Sexta-feira, 9 de Março de 2018

VAMOS LÁ A VER SE OS ACORDISTAS ENTENDEM ESTA EXPLICAÇÃO QUE SE DARIA A UM ALUNO DA ESCOLA BÁSICA

 

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Na palavra pré-1945, chronographo, que pós-1945 se grafa cronógrafo (pessoa que escreve crónicas) o que mudou? Mudou apenas a grafia, com a supressão do H (que não fez falta alguma) a substituição do PH pelo F (som e letra existente no alafabeto português) e a acentuação da sílaba tónica, sem, contudo, modificar a pronúncia e o significado da palavra.

 

Na palavra coacção (acção ou resultado de coagir) que os brasileiros e agora os portugueses seguidistas, ou seja, aqueles que seguem ou são defensores incondicionais de uma ideia ou teoria, sem nunca se questionarem ou fazerem juízos de valor, escrevem “coação”, o que mudou?

 

Mudou tudo: a grafia, a pronúncia e o significado.

 

Grafia: eliminou-se o que, embora não se pronuncie, tem uma função diacrítica, ou seja, tem a função de um sinal gráfico (acentos, til, cedilha).

 

Pronúncia: neste caso o Cê, que não se pronuncia, tem a função de um acento agudo, e abre o A “cuáção”. Ora, se lhe retiramos o , a palavra “coação” passa a ler-se “cuâção”, se quisermos ser gramaticalmente honestos.

 

Significado: logo, a supressão do leva-nos para a palavra coação (cuâção) que significa acção ou resultado de coar, de filtrar um líquido ou um qualquer preparado, um qualquer produto obtido de uma manipulação química ou farmacêutica, ou mesmo uma filtragem linguística.

 

Exemplo: «Malaca Casteleiro, andou a fazer uma coação à Língua Portuguesa, e impingiu aos Portugueses o resultado dessa coação, ou seja, palavras coadas, numa grafia despida de sentido real e de estética (porque as palavras não são apenas som, são também imagem), deixando no coador as consoantes, que até podem não ser pronunciadas, mas não são mudas, porque falam da Morfologia das Palavras, ou seja, da parte da Gramática que trata da forma e dos processos de formação das palavras.»

 

E esta coação, este acto de coar as palavras do léxico português,  é algo que me intriga no Malaca Casteleiro. E das duas uma: ou ele, apesar de se dizer linguista, não é linguista (teria tirado o curso à Relvas?), ou andou mel a pingar no charco…

 

Isabel A. Ferreira

 

publicado por Isabel A. Ferreira às 15:52

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