Sexta-feira, 23 de Abril de 2021

Celebrando o Dia Mundial do Livro: «Da importância do acto de LER e dos Livros», escritos e traduzidos em Bom Português

 

Em Portugal, celebraremos o dia 23 de Abril - Dia Mundial do Livro - rejeitando LER os livros escritos conforme a cartilha do Acordo Ortográfico de 1990, porque:

 

Suicídio do Livro.jpg

 

Da importância do acto de LER e dos Livros

 

© Isabel A. Ferreira

 

«Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive». (Padre António Vieira).

 

Livraria Lello (Porto).jpeg

Livraria Lello (Porto) - A Catedral do Livro, incluída na lista das Livrarias mais belas do Mundo. (Origem da imagem: Internet)

 

Os livros são barcos que dão para muitas viagens.

 

LER é, pois, como viajar num barco e ir a muitos lugares, onde nos é permitido viver uma infinidade de aventuras.

 

LER é entrar na Máquina do Tempo, que nos transporta a todos os tempos. Até ao início do mundo, passando por todas as épocas, por todos os lugares, por todas as gentes. Até às mais longínquas galáxias do universo, se tivermos imaginação.

 

Quando somos crianças gostamos que nos contem histórias.

 

Mia Couto, um prestigiado escritor moçambicano, que também gosta de LER, costuma dizer que ao ler «recuperamos as histórias da nossa infância». Para ele, LER «é uma caixa de tesouros que não encontramos em mais lado nenhum. Devemos ler para podermos contar histórias».

 

Daniel Sampaio, escritor português – que é também psiquiatra, sobre os livros diz-nos: «Os livros são para podermos imaginar».

 

Vasco Graça Moura – poeta e escritor, também português – escreveu este belo texto, acerca dos livros, que passo a citar:

 

«Há livros que são mágicos.

Abrimo-los e é como se estivéssemos instalados num tapete voador das Mil e Uma Noites: transportam-nos através do tempo e do espaço;

Fazem vibrar aos nossos ouvidos os ecos fortes da História;

Põem-nos diante dos nossos olhos um fervilhar de gente;

Dão-nos a medida dos trabalhos e dos dias;

Mostram-nos as cores, as formas e os volumes das paisagens;

Penetram-nos no coração com os seus excursos mais prosaicos ou com os seus acentos mais líricos, tornando-nos possível fazer uma deambulação e vagabundagem com uma respiração diferente e mais livre, com um paladar de palavras feito que tem o perfume e o encorpamento de um vinho velho».

 

Paulo Filipe Monteiro, guionista, encenador e actor, diz do livro: «Um bom livro é uma viagem absorvente e nocturna para os espaços próprios da obra, para os seus mundos possíveis».

 

Fernanda Pratas (crítica literária) escreve: «LER é uma tarefa irrequieta. Envolve os sentidos todos, exige energia, mete-se com a nossa vida. Desata velhas emoções, inventa outras com um cheiro a novo que até faz doer, serena almas e inquieta-as outras vezes. Consegue o prodígio de nos dar saudades de pessoas que nunca conhecemos».

 

Teolinda Gersão (escritora) diz: «A leitura é isto: um sentido que se ilumina de quando em quando, mas que não nos é dado gratuitamente. Atravessamos um túnel, fazemos um certo esforço para chegar a qualquer lado e o lado onde chegamos é o sentido do livro. O Metro pode ser uma metáfora para isso: atravessa-se um túnel para se chegar a um lugar iluminado. A leitura não é uma coisa automática. Tem de haver um certo trabalho interior. Mesmo do leitor, porque lhe exige o esforço de se colocar na pele da personagem, vendo com os olhos dela».

 

Manuel de Pedrolo (escritor espanhol), defende os livros como a principal e insubstituível fonte de transmissão do saber.

 

E na opinião de Nelson de Matos (editor) «os livros ajudam-nos a decifrar o mundo e a conhecermo-nos a nós próprios ou, como disse o filósofo George Steiner (...) os livros são o santo e a senha para convertermos em melhor aquilo que somos. E “melhor” também quer dizer “menos sós”, mais solidários. Na medida em que busca um leitor (um interlocutor), um livro também nos ajuda a romper a solidão».

 

Arturo Pérez-Reverte, um dos escritores espanhóis mais lidos na actualidade, diz: «Nasci numa casa com uma biblioteca muito grande, cresci entre livros e descobri desde muito pequeno que os livros são uma explicação para o mundo. Quanto mais se lê mais vitaminas se tem, mais recursos se adquirem para enfrentar a vida, para sobreviver. E isso, para mim, foi decisivo».

 

O Livro é, pois, um companheiro fiel, um amigo, que nunca nos deixa ficar sós, em lugar nenhum, e é um óptimo antídoto para a ignorância.  

 

Melhor remédio para a ignorância.jpeg

 

Através da leitura podemos imaginar mundos infinitos e imensos, e cada um de nós imagina esses mundos de um modo tão desigual quanto único.

 

Através da leitura, podemos criar as imagens, as paisagens, os rostos das personagens de acordo com a nossa própria visão e modo de sentir as coisas, que são diferentes de pessoa para pessoa, de acordo com a nossa imaginação.

 

Podemos até  impregnar-nos dos  aromas que as histórias dos livros nos sugerem: como o da terra molhada; como o das flores; o do mar; o do suor das gentes que trabalham nos campos...

 

Podemos rir ou chorar, conforme a história nos diz da alegria ou da tristeza.

 

LER é também aprender. Quem não lê não aprende. Quem não aprende não sabe. E quem não sabe, é quase como quem não vê.

 

Mário Quintana - LER.jpg

 

LER é conhecer uma infinidade de pessoas, umas inventadas, outras verdadeiras, em torno das quais giram peripécias vulgares ou invulgares que, de um modo ou de outro, enriquecem o nosso conhecimento do mundo.

 

Cada escritor é um escritor. Cada um tem as suas próprias vivências. Vê as coisas de um modo diferente, por isso, todos os escritores podem até escrever sobre um mesmo tema, imaginemos, por exemplo, que escrevem sobre o mar, mas esse mar será diferentemente descrito, porque os olhos de cada um vão olhá-lo de um modo absolutamente singular. E o mar, que é o mesmo, será então muitos mares.

 

Daí que quantos mais livros lermos, quantos mais escritores conhecermos, maior será também o nosso conhecimento do mundo.

 

Quem não lê não vive, nem as venturas, nem as desventuras, nem as aventuras da vida. Porquê? Porque a leitura, mais do que os filmes que vemos na televisão ou no cinema, isto é, mais do que todas as imagens, nos proporciona uma ligação íntima, só nossa, única, com o que cada um de nós tem de mais valioso, que é a nossa liberdade de pensamento, e essa liberdade ninguém, nem o mais feroz e audaz dos carrascos pode tirar-nos. e esta é que é a verdadeira liberdade.

 

A leitura desenvolve a nossa imaginação, a nossa criatividade, e também o nosso raciocínio, se nos propusermos a LER, quase como se mastigássemos as palavras, nelas sorvendo cada gota de sentido que a escrita nos oferece.

 

E como LER nos dá conhecimentos, muitos conhecimentos, LER é preciso, para nos tornarmos pessoas esclarecidas, porque: «Quanto mais esclarecidos formos, mais livres seremos», de acordo com Voltaire, um grande escritor e pensador francês, que viveu no século XVIII.

 

E a LIBERDADE que vem do nosso SABER é o bem mais precioso que temos, é a coisa mais nossa que possuímos, porque nem que nos encerrem numa masmorra, ou nos condenem à escuridão de uma funda caverna, ninguém, neste mundo, jamais poderá destruir, em nós, essa liberdade.

 

Façamos então do LIVRO um amigo, um companheiro para a VIDA.

 

Além dele nos proporcionar uma liberdade infinita, far-nos-á companhia nem que seja na mais deserta ilha do nosso planeta, porque com um LIVRO estamos na companhia de um Escritor; estamos com as Palavras; estamos com as Personagens das narrativas; podemos até entrar na história, se nos deixarmos levar pelas asas da nossa imaginação, transformando-nos também numa personagem.

 

LER, enfim, é viver muitas vidas; e quantas mais vidas vivermos, mais humanos nos tornamos; e quanto mais humanos formos, melhor será o mundo em que vivemos; e quanto melhor for esse mundo, maior será a harmonia do futuro. E hoje, mais do que nunca, é URGENTE acreditar num futuro mais promissor.

 

Porém, ainda há quem, pura e simplesmente, não leia, porque LER dá muito trabalho e é preciso pensar. E pensar também dá muito trabalho…

 

Mantêr ignorância.png

 

 © Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 11:42

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Segunda-feira, 12 de Abril de 2021

Carta de Amadeu M. ao Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, o “manda-chuva” do AO90

 

Neste conturbado momento que o nosso País atravessa, quando as injustiças estão a vir à tona, em catadupa, como se não existissem Justos nem Justiça em Portugal, esta carta, de Amadeu M., dirigida a Augusto Santos Silva é uma daquelas pérolas raras,  extremamente realista, a qual, se houvesse os tais Justos e Justiça em Portugal, depois da sua publicação, amanhã mesmo, os responsáveis pela mixórdia ortográfica portuguesa, imposta aos Portugueses, sem que lhes fosse pedida licença, os levaria a pedir a demissão, ou, no mínimo, mexer os cordelinhos para acabar com o AO90, como milhares de lusófonos desejam.

 

Bem sabemos que pedir a demissão de um cargo, que por um qualquer motivo, falhou nos seus objectivos, é algo para gente com espírito superior, com honra, e dotada de uma postura erecta. Contudo, tenhamos esperança de que, entre o joio político, exista um grão de trigo, que possa fazer rejuvenescer o trigal.

 

Esta carta é de leitura obrigatória, para todos os que abominam o capenga AO90, (para usar um termo brasileiro tão ao gosto dos acordistas).

 

Isabel A. Ferreira

 

Sérgio de Carvalho Pachá.jpg

 

Por Amadeu M.

 

«Excelentíssimo Senhor Ministro Augusto Santos Silva,

 

Na impossibilidade de o contactar, pessoalmente ou pelo endereço electrónico do ministério, venho por este meio notificá-lo e à sua filial governativa, (órgãos do poder, Presidente da República, Justiça e Parlamento), e todos os meios de comunicação social (Jornais, TV e Editoras acordistas) do seguinte:

 

A maioria dos portugueses está contra o AO90.

 

Todos temos “o direito à indignação”, frase muito na moda, proferida em tempos por alguém do seu partido (PS), pela falta de respeito e educação do Sr. e dos órgãos de soberania do poder instalado em Portugal, do extravasar das competências  limitadas pela  Constituição da República, da qual o mais alto magistrado da Nação devia ser o seu garante.

 

Nos meios académicos do país o AO90 é conhecido por “dialecto brasileiro”, “cartilha brasileira”, “aborto ortográfico”, “mixordês” e “mortografia”, etc., etc., imposto pelos órgãos do Governos de Portugal, com a concordância e prepotência do Exmº Sr. ex-presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

 

Isto foi feito à revelia de todos os homens do saber, por uma resolução do Conselho de Ministros, ao tempo do Sr. José Sócrates para que os portugueses, principalmente as crianças em idade escolar, aprendessem a escrever uma língua estranha, imposta a todas as escolas e instituições do Estado.

 

O AO90 e todo o processo de o tornar válido pelo Sr. Ministro e o seu partido PS, BE, PSD e o CDS, excepcionando o PCP (cuja posição continua dúbia) de que são acérrimos defensores, ficou pela fase da ratificação dos países signatários, Angola, Moçambique, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor!

 

O Sr. ministro, Augusto S. Silva, como guardião-mor deste “aborto ortográfico” fez questão de, em Janeiro de 2016, afirmar em público e aos órgãos comunicação social:

 

«Angola e Moçambique estão prestes a ratificar o acordo, é uma questão de tempo», (frase repetida de tempos a tempos para calar as vozes discordantes).

 

Sr. Ministro, passados cinco anos, a tal ambicionada ratificação por si desejada e pela sua filial, está por executar, e como deve saber, (o Sr.  e os órgãos de poder sabem de certeza) nunca será ratificado, por isso é que criaram em 2004 um 2º protocolo modificativo ao Tratado inicial, para tornear o problema, (necessidade absoluta e urgente de o por em prática, sem o consentimento dos outros signatários do tratado).

 

Angola, Moçambique, Guiné e Timor dizem que o AO90 firmado com o Brasil, é uma autêntica vigarice, está cheio de incongruências e excepções, é mentiroso, criminoso, completamente inútil, patético e, acima de tudo, é ilegal.

 

Só o Sr. Ministro e a sua filial governativa e os seus membros acordistas acham que não, e vá-se lá saber porquê! Resta saber se ouve dinheiro a passar por baixo da mesa.

 

Como o povo não é burro, com o devido respeito que se tem pelo “burro”, há muitos interesses obscuros por trás desta tramóia.

 

O tratado original do chamado Acordo Ortográfico de 1990, garantia que o mesmo só entraria em vigor quando todos os intervenientes o ratificassem na sua ordem jurídica.

 

Essa intenção foi reafirmada em protocolo modificativo de 1998.

 

Em 2004, há um segundo protocolo modificativo, em que o governo português, inquietado por tanta demora, (os signatários do tratado não o ratificavam), afirmou:

 

“Basta haver a ratificação de três países para que o acordo [aborto] entre em vigor”.

 

Não é preciso ser um génio da jurisprudência para detectar aqui um abuso de poder e má-fé, da parte do poder político.

 

Como permitir que o segundo protocolo tenha força de lei se ele nem sequer foi ratificado por todos os países?

 

O resultado está à vista de todos, é o caos ortográfico instalado em todas as instituições do Estado com a gravidade inerente, em tornar a língua numa autêntica mixordice, afastando-a da matriz culta indo-europeia, e obrigatória às crianças em idade escolar, sob coacção, a todos os professores de ensino.

 

Como alguém escreveu, um caostecnicamente insustentável, juridicamente inválido, politicamente inepto e materialmente impraticável”.

 

E como não há lei alguma que o sustente, nós, pessoas de bem e de carácter, continuamos a escrever correctamente de acordo com a Lei em vigor.

 

O Sr. e os seus, queriam ou querem uma mera unificação da ortografia em todo o espaço lusófono, e deixar tudo como está, ou melhor tudo como foi feito, agredindo barbaramente a etimologia das palavras, com o propósito de tornar a ortografia portuguesa numa autêntica “mixordice”.

 

Ninguém percebe esta sua obstinação e a precipitação dos políticos do país.

 

Sujeitamo-nos agora à vergonha de Angola e Moçambique, Timor-Leste, Guiné Bissau, não aceitar o acordo porque têm demasiado respeito pela Língua Portuguesa!

 

Quando as Resoluções do Conselho de Ministros são de lesa-pátria, o mínimo que se pede é a desobediência civil.

 

Ainda bem que há tantos portugueses que não foram no engodo, não ficaram cegos só porque o Sr. e os seus membros acordistas lhes disseram que «está na lei», e ninguém sabe que lei é essa.

 

Parece que os tempos mudaram, dando a entender que cada qual faz o que bem lhe apetece.

 

O país já não é de analfabetos, como o Sr. e outros da sua classe querem que seja, embora, com este aborto, queiram fazê-lo regredir para esses tempos de atraso.

 

O que vemos escrito em textos oficiais, jornais e televisões para nós é uma autêntica vergonha nacional.

 

O Sr. Ministro devia saber, que na nossa “democracia”, a justiça, as garantias individuais e as leis obedecem a uma série de formalismos e burocracias, são dispendiosos (de iniciativa particular e privada) cuja observância, cega, é mais importante dos que as garantias legais, sociais e pessoais dos cidadãos; nomeadamente de não discriminação em função da situação económica, grau de instrução, capacidade física e intelectual.

 

Isto porque os despachos normativos e seus formalismos são feitos para permitir estas infâmias, em que o Sr. e o seu Governo são mestres neste tipo de situações.

 

Estamos perante um Governo de “faz-de-conta”.

 

Tudo isto acontece apesar de o governo ser de “esquerda”, socialista ou de centro de direita ou esquerda, como gostam de ser chamados.

 

 Citando Guerra Junqueiro:

 

«Partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogo nas palavras, idêntico nos actos, iguais uns aos outros como metades do mesmo zero, pela razão que alguém deu no Parlamento de não caberem todos de uma vez na mesma sala de jantar…».  

 

Raios partam todos os abutres, vampiros malditos, instituições e os governos que lhes oferecem, de bandeja, as leis e os formalismos (e a inércia das instituições) que permitem a estes vampiros alimentarem-se da destruição da sociedade (a começar pelos valores).

 

Perdeu-se a noção de norma, aliás com a vossa preciosa ajuda, meteram a colher onde não são chamados, criaram uma coisa a que chamam de AO90, como se fosse um conceito científico - o de "pronúncia culta" para justificar a pseudo aproximação da ortografia à oralidade com o Brasil.

 

O resultado está à vista de todos, com excepção da inteligência suprema do Sr. Ministro e do governo de um país chamado Portugal, escrevem uma panóplia de vocábulos estranhos à Língua Portuguesa de matriz culta indo-europeia, provenientes dos vários dialectos que se fala no Brasil. 

 

Os exemplos seguintes demonstram a estupidez e o ridículo a que isto chegou.

 

O país mergulhado num completo “anarquismo ortográfico” (não se sabe o que é certo ou errado), palavras que vão minando a aprendizagem nas escolas, onde as nossas crianças em idade escolar são obrigadas a ler e a escrever:

 

parabenizar, contato, cidadje, falço, sobrescrite, descaçámos,  desfitava, exchefe deceção, registro, reptis, efeituar,  abatises,  galera,  esporte, bilhão, sobetas, esporte, águaardente recetáculo, ruinas , escaço, assignadas, deslisa  etc., etc., etc…etc..

 

E tantos outros disparates, que é impossível enumerá-los a todos.

 

Erros, em qualquer parte, são erros, insistir nos erros é pura estupidez.

 

Na ortografia portuguesa, com o mais alto beneplácito dos deputados, Presidente da República e tribunais, um erro passou a ser uma verdade indiscutível.

 

Está-se a perder  cada vez mais a noção do que é certo e do que é errado, e cai-se no ridículo do absurdo.

 

Os juízes do tribunal constitucional são nomeados pelos partidos. Existem juízes da (relação, supremo e constitucional), de todas as cores partidárias. A justiça ao arbítrio da política.

 

O que esperar dos tribunais, quando os juízes são nomeados pelo partido do governo? A nosso ver, responda quem souber.

 

Escrevem alegremente em “acordês”, ou melhor, em “mixordês” que se está a generalizar em todo o espaço português, tornam-no obrigatório nas escolas e nas instituições do país.

 

Afinal que sentido de Estado?

 

Será possível confiar no Supremo Tribunal, no Tribunal Constitucional ou no TEDH (Tribunal Europeu dos Direitos do Homem) onde o Estado português tem sido um réu permanente e condenado repetidas vezes?

 

Está na cara! Toda a gente sabe! Toda a gente vê!  É o que diz o povo. Só não vê o Sr. ministro dos Negócios Estrangeiros e a sua filial governativa e os seus membros delatores (Presidente da República, Parlamento, tribunais, jornais, editoras e TV) da república das bananas!

 

E, nestes casos, não há garantias constitucionais que nos valham, porque ninguém respeita a Constituição, nem mesmo o Sr. Presidente da República, que diz ser o seu garante.

 

A forma ardilosa com que as instituições judiciais pretendem, neste caso, dar cobertura e protecção aos criminosos, é antiga e muito utilizada em Portugal:

 

Consiste no arrastar dos processos, na morosidade da justiça, invocando falta de meios, quando o que existe, de facto, é manipulação e falta de “vontade” de actuar.

 

Um outro factor importante são os testemunhos utilizados para este efeito.

 

Não tenho dúvidas de que indiciam ser fabricados e obtidos com promessa de protecção para o envolvimento (os crimes) dos seus autores.

 

Isto só é possível porque nos Tribunais, todos os dias se mente e ninguém é condenado por perjúrio.

 

Além disso, dentro das instituições, são tolerados todo o tipo de falhas, devidas à incompetência e/ou premeditação; isto é: só existe tolerância absoluta para a incompetência, com que se auto-desculpa a premeditação.

 

Contudo, torna-se ainda mais complicado confiar nos 230 deputados que compõem a AR, porque 206 são maçónicos, os outros 24 são o que são, ou melhor, são aquilo que quiserem ser!

 

Quem sabe, por que razão o Sr. Presidente da República, como ilustre professor e jurista, não determina a sua abolição?

 

O mais alto magistrado da Nação, o Sr. Presidente da Republica, com todos os instrumentos constitucionais que tem ao seu dispor, nada faz, ou melhor, nada tem feito para pôr cobro a esta situação, e faz do assunto “ouvidos de mercador”.

 

Questionado pelos os órgãos de comunicação social sobre o AO90, prontamente respondeu, como é seu cariz, ser um “não-assunto”, perfilando-se ao lado do Sr. Ministro e do Governo.

 

Que lástima Sr. Presidente, que falta de senso e carácter!

 

Não se espere que isto melhore, não existe ninguém que tome uma atitude firme e séria, o mixordês avança, afasta cada vez mais a Língua Portuguesa da sua matriz culta indo-europeia!

 

E para que se saiba que toda a gente sabe! Como deve ser! Já se passaram dez anos, tudo continua na mesma, apesar da gravidade e da verosimilhança das denúncias.

 

Isto tem de ter um fim, para bem de todos nós e do País que nem país é com este tipo de democracia, num “Estado de direito democrático”, frase muito ao gosto do poder político.

 

Portugal, é conhecido lá fora como sendo um país de brandos costumes, e onde os governantes não tomam decisões importantes, para corrigir o que está mal.

 

O “aborto ortográfico”, foi feito por meia dúzia de imbecis, à pressa e às escondidas, ao serviço dos propósitos políticos, ligados à maçonaria, e a ortografia portuguesa começou a ficar em farrapos. 

 

Os professores sob coacção, e não coação, (acto ou efeito de coar, os brasileiros assim escrevem) palavra muito utilizada pelo Sr. e pelos seus acólitos (jornais, televisões e outros meios de comunicação social) iniciaram nova aprendizagem dos vários dialectos, transmitindo-os às criancinhas em idade escolar, desprezando deste modo a Língua Portuguesa de Matriz Culta Indo-Europeia.

 

Desde 2011, está instalado o caos ortográfico em Portugal! e tudo isto podia evitar-se, desde que houvesse gente poderosa para o evitar.

 

Os idiotas, são sempre idiotas, não conseguem ver o que é óbvio, ou se o vêem fazem questão de não o ver, sentem-se realizados por uma coisa qualquer, a destruição do Património Cultural Imaterial de Portugal”, a Língua Portuguesa de matriz culta indo-europeia

 

Vejam, as palavras acentuadas na penúltima sílaba, como devem ser escritas e por via do “mortográfico” deixaram-no de o ser:

 

Como deve ser escrito está a negrito.

Entre parêntesis, por via do AO90 é como passou a ser escrito.

 

pára (para)

móveis (moveis)

úteis (uteis)

fácil (facil)

ordinário (ordinario)

miséria (miseria)

míssil (missil)

ágil (agil)

alcançável (alcançavel)

capitólio (capitolio)

 

Etc., etc., etc., etc., é impossível enumerar todas, pois só os idiotas, por serem idiotas, é que escrevem desta forma e obrigam a escrever aos demais!

 

Um país em que a classe política da “república das bananas” pactua com estas anomalias vai destruindo a LÍNGUA Portuguesa de matriz culta indo-europeia muito rapidamente e em força.

 

O que se pode chamar a isto, senão uma absoluta incompetência?

 

Na nossa opinião, seria matéria clara para o Tribunal Constitucional, mas como acreditar, se ele próprio escreve em “mixordês”?

 

Não convém esquecer a violação grosseira, cometida com requintes de bestialidade primitiva, ao simples acto despótico da política.

 

Irrita haver gente favorável às modas, quando são as modas que conduzem o rebanho, e já basta o que basta, quanto mais ouvir os "méeee" concordantes.

 

Outro dos problemas do actual “aborto” é que grande parte dos seus paladinos não fazem a menor ideia de como aplicá-lo, precisamente porque é uma autêntica “mixordice”.

 

Confunde-se dicção com fonética, fixa-se a ortografia com base na fala apenas.

 

Em termos práticos, a tão apregoada mudança da língua (os defensores valorizam a mudança, confundindo mudança com evolução) começa a ser operada da má escrita para a fala, e não da fala para a escrita.

 

 

Só mesmo alguém muito poderoso e com coragem para enfrentar este grupelho sem escrúpulos é capaz de acabar com esta “lama” de vez!

 

O   esquema está tão bem montado e encruzilhado, que nem com um 25 de Abril idêntico ao que houve, se conseguiria deitar abaixo esta máfia!

 

Uma força muito mais poderosa do que a da ditadura do Salazar!

 

O único meio não seria começar a desvendar as trafulhices que levaram Portugal à ruína e também daí recuperar o dinheiro que foi roubado neste tipo de situações? Ou confiscar as empresas (jornais, TV e outras) que teriam recebido subornos ou ajudas por baixo da mesa e saber quem serão os próximos a serem denunciados?

 

Sr. Ministro, para terminar, Portugal será como o Sr. e a sua filial governativa querem que seja: pobre, moribundo, corrupto e traiçoeiro, e de um povo de emigrantes e sem valores.

 

Homenagem seja feita a Vasco Graça Moura, que tanto lutou contra “esta horda de imbecis[expressão dele].»

 

Amadeu M.

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:47

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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2021

«A Língua Portuguesa [património identitário de Portugal, destruído pelo AO90] também deveria interessar aos candidatos à Presidência»

 

«Será uma exigência a discussão da Língua Portuguesa e do AO90 nos vossos debates, caros candidatos à Presidência da República. Os Portugueses, de quem se dirão representantes, desejam-na (Maria do Carmo Vieira - Professora)

 

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«A Língua Portuguesa também deveria interessar aos candidatos à Presidência»

 

Por Maria do Carmo Vieira

 

Maria do Carmo Vieira.jpg

 

Todos os cidadãos têm o direito de ser esclarecidos objectivamente sobre actos do Estado e demais entidades públicas e de ser informados pelo Governo e outras autoridades acerca da gestão dos assuntos públicos. N.º 2 do Artigo 48.º da Constituição.

 

Em qualquer eleição que se realize, não há candidato que não justifique a sua candidatura, invocando o desejo de bem servir o país e o povo, ou que não alerte e incentive para a necessidade de, em democracia, ser benéfica a intervenção dos cidadãos porque forma de a sustentar e fortalecer. Palavras que conduzem ao significado etimológico de Política e que é, ou não, do conhecimento dos candidatos. Inicialmente, congratulámo-nos com a bondade dessas palavras, depois conhecemos a desilusão, mas na complexidade que caracteriza todo o ser humano, apesar de desiludidos, incitamo-nos continuamente a teimar, a recomeçar, como uma espécie de sobrevivência espiritual.

 

Redigido o preâmbulo, dirijo-me agora a todos os candidatos presidenciais cujos encontros a dois já se iniciaram nas televisões, em princípio, para que os cidadãos conheçam as suas ideias relativamente aos vários temas que caracterizam e tecem a vida de uma sociedade. Relevante será o papel dos jornalistas que moderam os debates e a quem se exige conhecer e estar atento a esses temas essenciais: saúde, educação, cultura, trabalho, migração, economia, política externa, etc. Forçosamente, incidirá a minha atenção sobre a Língua Portuguesa, património privilegiado em duas áreas íntimas entre si – Educação e Culturaque são substanciais no desenvolvimento de um país e na formação espiritual dos seus cidadãos. Duas mais-valias que não podem ser interpretadas na perspectiva do lucro imediato, mas a médio e a longo prazos.

 

Assim acontece com a Natureza que requer tempo para criar e que o Homem tem destruído, com uma rapidez estonteante, movido pela ganância do lucro rápido, bem evidente na proliferação de culturas intensivas e na construção desenfreada, com a consequente destruição da biodiversidade e da extinção de espécies (serra de Carnaxide, barragens a eito para depois serem vendidas ou aeroportos sem um sério estudo de impacto ambiental …), numa miríade de exemplos que poderiam ser identificados.

 

Mencionar a Língua Portuguesa, património identitário que “gerações dos nossos maiores” pacientemente trabalharam, enriqueceram e valorizaram, implica forçosamente pensar na sua ortografia, relíquia que nos conta a história das múltiplas influências geográficas e linguísticas, ao longo dos tempos. Uma ortografia que disputas políticas, negociatas, sucessivas aventuras e irresponsabilidades várias têm vindo a lesar impunemente. E chegamos ao cerne da questão: o Acordo Ortográfico de 1990 que nos foi imposto e cuja discussão nunca foi abertamente feita, com a lamentável cumplicidade da Comunicação Social, na sua generalidade, que se tem recusado abordar o tema quando nesse sentido contactada.

 

Senhores candidatos à Presidência da República, tendo em conta os ideais democráticos que vos orientam, ou deveriam orientar, e o respeito pela Constituição, no dever de defesa e de preservação do nosso património cultural (artigo 78.º, n.º 1) em que se integra a Língua Portuguesa, será intolerável que não discutam, nos debates em que intervirão, e a par de outros temas, a polémica que se arrasta há anos relativamente ao AO90 (independentemente de serem a favor ou contra) e cujas nefastas consequências são visíveis no dia-a-dia, com uma repercussão fortemente negativa na qualidade do Ensino e da Cultura.

 

São indesmentíveis a instabilidade e o caos que este acordo trouxe, e não há quem não os presencie, seja na aplicação dos hífens ou na existência das facultatividades ou na supressão de acentos, ou nas novas palavras, como “receção” ou “conceção”… que em flagrante contrariam a impossível “unidade ortográfica” ou ainda na avalancha diária de “corrutos”, “sutis”, “núcias”, “patos”, “impatos”, “contatos”, “convição”, “batérias”, “infeciologia”, “fatos”, “putrefato”, “manânimo”, exemplos que se desdobram numa listagem infindável de palavras inventadas que a Associação Portuguesa de Tradutores, entre outros, tem rigorosamente registado. A própria pronúncia das palavras está a ser atingida por esta voracidade e por isso mesmo ouvimos amiúde, na televisão e na rádio, a euforia de “infeção” (com a vogal fechada) e “infeciologia” (aqui com o “e” aberto, mas falhando um “c”, ao arrepio das próprias regras deste acordo que o mantém porque “pronunciado”).

 

Tendo ainda em conta que:

 

  1. Os portugueses são, na sua maioria, contrários a este AO, e manifestaram-se não só na Petição “Manifesto contra o Acordo Ortográfico”, cujo primeiro signatário foi Vasco Graça Moura, e que entre 2008 e 2009 reuniu mais de 120 mil assinaturas, mas também na Iniciativa Legislativa de Cidadãos Contra o Acordo Ortográfico (ILCAO), entregue na AR em Abril de 2019, com mais de 21 mil assinaturas, sendo os sucessivos atrasos e adiamentos na sua discussão inaceitáveis, mesmo tendo em conta o ano atípico que se viveu em 2020;

 

  1. Os próprios mentores do AO90, do lado português e brasileiro, afirmaram, respectivamente, “ser sensível”, entre outros aspectos polémicos, “à não acentuação do verbo parar, admitindo o recuo” - Prof. Malaca Casteleiro, e Evanildo Bechara que “O Acordo ortográfico não [tem] condições para servir de base a uma proposta normativa, contendo imprecisões, erros e ambiguidades” (2008);

 

  1. A opção pelo “critério da pronúncia”, que subjaz a este AO90, não é científica e põe em causa o carácter normativo da ortografia, traduzindo igualmente um evidente menosprezo pela vertente etimológica, como se pode verificar no texto da “Nota Explicativa ao Acordo Ortográfico de 1990”;

 

  1. O processo desenvolvido pelo poder político ignorou a totalidade dos pareceres negativos de especialistas e entidades consultadas pelo Instituto Camões (25 em 27), relevando-se os pareceres muito críticos da Direcção-Geral de Educação do Ensino Básico e Secundário (1990) e o da Associação Portuguesa de Linguística (2005) cujo conteúdo só foi desvendado aos portugueses, em 2008, e porque solicitado;

 

  1. O parecer da Comissão Nacional de Língua Portuguesa (CNALP) ao anteprojecto do AO (1989) foi arrasador. Órgão consultivo do Governo, estranhamente foi extinto em 1992. Era seu presidente o Professor Vítor Aguiar e Silva que então afirmou: “Há pontos escandalosos do ponto de vista técnico-linguístico, como o da facultatividade ortográfica, que coloca grandes problemas de natureza pedagógico-didáctica.” Insigne estudioso da Cultura, da Língua e da Literatura Portuguesas, Aguiar e Silva recebeu a edição do Prémio Camões de 2020 tendo afirmado: “O novo acordo ortográfico tem normas que necessitam urgentemente de uma revisão. A sua aplicação resulta numa língua desfigurada nas suas raízes latinas e românicas”;

 

  1. A história do processo relativo ao AO90, desenvolvida com a participação activa de Governos e da Assembleia da República, deveria ser honestamente recontada. Não só o Tratado Internacional foi gravemente ferido no seu conteúdo com a aprovação do Segundo Protocolo Modificativo (2004), definindo a entrada em vigor do AO90 com a ratificação de apenas 3 Estados, em lugar dos 7 anteriormente apontados, como é inadmissível a confusão de datas que baralham diferentes momentos do processo. Para uma melhor compreensão dos dois aspectos mencionados, aconselha-se a leitura de dois artigos do jornalista Nuno Pacheco que, rigorosa e aturadamente, se tem envolvido nesta causa: “A ortografia do português e a estranha história do prédio pintado de roxo” e “Querem datas giras para duvidar da validade do Acordo Ortográfico? Aqui vão algumas”.

 

Creio, na base do que enumerei, repetindo vozes em número infindável, que será uma exigência a discussão deste tema, nos vossos debates, caros candidatos à Presidência da República. Os Portugueses, de quem se dirão representantes, desejam-na.

 

Termino com palavras de António Emiliano, conhecendo as nefastas experiências dos professores com o uso forçado do AO90 e certa de que serão também motivo de reflexão: “A ortografia não é apenas património cultural do Povo português […] é a ferramenta que dá acesso a todas as áreas do saber. A estabilidade ortográfica é um bem que importa preservar: pôr em causa a estabilidade ortográfica é atentar contra a qualidade do ensino, contra a integridade do uso da língua e contra o desenvolvimento cultural e científico do povo português.

 

Fonte:  https://www.facebook.com/groups/178207905663865/permalink/1864409907043648/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:31

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Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2021

«Vasco Graça Moura, a CPLP e o… Português»: «(…) a melhor maneira de projectar a Língua é acabar, pura e simplesmente, com o Acordo Ortográfico»

 

Trago-vos, hoje, um texto oriundo de Angola, publicado no dia 03 de Janeiro de 2021, no Folha 8, que se apresenta como um jornal Angolano, livre, independente, de informação geral e comprometido com a verdade. Folha 8, mais do que um jornal, a liberdade!

 

Um texto que recomendo vivamente a todos os que abominam o AO90 que, «Segundo o escritor [Vasco Graça Moura] (…) é um atentado criminoso contra a língua portuguesa tal como se fala em Portugal, Angola, Moçambique, na Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. É um atentado que tenta desfigurar completamente a língua e é absolutamente irresponsável da parte de quem negociou e da parte de quem o aprovou».

 

Como é revigorante ler um texto em Português, escrito tão escorreitamente! Em Portugal, a Língua Portuguesa, está moribunda, de tão maltratada, de tão espezinhada, de tão vilipendiada, de tão apoucada, como os apoucados que a querem destruir! Mas, em Angola, ela está viva e goza de muito boa saúde! Obrigada, Angola!

Que vergonha, Portugal!

Isabel A. Ferreira

 

Vasco Graça Moura.jpg

 

«Como o Folha 8 escreveu hoje, o Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural distinguiu o gestor e jurista Emílio Rui, cujo percurso profissional “constituiu um expressivo exemplo de cidadania cultural”. Vasco Graça Moura nasceu no dia 3 de Janeiro de 1942 e morreu em 2014.

 

Consultar a notícia neste link:

https://jornalf8.net/2021/premio-vasco-graca-moura-cidadania-cultural-distingue-rui-vilar/

 

Emílio-Rui-Vilar_200x250.jpg

Fonte da imagem: https://www.regiaonline.pt/l/premio-vasco-graca-moura-da-estoril-sol-distingue-gestor-e-jurista-rui-vilar/

 

«Vasco Graça Moura, a CPLP e o… português»

 

(Nota: os excertos a negrito são da responsabilidade da autora do Blogue)

 

«Vasco Graça Moura considerava que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) era uma espécie de organização fantasma, “que não serve para rigorosamente nada”, a não ser “ocupar gente desocupada”.

 

“O Instituto Internacional da Língua Portuguesa não está em funcionamento porque nenhum dos países membros da CPLP lhe dá meios para o fazer”, disse em Julho de 2010 o escritor e também poeta, a propósito da VIII Cimeira de chefes de Estado e de Governo da CPLP.

 

“Isto corresponde a uma coisa chamada CPLP, que é uma espécie de fantasma que não serve para rigorosamente nada, que só serve para empatar e ocupar gente desocupada”, acrescentou na altura em declarações à Lusa. Para o escritor, o IILP “é uma entidade fantasma criada dentro de outra entidade fantasma.”

 

“Não se nota que exista qualquer espécie de política da língua da parte do Governo português e nota-se, da parte da mesma entidade, uma enorme estupidez na forma de tratar a língua, no que diz respeito ao Acordo Ortográfico”, disse o escritor.

 

Vasco Graça Moura, que foi uma das vozes contrárias ao Acordo Ortográfico por considerar que este tem deficiências e erros que lesam o Português, considerava que o Governo estava a cometer um crime contra a língua portuguesa.

 

“Os crimes que este Governo está a cometer e está em vias de cometer em relação à língua diz respeito ao Acordo Ortográfico. Portanto, não há política de língua digna deste nome. Há uma série de equívocos em que este Governo está a persistir”, sublinhou.

 

Segundo o escritor, “o acordo ortográfico é um atentado criminoso contra a língua portuguesa tal como se fala em Portugal, Angola, Moçambique, na Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.”

 

“É um atentado que tenta desfigurar completamente a língua e é absolutamente irresponsável da parte de quem negociou e da parte de quem o aprovou”, disse.

 

“As pessoas falam português em qualquer parte do mundo e se entendem, seja no aspecto familiar, cultural, negocial, diplomático, isso nunca prejudicou ninguém (o facto de não haver um acordo ortográfico)”, referiu.

 

Graça Moura sublinhou também a importância dos países africanos lusófonos na projecção do português no âmbito internacional, além de Portugal e Brasil.

 

“Basta considerar o número de habitantes de todos os países que falam a língua portuguesa, não apenas o Brasil, não apenas Portugal. Se considerarmos os países africanos de língua portuguesa, temos mais 50 milhões de pessoas, pelo menos, a falar português”, indicou na altura.

 

Para Graça Moura, nunca foi preciso um Acordo Ortográfico para a projecção internacional do português.

 

A projecção do português pode passar pelas organizações internacionais, pode passar pela promoção da cultura da língua, pela promoção da aprendizagem. Neste momento, a melhor maneira de projectar a língua é acabar, pura e simplesmente, com o Acordo Ortográfico”, concluiu.

 

Recordemos Amélia Mingas

 

No dia 21 de Julho de 2009, a directora executiva do Instituto Internacional de Língua Portuguêsa (IILP), Amélia Mingas, disse que não iria recandidatar-se ao cargo em 2010, alegando que estava “cansada de ser sacrificada”.

 

Bater com a porta é, nestes casos, uma boa solução. Na altura esperava-se que o barulho fizesse algo pela comunidade lusófona (algo mais do que a mera CPLP), acordando-a da longa, mas bem nutrida, letargia em que ainda hoje se encontra.

 

“Tudo o que poderia ter dado já dei, com muito sofrimento e com muitas noites sem dormir para tentar ver o que poderia ser feito para dar visibilidade ao IILP. A única coisa que se comenta é que o IILP não fez nada e que é inoperante. Mas nunca deram meios”, afirmou a linguista angolana, nomeada em 2006 e reconduzida em 2008.

 

Também nós somos dos que dizem que o IILP é, tal como a própria Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, um elefante branco anestesiado pelas sucessivas tentativas de o tornar ora cor-de-rosa, ora laranja, ora outra coisa qualquer.

 

Isso não significa, nem significou como o Folha 8 escreveu em 24 de Maio de 2016, uma crítica a Amélia Mingas, a não ser que deveria (exactamente porque nunca lhe deram meios) ter há muito dado um valente murro na mesa ou, talvez, até na chipala dos que se julgam donos da CPLP.

 

Amélia Mingas comentava nessa data os resultados da 14ª Reunião do Conselho de Ministros da CPLP, que decorreu na Cidade da Praia, em Cabo Verde, em que foi decidido criar um grupo de trabalho para pensar a refundação do Instituto, criado em 1989.

 

Questionada sobre se a perspectiva de Angola assumir a presidência da CPLP em Julho de 2010 poderia trazer benefícios para a direcção do IILP, Amélia Mingas foi clara na resposta: “Quando tudo isso for aprovado e capaz de ser posto em acção, já não estarei cá. Termino a minha comissão em Julho do próximo ano. E não me recandidato.”

 

Amélia Mingas sabia, melhor do que todos nós, que a refundação nada mais significaria do que a constatação do óbito do Instituto Internacional de Língua Português. Isto porque, ao esperarem que ele sobreviva sem “comer”, vão verificar que quando estava já a saber viver sem “comer”… morreu.

 

“Tem sido uma travessia difícil. A verdade é que, quer se queira ou não, o IILP tem uma directora executiva, que o representa e que dá a cara sempre que necessário, mas nunca se fala dos meios que lhe puseram à disposição. Foi uma missão muito ingrata”, sustentou.

 

Para Amélia Mingas, só os ministros e responsáveis da CPLP poderiam explicar a razão da criação de um grupo de trabalho vinte anos após a fundação do IILP.

 

“Essa resposta os ministros é que poderão dar. Eles saberão por que razão só agora estão preocupados com isso”, sublinhou, defendendo que esse trabalho deveria ter sido feito “antes da criação do próprio Instituto” e retomado mais tarde após a fundação da CPLP, em 1996.

 

“Como foi possível durante esse tempo todo deixar o IILP ao abandono? Não se pagam quotas, não se criam fundos para a comissão trabalhar, não se criam as comissões nacionais que deveriam trabalhar para a Língua Portuguesa em diálogo com o Instituto…”, criticou.

 

“Podem fazer-se mil projectos, mil propostas de refundação do IILP, mas se não se derem os meios financeiros para que realize tudo o que está pensado, um milhão de directores vão ter sempre o mesmo problema”, disse Amélia Mingas, adiantando que o orçamento de 190 mil euros voltava a servir unicamente para garantir o funcionamento do Instituto, que tem a sede na Cidade da Praia, em Cabo Verde.»

 

Fonte:  https://jornalf8.net/2021/vasco-graca-moura-a-cplp-e-o-portugues/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:02

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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2020

«Quem acode ao “mayday” (*) do AO90?»

 

Um texto do Professor (aposentado) Manuel Alte da Veiga, de leitura absolutamente obrigatória, para se ficar com a noção do tamanho do crime que o AO90 constitui, e do qual já Vasco Graça Moura tinha dado conta. Aliás, todos os que têm um cérebro saudável e activo sabem e gritam isso mesmo. Apenas as mentes mirradas teimam no erro.

Mas fiquemos com o que nos diz Manuel Alte da Veiga.

 

Vasco Graça Moura.jpeg

 

Por Manuel Alte da Veiga

 

«Quem acode ao “mayday” (*) do AO90?»

 

«O grito até aumenta, mas parece que as pessoas andam perdidas sem saber o que fazer. O temerário voo do AO90 espalhou destroços por toda a parte. Chega-se a preferir que os gritos se cansem ou morra de tristeza e desespero quem na verdade quer alertar para essa poluente combustão sob montes de lixo, que revolta e entristece quem vê as fagulhas traiçoeiramente corrompendo a riqueza da Língua Portuguesa.

 

Faz parte do renascido movimento dos iconoclastas: contra os símbolos de importantes momentos da História, desde os mais nobres aos mais condenáveis. Capazes de destruir tanto a história de Luther King como a dos campos de concentração. Capazes de vandalizar a assombrosa obra de arte que une todas as pessoas do mundo: a linguagem.

 

Faz parte do poluente fogo lento que facilitou a Covid-19: ninguém é responsável de nada, porque se destruiu a noção de trabalho responsável – e que o trabalho de cada pessoa é sempre devedor do ambiente natural e humano que herdámos para dele cuidar.

 

Covid-19 exibiu a destruição das qualidades do ar, da terra e de tudo o que é vivente, aniquilando as forças espirituais que impulsionam e unem a Humanidade. E assim se destrói o sentido e a beleza da nossa Língua.

 

Quando a gente se submete de mão beijada, cada vez mais essa mão nos obriga a fazer assim ou assado, a falar «achim ou achado», a pagar gabinetes, material novo mas pior… de tal modo «achim» que se fica mesmo «assado»…

 

Muita gente bem-pensante condenou o AO90. Poucos se manifestaram. Podiam ao menos deixar de assinar a subserviente (vendida?) imprensa e apoiar a imprensa livre e consciente da sua função cultural.

 

Mas há quem só assine ou compre jornais e livros no Português que já era um hábito adquirido pacientemente e que foi o primeiro grande passo na alfabetização da grande maioria dos portugueses e na publicação significativa que projectou  a cultura nacional. Recorde-se, porém, que o AO45, ao preocupar-se sobretudo com uma grafia única oficial, não soube atender à dimensão cultural, histórica e racional, provocando um sério golpe na riqueza e na afinidade europeia da Língua Portuguesa – e serviu de mote aos «novos reformadores».

 

E por que é que as universidades, incluindo a católica, se apressaram a seguir uma proposta cientificamente errada e legalmente incorrecta? Por interesse de contrapartidas? Para se mostrarem aliados do Poder? Ou para atrair e facilitar o «intercâmbio cultural» especialmente com o Brasil? Ou para desculparem a ignorância dos próprios professores? Entre outros casos, lembro uma aula de Filosofia da Educação, que dava a alunos de Física e Química via Ensino: ao entrar, preparei-me para apagar o que o professor anterior tinha escrito no quadro, mas os alunos pediram para ler o que estava escrito - um ror de erros de ortografia e sintaxe.

 

O Presidente da República falou contra o irresponsável apetite de se mudar volta e meia o currículo escolar, quando não o próprio sistema educativo. Por que será que os Estados querem dominar ditatorialmente os sistemas educativos? Será por honesta defesa da cultura?

 

Também disse o nosso Presidente que o após Covid seria o tempo para mudar o que está mal. Porém, nem sequer discute o «crime cultural» provocado pelo AO90. De que tem medo? De «mais uma mudança»? Na verdade, o AO90 foi sobretudo a mortificação da vitalidade da nossa Língua e a conjunção de interesses de promoção pessoal (sem cabal justificação científica) com interesses económicos (perfeita oligocracia).

 

O Governo até podia tomar uma decisão (parece mas não é brincadeira): reconhecer que no espaço nacional (e naturalmente nos espaço lusófono, sem imposição de «acordos»), há dois principais níveis de Língua: o CULTO e o POPULAR; ou OFICIAL e COMUM. No segundo, a grafia poderia ser dupla, admitindo a omissão da primeira consoante dos grupos consonânticos PT (PÇ), CT (CÇ)… (Uma espécie de coabitação entre o Português e o Brasileiro, como acontece entre o Inglês e o Americano).

 

À medida que me pus a aprofundar a etimologia das línguas indo-europeias e particularmente da linhagem greco-latina, verifiquei que desde há séculos se dá a tendência para eliminar a primeira consoante desses grupos. Contudo, a consoante representativa do radical é justamente a primeira – pois o T apenas indica ter-se feito a derivação através do «supino», forma verbal que praticamente indica estar «feita» (supino irregular de «fazer») a acção implicada no verbo. A tendência geral parece ser a de suavizar ou eliminar as consoantes mais duras.

 

Acresce que muita gente culta ou estrangeira pronuncia, com maior ou menor ênfase, essas temerosas consoantes. Serei obrigado a deixar de pronunciar excePto, aCto, inseCto, deteCtive, eleCticidade, óPtica, deteCtar, adoPtar, espeCtáculo, entre quase a lista inteira de palavras infantilizadas? Ganhei o hábito de não pronunciar o P em óPtimo ou em recePção, mas pronuncio oPtimizar e não desejo que as recePções sejam recessões…

 

O facto de coexistirem a «língua de feirantes» (pragmática e normalmente mutável) e a «língua culta», atenta à riqueza semântica e à precisão dos conceitos e da gramática, cuja estabilidade protege a história e etimologia comum (a arqueologia cultural) da família greco-latina, é uma das razões principais para manter a grafia culta – e cultamente consciente das variantes populares e das tendências fonéticas.

 

A formação dos professores de Línguas só se revelou um sucesso naqueles que se sentiam vocacionados para tal, e, portanto, capazes de persistente esforço para que tanto a formação na especialidade como na cultura geral se enriquecesse com os condimentos de reflectida pedagogia. Os ramos educacionais afastaram-se demasiado dos departamentos ou faculdades da especialidade. O ensino da Língua Portuguesa exige que «a aula aconteça», como dizia Sebastião da Gama: o que só é possível quando se cria um ambiente de entusiasmante descoberta das suas virtualidades e segredos, entre as quais o jogo das palavras do ponto de vista fonético, morfológico e sintáctico. E sem humilhação pelos «erros»: estes dão azo a aprofundar a alma da Língua e exemplificam as tendências e virtualidades fonéticas, cuja possível diversidade exige, por motivos racionais e estéticos, a defesa dos radicais comuns. Só assim a família das palavras aponta para o conjunto das importantes experiências humanas nelas reveladas, fortificando a ideia central ou núcleo.

 

É verdade que o Brasil publica muito mais obras científicas (sobretudo traduções directamente da Língua original) e entre elas os primeiros dicionários etimológicos da Língua Portuguesa (mas tenho um dicionário que anota, no prefácio, seguir o português que é falado na região sob a influência cultural da cidade de S. Paulo…). Como grandes obras no domínio das ciências da Educação, Psicologia e Sociologia, Religião e Teologia… Se no ensino superior houvesse necessidade de uma obra alemã, teríamos que procurar a tradução no Brasil. Note-se que o Brasil pode escolher milhões entre milhões, é uma nação de influências diversas, por migração ou contágio geopolítico, além de uma cultura autóctone com riqueza cultural muito diversificada. Será que os portugueses, para se orgulharem deles, têm que passar a escrever e falar como eles, ou vice-versa? A Língua Portuguesa nasceu e continua a enriquecer-se sob a influência dominante de grandes ramos do indo-europeu e da situação geopolítica da Europa.

 

Mas nem o Houaiss («traduzido» para português por Malaca Casteleiro), nem o dicionário da Academia das Letras ou Lello ilustrado… se preocupam com uma verdadeira introdução ou prefácio sobre o fenómeno linguístico. Nos «bons» dicionários de inglês, francês, espanhol, alemão… encontramos «a alma» da respectiva língua, a sua evolução e tendências, ligação com línguas da mesma origem, etimologia com exemplos apelativos, etc. Abordam a questão dos sinónimos e antónimos, bem como a formação das palavras. Sem estas componentes, ignoramos o valor próprio de cada palavra – reflexo das referidas experiências humanas; e arriscamo-nos a usar sons como quem papagueia ou quase como irreflexo «ladrar». Por outro lado, pertence ao dicionário incluir mais do que excluir – como expressões familiares ou regionais (tá, tamém,  atão…). E porquê deixar de incluir vocábulos e locuções estrangeiras? Seremos menos dotados do que os nacionais desses países? Locuções latinas, gregas, francesas, inglesas…

 

 E porquê o belequendeque, viquingue (se até já recuperámos o k,w,y!), estoque e o disparatado mídia? Ou apresentar o vocábulo «Bus» como derivado do inglês «bus», ignorando a interessante e enriquecedora história de «omnibus» e cometendo erro científico? Outro importante porquê: em Portugal, não deveríamos exigir legendas e instruções no Português que nos compete aprofundar em vez de infantilizar?

 

A informática veio naturalmente (mas também perversamente) responder à nossa apetência pela velocidade, rapidez em ser o primeiro, a ficar-se por um simples toque ou com ícones da mais sumária simbologia, por vezes sem ar nem graça (como os ícones da Universidade do Minho, destruindo resmas de papel com o «brasão» de Braga, tão rico de simbologia e história). E quem aprecia o prazer de rever o que escreveu, atendendo à exactidão e beleza da Língua? Prevalece o mais fácil, o que não precisa de ser pensado, os likes ou cruzinhas… em total sujeição ao que um grupo de poder nos impõe – com bom senso? Honestidade? Fundamentação científica?...). Ao dactilografar, já nos é apresentada a frase mais provável. Isto é: não pense, deixe-se ir…

 

A grande revolução actual no campo da comunicação irá provocar mais desentendimentos, obscurantismo, ignorância… se não estabelecer uma base firme, assente nas «primeiras pedras» de cada cultura. Esta base é que garante a continuidade no tempo. Por outro lado, permite compreender e descobrir como tirar partido, racionalmente, dos modos tão diversos e criativos que enriquecem a comunicação. Estes modos de comunicação ainda não apareceram devidamente referidos, catalogados e explorados – e apresentados no prefácio de bons dicionários.

 

A linguagem do povo de cada nação tem que ser reconhecida oficialmente. Mas os dicionários, bem como as obras didácticas, não deveriam estar submetidos a parlamentos ou coisa do género. Quantos parlamentares estarão no hemiciclo apenas para votarem no líder ou líderes do partido? Se fossem mais cultos ou honestos, seriam perigosos para a política dominante (reproduzindo a estratégia de que é mais seguro mandar com a ignorância ou preguiça dos outros).

 

Que dizer de uma democracia não assente na cultura e honestidade de um povo? Que dificulta a criatividade e o próprio desenvolvimento económico, por meio de aberrante burocracia, manipulada educação e desconfiança de quem pensa e quer servir o maior bem geral com genuína liberdade?

 

 Manuel Alte da Veiga, Aveiro, 2 de Agosto de 2020.»

 

***

 

(*) Para quem não sabe: “mayday” é uma palavra-código para emergência. É usada em todo o mundo nas comunicações emitidas por tripulantes de aeronaves ou de navios, quando estão em situação de risco. Faz parte do Código Internacional de Sinais e do Código Fonético Internacional. 

 

Nota biográfica de Manuel Alte da Veiga

 

1- Nasceu em Mogofores (Bairrada), 4 Janeiro 1941. Casado. Três filhos.

2- Formação secundária e superior em instituições da Companhia de Jesus, tendo organizado vários eventos de índole científica e social.

3- Licenciado em Filosofia (1965) e Filosofia e Humanidades (1978).

Curso da licenciatura em Psicologia Clínica na Universidade Católica de Lovaina (Bélgica) (1972-1976), como bolseiro do Instituto de Alta Cultura.

4- Doutorado em Educação (Universidade de Aveiro, 1986), tendo preparado o doutoramento, como bolseiro, no Institute of Education da Universidade de Londres.

5- Professor Associado de nomeação definitiva, no Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho.

6- Professor Agregado em Ciências da Educação, por unanimidade, pela Universidade de Coimbra (2003).

7- Aposentado em Outubro 2005.

8- Fundou e organizou os Departamentos de Ciências de Educação das Universidades de Aveiro (1976) e Vila-Real (1988). Pertenceu à direcção e Conselho científico de dois Centros de Formação de Professores e de outros Institutos Superiores. Formador de Professores em exercício. Pertenceu à direcção de Associações de Pais e de sindicatos de professores, colaborando desde 1976. Várias vezes director de departamentos de Educação/Pedagogia (5 anos em Aveiro, 3 anos na UTAD e 5 anos em Braga).

9- Prática em Jardins de Infância, Ensino Básico e Secundário, tendo leccionado Português, História, Psicologia, Filosofia, Latim e Grego. No Ensino Superior, leccionou várias disciplinas no domínio da pedagogia, psicologia e filosofia. Responsável de História e Filosofia da Educação e do mestrado em Filosofia da Educação, orientando várias teses de mestrado e doutoramento (sobretudo na Universidade do Minho, 1990-2005).

10- Formador (registo CCPFC/RFO-09853/00) em Educação Comparada, Filosofia da Educação, Educação e Valores, Educação Multicultural.

11- Desde a aposentação, colabora com várias universidades e institutos superiores (públicos e particulares) e mantém a actividade científica.

12- Foi Bolseiro do Instituto de Alta Cultura, da Direcção Geral do Ensino Superior, da Fundação C. Gulbenkian, do Instituto Nacional de Investigação Científica, Erasmus e Instituto de Inovação Educacional (na Bélgica, UK, Alemanha, Dinamarca, EUA).

13- Membro de várias sociedades científicas, nomeadamente Philosophy of Education Society of Great Britain (1982 - primeiro membro português).

14- Trabalhos científicos publicados em revistas diversas (particularmente na Revista Portuguesa de Pedagogia Revista Portuguesa de Filosofia); conferencista no país e no estrangeiro; colaborador em programas radiofónicos e em jornais.

15- No Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea (Academia das Ciências de Lisboa e Editorial Verbo, 2001), é citado diversas vezes, pelo menos nos seguintes vocábulos: alienar, catequese, compreensivo, despotismo, educação, ética, ético, finito, fundamentar, marxista, recusa, religião, religioso, rito.

No Dicionário de Filosofia da Educação (cord. Adalberto Dias de Carvalho, Porto Editora, 2006), artigos Obediência e Educação, Professor (perfil ético).

 

16. LIVROS PUBLICADOS:

Filosofia da Educação e Aporias da Religião. Lisboa: Instituto Nacional de Investigação Científica, 1988 (esgotado).

Vida, Violência, Escola, Família, Braga: APPACDM, 1998. (3ª ed. em 2003)

Um Perfil Ético para Educadores. Viseu: Palimage, 2004.

Obediência como matriz da autoridade. Porto: Estratégias Criativas. 2008.

Um Critério para a educação? Covilhã: Universidade da Beira Interior,  www.lusosofia.net 2009.

 

17. OUTRA COLABORAÇÃO:

17.1. Liturgia Pagã – um programa desde 1999, primeiramente publicado semanalmente no Correio do Minho e actualmente lançado no site Aveiro e Cultura. Procure no Google ou no seguinte endereço:

http://www.prof2000.pt/users/avcultur/altedaveiga/litpag000.htm

Neste endereço, encontram-se outros trabalhos e informações, nomeadamente:

Lições de Filosofia de Educação. Braga, 2009.

17.2. A árvore de Zaqueu, publicado na secção de «Espiritualidade» do Correio do Vouga.

 

Ver também:

«Mayday Mayday AO90!»

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:52

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Quarta-feira, 29 de Julho de 2020

Da importância do Livro e do acto de Ler (Bons livros escritos em Bom Português)

 

E tempo de férias, nada mais relaxante do que estar à sombra de uma árvore ou em qualquer outro recanto tranquilo, a LER um bom livro, de um bom autor, escrito ou traduzido em bom Português.

Nada de dar trunfos ao acordês, ou lucro aos que traíram Portugal.

Adquiram livros que rejeitem o AO90.

E viagem por um mundo onde as palavras têm asas…

Venham daí comigo…

 

LER.jpg

 Origem da imagem: https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=933630530487736&id=100015223923324

 
 
© Isabel A. Ferreira 2008
 

 

«Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive»  (Padre António Vieira)   
 
 

Livraria Lello.jpgLivraria Lello (Porto) - A Catedral do Livro (Origem da imagem: Internet)

 
Os livros são barcos que dão para muitas viagens.
 
LER é, pois, como viajar num barco e ir a muitos lugares, onde nos é permitido viver uma infinidade de aventuras.
 
LER é entrar na Máquina do Tempo, que nos transporta a todos os tempos. Até ao início do mundo, passando por todas as épocas, por todos os lugares, por todas as gentes. Até às mais longínquas galáxias do universo. Se tivermos IMAGINAÇÃO.
 
Quando somos crianças gostamos que nos contem histórias.
Mia Couto, um prestigiado escritor moçambicano, que também gosta de ler, costuma dizer que ao ler «recuperamos as histórias da nossa infância». Para ele, LER «é uma caixa de tesouros que não encontramos em mais lado nenhum. Devemos ler para podermos contar histórias».
 
Daniel Sampaio, escritor português – que é também psiquiatra, irmão do nosso ex-Presidente da República, Jorge Sampaio – sobre os livros diz-nos: «Os livros são para podermos IMAGINAR».
 
Vasco Graça Moura – poeta e escritor também português – escreveu este belo texto, acerca dos livros, que passo a citar:
«Há livros que são mágicos.
Abrimo-los e é como se estivéssemos instalados num tapete voador das Mil e Uma Noites: transportam-nos através do tempo e do espaço;
Fazem vibrar aos nossos ouvidos os ecos fortes da História;
Põem-nos diante dos nossos olhos um fervilhar de gente;
Dão-nos a medida dos trabalhos e dos dias;
Mostram-nos as cores, as formas e os volumes das paisagens;
Penetram-nos no coração com os seus excursos mais prosaicos ou com os seus acentos mais líricos, tornando-nos possível fazer uma deambulação e vagabundagem com uma respiração diferente e mais livre, com um paladar de palavras feito que tem o perfume e o encorpamento de um vinho velho».
 
Paulo Filipe Monteiro, guionista, encenador e actor, diz do livro: «Um bom livro é uma viagem absorvente e nocturna para os espaços próprios da obra, para os seus mundos possíveis».
 
Fernanda Pratas (crítica literária) escreve: «LER é uma tarefa irrequieta. Envolve os sentidos todos, exige energia, mete-se com a nossa vida. Desata velhas emoções, inventa outras com um cheiro a novo que até faz doer, serena almas e inquieta-as outras vezes. Consegue o prodígio de nos dar saudades de pessoas que nunca conhecemos».
 
Teolinda Gersão (escritora) diz: «A leitura é isto: um sentido que se ilumina de quando em quando, mas que não nos é dado gratuitamente. Atravessamos um túnel, fazemos um certo esforço para chegar a qualquer lado e o lado onde chegamos é o sentido do livro. O Metro pode ser uma metáfora para isso: atravessa-se um túnel para se chegar a um lugar iluminado. A leitura não é uma coisa automática. Tem de haver um certo trabalho interior. Mesmo do leitor, porque lhe exige o esforço de se colocar na pele da personagem, vendo com os olhos dela».
 
Manuel de Pedrolo (escritor espanhol), defende os livros como a principal e insubstituível fonte de transmissão do saber.
 
E na opinião de Nelson de Matos (editor) «os livros ajudam-nos a decifrar o mundo e a conhecermo-nos a nós próprios ou, como disse o filósofo George Steiner (...) os livros são o santo e a senha para convertermos em melhor aquilo que somos. E “melhor” também quer dizer “menos sós”, mais solidários. Na medida em que busca um leitor (um interlocutor), um livro também nos ajuda a romper a solidão».
 
Arturo Pérez-Reverte, um dos escritores espanhóis mais lidos na actualidade, diz: «Nasci numa casa com uma biblioteca muito grande, cresci entre livros e descobri desde muito pequeno que os livros são uma explicação para o mundo. Quanto mais se lê mais vitaminas se tem, mais recursos se adquirem para enfrentar a vida, para sobreviver. E isso, para mim, foi decisivo».
 
O Livro é, pois, um companheiro fiel, um amigo, que nunca nos deixa ficar sós, em lugar nenhum.  
 
Através da leitura podemos imaginar mundos infinitos e imensos, e cada um de nós imagina esses mundos de um modo tão desigual quanto único; podemos criar as imagens, as paisagens, os rostos das personagens, de acordo com a nossa própria visão e modo de sentir as coisas, que são diferentes de pessoa para pessoa.
 
Podemos até cheirar os aromas que as histórias dos livros nos sugerem: como o da terra molhada; como o das flores; o do mar; o do suor das gentes que trabalham nos campos...
 
Podemos rir ou chorar, conforme a história nos diz da alegria ou da tristeza.
 
LER é também APRENDER. Quem não LÊ não APRENDE. Quem não APRENDE não SABE. E quem NÃO SABE é quase como quem NÃO VÊ.
 
LER é CONHECER uma infinidade de pessoas, umas inventadas, outras verdadeiras, em torno das quais giram peripécias vulgares ou invulgares que, de um modo ou de outro, enriquecem o nosso conhecimento do mundo.
 
Cada escritor é um escritor. Cada um tem as suas próprias vivências. Vê as coisas de um modo diferente, por isso, todos os escritores podem até escrever sobre um mesmo tema, imaginemos, por exemplo, que escrevem sobre o mar, mas esse mar será diferentemente descrito, porque os olhos de cada um vão olhá-lo de um modo absolutamente singular. E o mar, que é o mesmo, será então muitos mares.
 
Daí que quantos mais livros lermos, quantos mais escritores conhecermos, maior será também o nosso conhecimento do mundo.
 
Quem não LÊ não VIVE, nem as venturas, nem as desventuras, nem as aventuras da vida. Porquê? Porque a leitura, mais do que os filmes que vemos na televisão ou no cinema, isto é, mais do que todas as imagens, nos proporciona uma ligação íntima, só nossa, única, com o que cada um de nós tem de mais valioso, que é a nossa liberdade de pensamento, e essa liberdade ninguém, nem o mais feroz e audaz dos carrascos pode tirar-nos.
 
A LEITURA desenvolve a nossa IMAGINAÇÃO, a nossa CRIATIVIDADE, e também o nosso RACIOCÍNIO, se nos propusermos LER, quase como se mastigássemos as palavras, sorvendo, uma a uma, cada gota de sentido que a escrita nos oferece.
 
E como LER nos dá conhecimentos, muitos conhecimentos, LER é preciso, para nos tornarmos pessoas esclarecidas, porque: «Quanto mais esclarecidos forem os homens, mais livres serão», como disse Voltaire, um grande escritor e pensador francês que viveu no século XVIII.
 
E a LIBERDADE, que vem do nosso SABER, é o bem mais precioso que temos, é a coisa mais nossa que possuímos, porque nem que nos encerrem numa masmorra, ou nos condenem à escuridão de uma funda caverna, ninguém neste mundo pode destruir em nós essa liberdade.
 
Façamos então do LIVRO um AMIGO, um COMPANHEIRO para toda a nossa VIDA.
 
Além dele nos proporcionar uma liberdade infinita, far-nos-á companhia nem que seja na mais deserta ilha do nosso planeta, porque com um LIVRO estamos na companhia de um ESCRITOR; estamos com as PALAVRAS; estamos com as PERSONAGENS da história; podemos até entrar na história, se nos deixarmos levar pelas asas da nossa IMAGINAÇÃO, transformando-nos numa personagem.
 
LER, enfim, é viver muitas vidas; e quantas mais vidas vivermos, mais humanos nos tornamos; e quanto mais humanos formos, melhor será o mundo em que vivemos; e quanto melhor for esse mundo, maior será a harmonia do futuro. E hoje, mais do que nunca, é URGENTE acreditar num futuro mais promissor.
 
 
Isabel A. Ferreira
 
publicado por Isabel A. Ferreira às 18:16

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Sexta-feira, 26 de Junho de 2020

Quando os órgãos do Poder fazem orelhas moucas aos milhares de «intelectuais, académicos e Povo Português que se recusam a aceitar o "aborto ortográfico" que nos foi imposto sobretudo por políticos ignorantes…»

 

Mais um texto a contestar a monumental estupidez implícita na birra dos políticos ao manter o AO90, contra a vontade dos milhares de vozes que gritam e exigem a eliminação do “aborto ortográfico” que, com o tempo, vai ficando cada vez mais desfigurado, prontinho para atirar ao lixo.

 

Os políticos, com assento na Assembleia da República, são apenas 230, se a ele juntarmos o inclino de Belém, são 231 que, assentes na Lei do Quero, Posso e Mando, insistem no erro.

 

E (uma vez mais me repito) se errar é humano, insistir no erro é absurdamente insano.

 

Fiquemos, então, com o assertivo texto de Júlio Gago (Teatro Experimental do Porto - TEP), que subscrevo inteiramente.

 

Isabel A. Ferreira

 

Vasco.png

 

Por Júlio Gago

 

«Meio às escondidas, em pleno feriado da cidade do Porto, a Assembleia da República aprovou ontem, dia 24 de Junho de 2020, com os votos favoráveis do PS e do PSD e a abstenção do PCP e do Bloco de Esquerda (os restantes Partidos estavam ausentes do Plenário), um parecer da Comissão de Assuntos Constitucionais, elaborado pelo deputado do PS Pedro Delgado Alves sobre a suspensão do (dito) Acordo Ortográfico de 1990, elaborado pelo Malaca Casteleiro. Este projecto de Lei, entrado na Assembleia da República em 10 de Abril de 2019, obtendo o número 1.195, acompanhado pelas assinaturas de 20.669 portugueses, entre os quais eu me encontrava, foi reprovado com a alegação de que não poderia ser aprovado, pela Assembleia da República, por ser proposto e subscrito por não-deputados, o que denunciava uma inconstitucionalidade!...

 

Este Aborto Ortográfico, assim lhe chamo eu e muitos outros portugueses, não foi aprovado por Angola e Moçambique, foi aprovado e não implementado pela Guiné-Bissau e Timor-Leste, e vem sendo aplicado, não integralmente, pelo Brasil, que já tinha uma quota bem diferente com enormes alterações em relação aos Países restantes de Língua Portuguesa. Ora só poderia estar em vigor no caso de apenas dois Países não o implementarem. Portanto, é ilegal estar em vigor em Portugal...

 

Apenas o está, ainda a partir de agora, com a conivência arbitrária de dois Partidos e a abstenção de outros dois. O texto desse Aborto Ortográfico - 1990 põe em causa as origens da Língua Portuguesa, as normas com que falamos e a própria legislação; e tem características bem distintas dos anteriores Acordos Ortográficos.


Aproveito para lembrar o livro em que Vasco Graça Moura, em Abril de 2008, na Alêtheia Editores, lançou as bases da sua contestação, consubstanciada num conjunto de artigos publicados no Diário de Notícias, a que juntou a intervenção que fez, na conferência internacional promovida pela Assembleia da República em 7 de Abril de 2008. O Vasco Graça Moura esteve sempre na vanguarda desta luta contra esse chamado "acordo", prosseguindo-a até à morte, em 2014, no mesmo jornal e noutros órgãos e frentes culturais de defesa da Língua. Além de inúmeros artigos de outros intelectuais e figuras da Cultura de Língua Portuguesa, em Portugal e noutros Países com destaque para o Brasil, achei que deveria destacar este livro e este autor, pelo exemplo. Já que deverão ser deputados (será assim?) a subscreverem o Projecto de Lei será que não temos os suficientes para derrotarem uma Lei que só interessa a algumas editoras? Quando sabemos que uma grande percentagem dos intelectuais, dos académicos e do Povo Português se recusa a aceitar este "aborto ortográfico" que nos foi imposto sobretudo por políticos ignorantes...

 

Espero, ainda, por uma centelha de luz que os ilumine.


Termino com uma garantia: nunca votarei num Partido que seja favorável a esta monstruosidade acordista...


Em defesa da Língua Portuguesa, das suas origens históricas e de desenvolvimento, e em defesa da legalidade: NÃO AO ABORTO ORTOGRÁFICO...»

 

Fonte: 

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2606899339576837&set=a.2149589558641153&type=3&theater

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:23

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Quinta-feira, 12 de Março de 2020

«Delírios do Acordo»

 

Num momento em que anda tanta gente por aí "infetada" (lê-se inf'tádâ) e "afetada" (lê-se âf'tádâ) com um "português" que não é Português, vamos recordar o que nos diz Vasco Graça Moura (na imagem) e Hugo Picado de Almeida (num texto pitoresco, uma verdadeira lição para os ignorantes que urdiram um delírio chamado AO90), em mais uma tentativa de iluminar as mentes desalumiadas que,  talvez devido a uma pedra encravada num qualquer elo, não deixa a engrenagem cerebral funcionar plenamente,  porque não há meio de entenderem que o AO90 além de um monumental erro, faz parte daqueles atrasos de vida, que transformam a Ordem em Caos. E, como todos nós sabemos, o caos ortográfico está instalado em Portugal, mas não é para ficar.

É lamentável que o governo português se vergue aos ignorantes e demais criaturas quejandas, e não ouça a voz dos que sabem o que dizem e, fundamentalmente, por que o dizem…

 

Vale a pena ler.

 

VGM.png

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/TradutoresContraAO90/photos/a.645080985593573.1073741828.199515723483437/814867225281614/?type=3&theater

 

«Delírios do Acordo»

Texto de Hugo Picado de Almeida

 

É uma pena que o Acordo Ortográfico se tenha apostado em criar inimigos por toda a parte, e ninguém mais do que as próprias palavras pode desejar apanhá-lo num beco escuro, à saída de um bar numa noite de pândega bem demolhada, e numa emboscada cinematográfica enriquecê-lo com duas balas de cobre embutidas no bucho sem graça.

 

Já aqui falei sobre o Acordo Ortográfico, em que nada nem ninguém acordou coisa nenhuma. Isso parece-me evidente, tanto mais à luz das recentes notícias. Importa-me, agora, notar que o desacordo é mais grave do que poderá um leigo argumentar, dizendo que isso são coisas para os puristas se entreterem e os inocupados debaterem.

 

Podem dizê-lo e não os censuro por isso, pois que a culpa não é deles. A culpa é das mesmas gentes que compuseram e aceitaram o Acordo, esquecendo-se das origens da língua e atirando a etimologia, tão importante e tão interessante na forma como permite compreender passado e presente, o sentido das palavras e seus usos, e a racionalidade da escrita, para o caixote do lixo mais esquecido. A regra, como em tantas outras coisas, passou do perceber ao decorar.

 

Um arquitecto não é um arquitecto por acaso. Não é um arquitecto porque o Viriato ou o Sertório, num dia calmo em que não havia romanos para emboscar, decidiram que arquitecto soava bem com aquela que era a sua actividade, e poderíamos até felicitá-los por isso, pois assim ficariam livres outras palavras e sons para outras ocupações.

 

Um arquitecto é um arquitecto porque os gregos lhe chamavam arkhitektōn – como chegou aos gregos e sob essa forma já não sei, mas isso é um problema no qual não temos mão, ao contrário deste –, nascido de arkhi- (principal) e tektōn (construtor). É essa a razão pela qual o “c” faz falta antes do “t”, assinalando a filiação da palavra e também a abertura da vogal precedente, o “e”.

 

Oportunamente, afastava-se assim o «tecto» da «teta» (também do grego: thêta) — ou do «teto», seu sinónimo perfeito por alteração da palavra original.

 

O Acordo consegue, assim, a proeza de transformar o arquitecto, de construtor principal, em teta principal, e isso não nos deve passar despercebido. Afinal, faz uma pequena diferença. Eu, que tenho a teta em grande consideração, não gostaria porém de a ver desenhar uma casa. Inversamente, nunca me passaria pela cabeça fazer com o arquitecto aquilo que se pode fazer com a teta. Por respeito a ambos.

 

Hugo Picado de Almeida

 

Fonte do texto:

https://aliteracaoemh.wordpress.com/2013/04/05/delirios-do-acordo/ 

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 17:06

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Sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2020

«O novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, chamado Acordo Ortográfico de 1990, e respectivo 2.º Protocolo Modificativo parecem ser daqueles casos em que se dá um nado-morto»

 

«O Acordo do Desacordo» um texto do Doutor Tiago Matias, licenciado em Estudos Europeus (Faculdade de Letras de Lisboa).

 

Mais um texto com uma douta opinião desfavorável ao AO90, por aí espalhado, tal um “coronavírus” que atacou a Língua Portuguesa, a qual, por causa disso, se encontra moribunda e, consequentemente, em vias de desaparecer. E isto não é um exagero. Isto é uma realidade, porque estando a Língua impregnada de uma grafia estrangeira, o “portuguesa” já não tem razão de ser, e a Língua esvai-se ao dar lugar ao estrangeirismo. Tanta repulsa pelos anglicismos e galicismos, com aportuguesamentos de bradar aos céus, e tanto servilismo ao brasileirismo que afastou o Português da grande família linguística Indo-europeia.

 

Todavia, em Portugal, é assim: quantos mais pareceres desfavoráveis existirem em relação a determinadas questões, que não beneficiam Portugal (também é o caso do aeroporto do Montijo, entre outros), mais os que, insensatamente, (des)governam o nosso país, ignoram os sábios pareceres, fazem ouvidos de mercador aos que sabem o que dizem e porque o dizem, atropelam as leis, apenas para fazerem o jeito aos que, por trás disto tudo,  manobram os cordelinhos que fazem mover os fantoches portugueses.

 

Fiquemos, então, com a opinião do Doutor Tiago Matias.

 

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(Os excertos a negrito são da responsabilidade da autora do Blogue)

 

«O Acordo do desacordo»

 

«O novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, chamado Acordo Ortográfico de 1990, e respectivo 2.º Protocolo Modificativo parecem ser daqueles casos em que se dá um nado-morto.

 

Quando o poder político tenta enveredar pela “normalização” ou unificação gramatical os resultados tendem a ser catastróficos e, na questão linguística, assim se verifica. Este Acordo que já está em vigor em Portugal - ao contrário do que acontece por exemplo em Angola, que o rejeitou - sucede ao Acordo ortográfico de 1945 e aparentemente justifica-se pela sua utilidade e oportunidade. Ora o que ainda hoje se percebe, vários anos após reiterado debate público, é que utilidade não tem. Tende a abrasileirar o Português e na verdade nem sequer parece haver unanimidade no espaço lusófono para o implementar, pelo que é absolutamente desnecessário inclusivamente quanto à hipotética dimensão internacional, cuja argumentação foi usada em sua defesa, mas não colhe.

 

Em primeiro lugar parece-me claro e prudente considerar que nestas questões só em extrema necessidade se deve interferir na forma de comunicar dos falantes; e tal não se verificou. Depois é um terreno muitíssimo escorregadio, muito mais do que se possa pensar à primeira vista, mas que intuitivamente se compreende: os políticos mudam rapidamente e a sensibilidade e ciência linguística é morosa e quase sempre incompleta. Pelo que os decretos raramente funcionam nesta matéria.

 

Em segundo lugar, a espontaneidade muito viva, incontrolável e dinâmica do uso da nossa língua implicou que nem mesmo os eruditos de 1600 da Universidade de Coimbra se tenham metido por vias de controlo e padronização/normas. Isto é, no limite a língua evolui conforme o uso e altera-se com as novas palavras que os falantes lhe possam acrescentar por influências várias.

 

Daqui resultou na prática que passou a haver dupla grafia recorrente em numerosos vocábulos, como ação e acção, espetadores e espectadores, etc., e seria essencial o regresso do acento agudo como em “pára” do verbo Parar. Tal como se trava uma guerra sem quartel às consoantes mudas que, por diversas vezes não serem lidas, embora tendo todo o sentido na etimologia das palavras, foram abolidas. A balbúrdia instalou-se quando se tentava uniformizar.

 

E terão os decisores políticos pensado que passaria então a haver milhões de Portugueses que por terem aprendido a escrever na antiga ortografia poderiam não saber aplicar a nova norma? Foram colocados professores nas escolas à disposição da população de modo a que possam saber usar correctamente a língua escrita seguindo as novas regras ortográficas? Por muito boa vontade que haja, não se pode esquecer que as pessoas não nascem ensinadas e que antes de se obrigar se deve apoiar. Uma alteração desta magnitude assim o exigia.  

 

Importa referir que também na universidade os egos são muitas vezes a motivação que se sobrepõe à ciência. Porém, do professor doutor Malaca Casteleiro e sua obra, autor deste Acordo, não faremos considerações por ter falecido recentemente. Relembremos apenas que a linha de construção deste Acordo ortográfico foi desde logo firmemente criticada pela doutora Maria Alzira Seixo (correspondente da classe de Letras da Academia das Ciências), reputada catedrática de Línguas e Literaturas da mesma faculdade de Letras de Lisboa sem, contudo, obter sucesso, bem como por Vasco Graça Moura e muitos outros. Como se tem comprovado, por ser um Acordo “mais papista que o Papa”, com uma simplificação levada ao absurdo, a consequência continua a ser a confusão generalizada e a sua não-aplicação.

 

Assim se criou a situação caricata de muitos estudantes universitários, tradutores e jornais passarem a registar inúmeros textos que, por expressa opção dos autores, não seguem este Acordo. Das petições de cidadãos com milhares de assinaturas contra o mesmo e, finalmente, para corolário deste que foi um dos maiores disparates públicos das últimas décadas, a Academia das Ciências de Lisboa - instituição que congrega os especialistas eméritos das mais prestigiadas universidades portuguesas -, que não foi politicamente ouvida numa questão em que é o órgão nacional da especialidade, vem clarificar a sua posição em 2017 através do documento «Sugestões para o Aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa» exortando a que se aprimore o Acordo ortográfico “para fixar a nomenclatura do Vocabulário e do Dicionário da Academia”.

 

Haja coragem para terminar com o Acordo da discórdia, revogando-o se tal for juridicamente possível. Por estas razões também estas linhas não seguem o novo Acordo ortográfico que nada acrescenta à língua portuguesa.»

 

Tiago Matias, licenciado em Estudos Europeus (Faculdade de Letras de Lisboa)

 

Fonte:

https://www.linhasdeelvas.pt/noticias/opiniao/14913-o-acordo-do-desacordo.html

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 14:03

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Quinta-feira, 4 de Julho de 2019

«Os apátridas da Língua que nos governam»

 

«É como se estivéssemos condenados a escrever como se urrássemos em vez de falar.» (José Pacheco Pereira)

 

Mais um genial texto de José Pacheco Pereira, in Público, em 16/05/2015. Contudo, esta data bem pode ser a de hoje, 04/06/2019, porque os apátridas da Língua continuam a governar-nos (esperemos que por pouco tempo).

 

(Nota: os excertos a negrito e os sublinhados são da responsabilidade da autora do Blogue).

 

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Texto de José Pacheco Pereira

 

À memória do Vasco Graça Moura

 

«Não sei se são válidos ou não os argumentos jurídicos que discutem a data da aplicação efectiva do Acordo Ortográfico [AO], se nestes dias, ou em 2016. Isso não me interessa em particular, a não ser para registar a pressa suspeita em o aplicar contra tudo e contra todos. Mas uma coisa eu sei ao certo: é que o desprezo concreto do bem que ele pretende regular, a língua portuguesa, é evidente nessa mistura sinistra de inércia, indiferença e imposição burocrática com que se pretende obrigar os portugueses a escrever de uma forma cada vez mais abastardada.

 

Na sua intenção original, o Acordo pretendia ser um acto de política externa, uma forma de manter algum controlo sobre o português escrito pelo mundo todo, como forma de garantir uma réstia de influência portuguesa num conjunto de países que, cada vez mais, se afastam da centralidade portuguesa, em particular o Brasil. Se é um “acordo” é suposto que seja com alguém. No entanto, desse ponto de vista, o AO é um grande falhanço diplomático, visto que está neste momento em vigor apenas em Portugal, com promessas do Brasil e Cabo Verde, esquecimento em Moçambique, Guiné Bissau, S. Tomé e Timor-Leste, e recusa activa em Angola. Nalguns casos há protelamentos sucessivos, implementações adiadas e uma geral indiferença e má vontade. Para além disso, nenhuma implementação do AO, vagamente parecida com a pressão burocrática que tem sido feita em Portugal, existe em nenhum país, a começar por aquele que parecia ser o seu principal beneficiado, o Brasil. Ratificado ele foi, aplicado, não.

 

Mas com o mal ou a sorte (mais a sorte que o mal) dos outros podemos nós bem, mas ele revela o absurdo do zelo português num AO falhado e que nos isolará ainda mais. Onde os estragos serão mais significativos é em Portugal, para os portugueses, e para a sua língua. É que o Acordo Ortográfico não é matéria científica de linguistas nem, do meu ponto de vista, deve ser discutido nessa base, porque se trata de um acto cultural que não é técnico, e como acto cultural em que o Estado participa, é um acto político e as suas consequências são identitárias. Não me parece aliás que colha o historicismo habitual, como o daqueles que lembram que farmácia já se escreveu “pharmácia”, porque as circunstâncias políticas e nacionais da actualidade estão muito longe de ser comparáveis com as dos Acordos anteriores.

 

É um problema da nossa identidade como portugueses que está em causa, na forma como nos reconhecemos na nossa língua, na sua vida, na sua história e na sua proximidade das fontes vivas de onde nasceu: o latim. Não é irrelevante para o português e a sua pujança, a sua capacidade de manter laços com a sua origem no latim e assim comunicar com toda a riqueza do mundo romano e, por essa via, com o grego, ou seja, o mundo clássico onde nasceu a nossa cultura ocidental. Esta comunicação entre uma língua e a cultura que transporta é posta em causa quando a engenharia burocrática da língua a afasta da sua marca de origem, mesmo que essas marcas sejam “mudas” na fala, mas estão visíveis nas palavras. As palavras têm imagem e não apenas som, são vistas por nós e pela nossa cabeça, e essa imagem “antiga” puxa culturalmente para cima e não para baixo.

 

O AO é mais um passo no ataque generalizado que se faz hoje contra as humanidades, contra o saber clássico e dos clássicos, contra o melhor das nossas tradições. Não é por caso que ele colhe em políticos modernaços e ignorantes, neste e nos governos anteriores, que naturalmente são indiferentes a esse património que eles consideram caduco, ultrapassado e dispensável. Chegado aqui recordo-me sempre do “jovem” do Impulso Jovem aos saltos em cima do palco a dizer “ó meu isso não serve para nada”, sendo que o “isso” era a história. Esta é a gente do AO, e, como de costume, encontram sempre sábios professores ao seu lado, os mesmos que vêem as suas universidades a serem cortadas, em nome da “empregabilidade”, da investigação nas humanidades e em sectores como a física teórica e a matemática pura, teorias sem interesse para os negócios. “Ó meu, isso não interessa para nada!”.

 

Mas estamos em 2015 (2019) e hoje o português de Portugal está sitiado e numa situação defensiva. Não é no Brasil que o português está em risco, nem em Angola, Cabo Verde, Moçambique ou Timor. Aí os riscos do português são os riscos de sempre e vêm da extensão da colonização, da sua relação com as línguas autóctones, dos crioulos que gerou, e do modo como penetrou nas elites e no povo desses países, se é ou não a língua de cultura ou a língua da administração e do Estado. E não é certamente no Brasil que o português está na defensiva, bem pelo contrário, é no Brasil que o português está num momento particularmente criativo.

 

Quer se goste quer não, a locomotiva da língua portuguesa não é a academia portuguesa, mas a pujança do povo e da sociedade brasileira, a sua criatividade e dinamismo. E isso fará com que o português escrito no Brasil esteja sempre para lá de qualquer AO, como aliás aconteceu no passado e vai acontecer no futuro. É o mais fútil dos exercícios, até porque enquanto o tem um papel. Se abastardamos o português de Portugal, nem esse papel teremos, a não ser escrevermos um “brasileiro” mais pobre que não serve de exemplo a ninguém.

 

A vitalidade do nosso português está nos seus grandes escritores, Miranda, Camões, Bernardes, Vieira, Herculano, Camilo, Eça, todos conhecedores do seu Virgílio, do seu Horácio, do seu Ovídio, mesmo do seu escolar Tácito, César ou Salústio. Todos lidos, estimados e estudados no Brasil, que por eles faz muito mais do que nós alguma vez fizemos, por exemplo, com Machado de Assis. E é também por isso, que a maioria dos escritores portugueses contemporâneos recusa o AO, como quase toda a gente que está na escrita e vive pela escrita e é independente da burocracia do estado. Todos sabem que o português permite todas as rupturas criativas, dos simbolistas ao Sena dos Sonetos a Afrodite Anadiómena – “E, quando prolifarem as sangrárias,/ lambidonai tutílicos anárias,/ tão placitantos como o pedipeste”, – ao “U Omãi Qe Dava Pulus” de Nuno Bragança. Criativamente a nossa língua vernácula suporta e bem tudo, menos que seja institucionalizada com uma ortografia pobre e alheia à sua história.

 

O futuro do português como língua já está há muito fora do nosso alcance, mas o português que se fala e escreve em Portugal, desse ainda podemos cuidar. É que é em Portugal que o português está em risco, está na defensiva, e o AO é mais uma machadada nessa defesa de último baluarte. É em Portugal que um Big Brother invisível, que se chama sistema educativo, retira todos os anos centenas de palavras do português falado, afastando das escolas os nossos escritores do passado e substituindo-os por textos jornalísticos. É em Portugal que uma linguagem cada vez mais estereotipada domina os media, com a substituição dos argumentos pelos soundbites, matando qualquer forma mais racional e menos sensacional de conversação. É em Portugal que formas guturais de escrita, nos SMS e nos 140 caracteres do Twitter, enviados às centenas todos os dias por tudo que é adolescente, ou seja, também por muitos adultos, se associa à capacidade de escrever um texto, seja uma mera reclamação a uma descrição de viagem. É neste Portugal que, em vez de se puxar para cima, em nome da cultura e da sua complexidade, em nome da língua e da sua criatividade, em nome da conversação entre nós todos que é a democracia, se puxa para baixo não porque os povos o desejem, mas porque há umas elites que acham que a única pedagogia que existe é a facilidade.

 

E é neste Portugal que uma geração de apátridas da língua, todos muito destros em declamar que a “a nossa pátria é a língua portuguesa”, minimizam a nossa identidade e a nossa liberdade, que vem dessa coisa fundamental que é falar e escrever com a fluidez sonora do português, mas também com a complexidade da sua construção ortográfica. É como se estivéssemos condenados a escrever como se urrássemos em vez de falar.

 

Fonte:

https://estatuadesal.com/2015/05/17/os-apatridas-da-lingua-que-nos-governam/

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:28

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