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De Isabel A. Ferreira a 20 de Novembro de 2015 às 14:41
Cara Antonieta Mendoça,

Novamente agradeço este tão esclarecedor comentário.

Como tenho toda a consideração por quem tem o cuidado de não maltratar a Língua, que por vezes maltratamos por alguma falha que nos passou ao lado, venho remetê-la para o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea elaborado pelo Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Academia das Ciências de Lisboa, e editado pela Verbo em 2011, portanto antes da loucura ortográfica ter invadido as editoras.

Aí, a minha amiga pode encontrar o que referi sobre os vocábulos COMPACTUAR e PACTUAR.

Também esses termos (ambos) se encontram no velho dicionário da Porto Editora.

Mas em alguns dicionários não consta o vocábulo COMPACTUAR que, na realidade existe, mas não é considerado por todos. E a explicação para tal, não a sei dar.

Não tendo a informação de que seja um termo “gerado” no Brasil (normalmente os dicionários fazem essa indicação) deduzo que poderá ser utilizado na Língua Portuguesa sem qualquer melindre, com o significado “tomar parte em acções consideradas condenáveis”.

Eu, que não compactuo com os termos “abrasileirados” (diferente de vocábulos “gerados” no Brasil por influência indígena ou africana que enriqueceram, sobremaneira, o léxico brasileiro, ou de expressões interessantíssimas criadas pela fértil imaginação dos brasileiros – estou a lembrar-me desta, por exemplo: «está com cara de sinhá mariquinha cadê o frade»), e tendo esta referência num dicionário de Língua Portuguesa de Portugal, que motivos terei para não utilizar a palavra?

Por outro lado, que motivos também terei eu para duvidar do saber da minha amiga Antonieta Mendonça?

Agradeço ter levantado esta questão, porque irei aprofundar o motivo pelo qual “compactuar” existe para uns, e não existe para outros.

Um abraço desacordista,

Isabel A. Ferreira
De Antonieta Mendonça a 21 de Novembro de 2015 às 00:23
Cara Amiga!
Obrigada pelo seu comentário e pela sua simpatia!
A variante do português do Brasil é, na verdade, riquíssima e muito castiça! Admiro, mas não invejo, a sua capacidade de adoptar e "abrasileirar" vocábulos e expressões importadas de outras línguas como as famosas e famigeradas "mídeas " que se vão infiltrando que nem metástases da asneira, como se por cá não houvesse meios de comunicação social! Pois é, mas são muitas letras de uma só vez e as tais "mídeas " poupam esforço e saliva!!! Só as divindades sabem "o quão" cansados ficamos depois de um tão grande esforço!

Com todo o gosto aceito e retribuo o abraço desacordista!

Ficamos em contacto!

Antonieta Mendonça
De Isabel A. Ferreira a 1 de Dezembro de 2015 às 15:37
Cara Antonieta Mendonça,

Desculpe a demora, na resposta ao seu último comentário.

Quis consultar a opinião de um actualizado especialista nestas matérias da Língua Portuguesa, que acabou de publicar um livro que recomendo (se é que já não o conhece): «Em Português, Se Faz Favor», de Helder Guégués, não vá eu estar enganada, e a minha amiga também, quanto ao “compactuar” e “pactuar”.

Então a resposta que recebi foi a seguinte:

«Esses verbos não são, efectivamente, sinónimos; ou, pelo menos, não são sinónimos puros, têm matizes de sentido. Contudo, nada vejo de incorrecto no uso que fez dele na sua frase. E, se «compactuar» é muito mais usado no Brasil, isso não permite estabelecê-lo como brasileirismo. Quanto ao que a tradutora chama «preposições duplas», não tem razão. Não dizemos, por exemplo — e não é caso único, evidentemente — «comparar com»?...».

Espero ter esclarecido a minha opção.

***
Não sei de onde retirou esse “admirar” mas não “invejar” a minha (????) capacidade de adoptar e “abrasileirar” vocábulos e expressões… até porque não tenho esse hábito.

Mas se tivesse, conhecendo como conheço a “Língua Brasileira”, pois tive de a estudar, poderia até enriquecer os meus textos com as belas expressões e vocábulos que os Brasileiros possuem.
Mas não é o caso.

E nunca escrevi “mídeas”, nem sei o que isso é…

Pode informar-me de onde retirou essa “acusação” que me faz?
Um abraço,
Isabel A. Ferreira
De Antonieta Mendonça a 4 de Dezembro de 2015 às 23:52
Caríssima Amiga,
fiquei estupefacta por verificar que pensou estar eu a acusá-la de algo menos simpático! Tive de voltar a ler o meu comentário anterior e apenas posso afirmar ter-se tratado de um equívoco linguístico: quando me referia à "sua capacidade de adoptar e abrasileirar vocábulos e expressões" referia-me (eu) ao Português do Brasil e não à minha cara amiga! Longe de mim a intenção de lhe atribuir essa ginástica linguística, até porque nos conhecemos há bem pouco tempo. Além do Amor pela Língua Portuguesa, temos outro ideal em comum: ACABAR COM AS TOURADAS! Conte com o meu apoio!
Não conheço o livro que menciona, mas julgo já ter ouvido falar dele. É um título a reter para uma próxima incursão à Bertrand, ou à FNAC! E "mídea " é a apropriação do inglês "media", que são os meios de comunicação social, mas como a expressão é demasiado comprida, há que encurtá-la e olhe que já "apanhei" alguns bem-falantes lusos a usar esse termo, o que me arrepiou, pode crer!
Um grande abraço para si da
Antonieta Mendonça
De Isabel A. Ferreira a 5 de Dezembro de 2015 às 15:19
Car Antonieta,
Pois a nossa Língua Portuguesa tem destas coisas...
Há especialistas que dizem que não devemos utilizar esses pronomes no contexto em que foi utilizado, precisamente para não gerar essas confusões.

Está tudo esclarecido.
Quanto ao livro, recomendo.

Um forte abraço,

Isabel A. Ferreira

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