Terça-feira, 17 de Novembro de 2015

Uma perolazinha de Português que encontrei ontem no Facebook

 

CASAMENTO.png

(Origem da imagem: Internet)

 

Nem mais nem menos a seguinte legenda na fotografia de casamento de uma senhora que não vou identificar por motivos óbvios:

 

«JÁ LAVAM 19 ANOS A ATURAR TE» - assim, tal e qual.

 

Esta senhora não pertence à geração acordista.

 

Também não é da minha geração.

 

Nem da geração dos nossos pais e avós…

 

Conclusão: levando em conta que “lavou” durante 19 anos um casamento, com mais uns 25, idade com que começaria essa “lavagem” temos uma senhora da geração pós 25 de Abril.

 

Não me surpreende que “lavasse” os 19 anos de casamento.

 

Porque logo após o 25 de Abril (e digo isto com conhecimento de causa porque era professora na época, e sem a mínima saudade do dia 24) o que fizeram com o ENSINO da Língua Portuguesa, e aliás com o ensino em geral?

 

Reduziram-no ao simplex, porque decretaram que a partir dessa data, as crianças e os jovens portugueses seriam mais estúpidos do que todos os que nasceram anteriormente, e precisavam de que se lhes facilitasse a aprendizagem, porque a política era e continuou a ser: quando mais inculto for um povo, mais submisso será…

 

Até que alguém se lembrou de compactuar com o famigerado Acordo Ortográfico de 1990, que nasceu de algo parecido ocorrido no Brasil, para diminuir a taxa de analfabetismo que, naquele país, era elevadíssima, e para tal decidiram estropiar a Língua Europeia e Culta que herdaram dos ex- colonizadores Portugueses.

 

Agora, porque valores económicos mais altos se levantaram, querem porque querem impingir-nos essa língua estropiada.

 

Só que a Língua Portuguesa é de Portugal.

 

E a Língua Brasileira é do Brasil.

 

E que cada País fique com a sua.

 

Porque “lavar” um casamento de 19 anos… é algo que não se faz em público…

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 16:09

link do post | comentar | adicionar aos favoritos
partilhar
comentários:
De Antonieta Mendonça a 21 de Novembro de 2015 às 00:23
Cara Amiga!
Obrigada pelo seu comentário e pela sua simpatia!
A variante do português do Brasil é, na verdade, riquíssima e muito castiça! Admiro, mas não invejo, a sua capacidade de adoptar e "abrasileirar" vocábulos e expressões importadas de outras línguas como as famosas e famigeradas "mídeas " que se vão infiltrando que nem metástases da asneira, como se por cá não houvesse meios de comunicação social! Pois é, mas são muitas letras de uma só vez e as tais "mídeas " poupam esforço e saliva!!! Só as divindades sabem "o quão" cansados ficamos depois de um tão grande esforço!

Com todo o gosto aceito e retribuo o abraço desacordista!

Ficamos em contacto!

Antonieta Mendonça
De Isabel A. Ferreira a 1 de Dezembro de 2015 às 15:37
Cara Antonieta Mendonça,

Desculpe a demora, na resposta ao seu último comentário.

Quis consultar a opinião de um actualizado especialista nestas matérias da Língua Portuguesa, que acabou de publicar um livro que recomendo (se é que já não o conhece): «Em Português, Se Faz Favor», de Helder Guégués, não vá eu estar enganada, e a minha amiga também, quanto ao “compactuar” e “pactuar”.

Então a resposta que recebi foi a seguinte:

«Esses verbos não são, efectivamente, sinónimos; ou, pelo menos, não são sinónimos puros, têm matizes de sentido. Contudo, nada vejo de incorrecto no uso que fez dele na sua frase. E, se «compactuar» é muito mais usado no Brasil, isso não permite estabelecê-lo como brasileirismo. Quanto ao que a tradutora chama «preposições duplas», não tem razão. Não dizemos, por exemplo — e não é caso único, evidentemente — «comparar com»?...».

Espero ter esclarecido a minha opção.

***
Não sei de onde retirou esse “admirar” mas não “invejar” a minha (????) capacidade de adoptar e “abrasileirar” vocábulos e expressões… até porque não tenho esse hábito.

Mas se tivesse, conhecendo como conheço a “Língua Brasileira”, pois tive de a estudar, poderia até enriquecer os meus textos com as belas expressões e vocábulos que os Brasileiros possuem.
Mas não é o caso.

E nunca escrevi “mídeas”, nem sei o que isso é…

Pode informar-me de onde retirou essa “acusação” que me faz?
Um abraço,
Isabel A. Ferreira
De Antonieta Mendonça a 4 de Dezembro de 2015 às 23:52
Caríssima Amiga,
fiquei estupefacta por verificar que pensou estar eu a acusá-la de algo menos simpático! Tive de voltar a ler o meu comentário anterior e apenas posso afirmar ter-se tratado de um equívoco linguístico: quando me referia à "sua capacidade de adoptar e abrasileirar vocábulos e expressões" referia-me (eu) ao Português do Brasil e não à minha cara amiga! Longe de mim a intenção de lhe atribuir essa ginástica linguística, até porque nos conhecemos há bem pouco tempo. Além do Amor pela Língua Portuguesa, temos outro ideal em comum: ACABAR COM AS TOURADAS! Conte com o meu apoio!
Não conheço o livro que menciona, mas julgo já ter ouvido falar dele. É um título a reter para uma próxima incursão à Bertrand, ou à FNAC! E "mídea " é a apropriação do inglês "media", que são os meios de comunicação social, mas como a expressão é demasiado comprida, há que encurtá-la e olhe que já "apanhei" alguns bem-falantes lusos a usar esse termo, o que me arrepiou, pode crer!
Um grande abraço para si da
Antonieta Mendonça
De Isabel A. Ferreira a 5 de Dezembro de 2015 às 15:19
Car Antonieta,
Pois a nossa Língua Portuguesa tem destas coisas...
Há especialistas que dizem que não devemos utilizar esses pronomes no contexto em que foi utilizado, precisamente para não gerar essas confusões.

Está tudo esclarecido.
Quanto ao livro, recomendo.

Um forte abraço,

Isabel A. Ferreira

Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar neste blog

 

.Outubro 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
12
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. Extinção do AO90: de que...

. «Por isso me revolto…»

. «Indignados, verberam co...

. Indispensável esclarecime...

. «O Acordo Ortográfico e ...

. Diz o Embaixador Carlos F...

. «Augusto Santos Silva e L...

. Ao redor da inconcebível ...

. «Conhece uma língua filog...

. «Brasil e Portugal declar...

.arquivos

. Outubro 2019

. Setembro 2019

. Agosto 2019

. Julho 2019

. Junho 2019

. Maio 2019

. Abril 2019

. Março 2019

. Fevereiro 2019

. Janeiro 2019

. Dezembro 2018

. Novembro 2018

. Outubro 2018

. Setembro 2018

. Agosto 2018

. Julho 2018

. Junho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

.Acordo Ortográfico

A autora deste Blogue não adopta o “Acordo Ortográfico de 1990”, por recusar ser cúmplice de uma fraude comprovada.

.

.Contacto

isabelferreira@net.sapo.pt

. AO/90 é uma fraude, ilegal e inconstitucional

O Acordo Ortográfico 1990 não tem validade internacional. A assinatura (em 1990) do texto original tem repercussões jurídicas: fixa o texto (e os modos como os signatários se vinculam), isto segundo o artº 10º da Convenção de Viena do Direito dos Tratados. Por isso, não podia ser modificado de modo a entrar em vigor com a ratificação de apenas 3... sem que essa alteração não fosse ratificada por unanimidade! Ainda há meses Angola e Moçambique invocaram oficialmente a não vigência do acordo numa reunião oficial e os representantes oficiais do Brasil e do capataz dos brasileiros, Portugal, meteram a viola no saco. Ora, para um acordo internacional entrar em vigor em Portugal, à luz do artº 8º da Constituição Portuguesa, é preciso que esteja em vigor na ordem jurídica internacional. E este não está!
blogs SAPO