e criar as condições políticas, económicas, sociais e culturais que a promovam.

 

Ora esta inominável tentativa de “abrasileirar” a Língua Materna dos Portugueses, a qual sendo um dos elementos da nossa nacionalidade, também é um baluarte da nossa autonomia, como nação, da nossa portugalidade, e se a vendermos ao desbarato, para que editores e governantes traidores da Pátria possam encher os bolsos, e apenas isso, viola a tarefa fundamental que o Estado Português tem de garantir a nossa independência.

 

Portugal é e sempre será, quer aceitem ou não, a origem dos actuais países livres que já foram colónias portuguesas. E não há nada, nem ninguém que possa alterar o passado.

 

Se os países que integram a CPLP adoptassem o que construíram a partir do que receberam do ex-colonizador, e se cortassem o cordão umbilical que ainda os mantém ligados a Portugal,  quem os condenaria?

 

Depois que obtiveram a independência, cada país colonizado foi livre de optar pelo próprio destino. O que fizeram com a herança portuguesa, não é mais problema de Portugal.

 

E Portugal, como país independente, e com a sua milenar cultura europeia, um dos primeiros estados-nação do mundo, que deu novos mundos ao mundo, não tem de se vergar perante uma imposição político-económica, de quem quer que seja, muito menos quando essa imposição está assente numa descomunal ignorância.

 

Uma língua não evolui por decreto. Não evolui por vontades assentes em interesses políticos e económicos.

 

Por que há-de Portugal ser o rebotalho da Europa, quando os outros países europeus, também colonizadores, como os Ingleses, os Franceses, os Espanhóis, os Holandeses não mexeram uma letra nas suas Línguas Maternas, para “unificarem” a língua herdada pelos países colonizados por eles?

 

É que é do bom senso e da racionalidade que se preserve a identidade linguística de cada país.

 

Contudo, ao que tenho verificado, até não é da vontade da maioria dos restantes países da CPLP que este acordo parvo vá adiante.

 

Então por que há-de Portugal rebaixar-se à vontade de um grémio desqualificado, constituído por ignorantes traidores da pátria?

 

Finalmente, farei minhas as palavras de uma Professora lúcida, da qual, neste momento, não me recordo o nome, mas se ela, por acaso, vier a ler este texto, por favor, acuse a sua autoria:

 

«Tenho a maior consideração por todos os colegas que ensinam Português, e que se vêem confrontados com este flagelo. Não lhes invejo a sorte (ou o azar).

 

Sei que tenho uma posição privilegiada que me permite assumir a minha oposição ao AO 90, porque beneficio da falta de uma posição oficial da minha Faculdade, e da posição contra o AO tomada pela Associação de Estudantes.

 

Sei também que posso sempre evocar, se isso vier a ser necessário, a minha autonomia científica nas minhas aulas e nos meus trabalhos.

 

O que já não me parece aceitável é que, os professores, que estão representados por sindicatos de diversas orientações políticas, nunca tenham exigido destes que dessem voz ao seu protesto.

 

Porque ver os sindicatos dos professores apelarem a manifestações e greves por razões políticas/sociais/laborais mas nunca por razões de carácter científico/educativo, como é o caso do AO90, descredibiliza a classe perante a opinião pública.

 

Se os professores se mobilizarem em torno de uma causa que não tem a ver com as suas condições remuneratórias, mas com o futuro dos alunos, estou certa de que teriam o apoio dos pais e dos encarregados de educação, talvez como nunca tiveram antes».

 

Este é o caminho.

 

Lembrem-se: sem desobediência nunca houve mudanças, nem evolução…

 

O que aqui está em causa não é o presente da Língua, porque esse está assegurado por todos os que estão a recusar-se a cumprir a “ordem oficial” que não tem a mínima legitimidade.

 

O que aqui está em causa é o futuro, é o modo como estão a transformar as nossas crianças nos analfabetos escolarizados e ignorantes do futuro…

 

O que fazer?

 

Primeiro: recusar ENSINAR esta língua estropiada às crianças.

Segundo: boicotar todas as publicações em AO/90: livros, jornais, revistas… e tudo o que mais for…

Terceiro: não escrever em acordês, porque temos esse direito.

Quarto: EXIGIR que o governo reponha imediatamente o ensino da Língua Portuguesa Materna, nas escolas portuguesas.

 

As minhas saudações desacordistas.

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:45

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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2015

O AO/1990 É UMA VIOLAÇÃO AO DIREITO À APRENDIZAGEM CORRECTA DA LÍNGUA PORTUGUESA

 

Um direito que têm todas as crianças portuguesas, as maiores vítimas deste crime linguístico.

 

Vamos ser cúmplices deste acto criminoso?

 

Vamos permitir a consumação do crime?

 

11051839_626658364102502_2848255159632438865_n[1].

Origem da imagem:  

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90?fref=ts

 

Tudo o que nós (menos novos) fizermos para preservar a Língua Portuguesa, morrerá connosco. E ficará a nova geração à deriva, com a má língua…

 

Penso que está nas mãos dos professores de Português travar esta tragédia. Só eles poderão recusar-se a ensinar esta língua desenraizada e que não é a Língua Portuguesa.

 

Só eles podem fazê-lo.

 

Os Sindicatos têm o DEVER de os apoiar numa acção de Desobediência Civil, por uma causa mais do que justa. E se não o fazem, é porque não cumprem bem a sua função.

 

E bastava que um grupo, ainda que pequeno, de professores tivesse resistido ou resistisse agora, para que a onda se agigantasse ou agigante…

 

O que vamos ensinando e a quem?

 

As crianças, que estão a aprender a ler e a escrever, o que sabem do saber da Língua?

 

Estão a ser obrigadas a aprender algo que está errado.

 

É como se quisessem impor novas normas à Matemática, e dissessem às crianças que dois mais dois agora passa a ser cinco. E elas, que não sabem, acreditam. E repetirão o erro ‘ad aeternum'.

 

Isto é desrespeitar o direito à APRENDIZAGEM CORRECTA, que todas as crianças têm.

 

O que faz falta é a CORAGEM para dizer NÃO a algo que compromete gravemente a identidade cultural portuguesa, a portugalidade, o amor pela Língua Materna.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 18:35

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.ACORDO ORTOGRÁFICO

EM DEFESA DA LÍNGUA PORTUGUESA, A AUTORA DESTE BLOGUE NÃO ADOPTA O “ACORDO ORTOGRÁFICO” DE 1990, DEVIDO A ESTE SER INCONSTITUCIONAL, LINGUISTICAMENTE INCONSISTENTE, ESTRUTURALMENTE INCONGRUENTE, PARA ALÉM DE, COMPROVADAMENTE, SER CAUSA DE UMA CRESCENTE E PERNICIOSA ILITERACIA EM PUBLICAÇÕES OFICIAIS E PRIVADAS, NAS ESCOLAS, NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL, NA POPULAÇÃO EM GERAL E ESTAR A CRIAR UMA GERAÇÃO DE ANALFABETOS.

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. AO/90 É INCONSTITUCIONAL

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram OFICIALMENTE a não vigência do acordo numa reunião OFICIAL e os representantes OFICIAIS do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
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